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18/10/2006
Privatização da Cultura, a intervenção corporativa nas artes desde os anos 80
O crescente papel das
grandes empresas e seus interesses privados no mundo das artes: na produção,
circulação e nas instituições culturais no mundo, submetendo-o aos seus
interesses, sob a óptica do marketing, do investimento em activos ou da
diplomacia de negócios. Este é o delicado e pouco explorado tema do livro
inovador da autora taiwanesa Chin-tao Wu, Privatização da Cultura a partir da sua pesquisa na Universidade de
Londres sobre as mudanças ocorridas nos sistemas de apoio às artes nos
Estados Unidos e Reino Unido no final do século XX. O livro será lançado no
Brasil nesta quarta-feira, 18 de outubro, numa co-edição do SESC com a
Boitempo Editorial e com palestra da autora no SESC Vila Mariana. A obra analisa os
efeitos das políticas para o setor dos governos de Ronald Reagan e Margaret
Thatcher, que estabeleceram marcos como a redução dos investimentos
governamentais directos e do controle público, e o crescimento dos incentivos
fiscais, fundações privadas, do marketing cultural e dos institutos de empresas
actuando no setor. A cultura deixa de ser uma área de enriquecimento do
espírito, para se tornar mais um setor que tem que “se sustentar”, como
“negócios privados”, mas que continuam, ainda que de forma às vezes
dissimulada, subsidiados pelo poder público. A partir desta mudança
na postura dos governos e sociedades em relação à influência do mundo dos
negócios na arte, Chin-tao explora o peso das empresas e seus dirigentes nos
conselhos curadores, inclusive de instituições públicas como a Tate Gallery,
e as crescentes colecções privadas, em poder das próprias empresas. Como
estas fazem da arte, também, seu negócio financeiro e de imagem. E como os
próprios museus se tornam cada dia mais orientados e parecidos com empresas.
Como no caso, estudado no livro, das “franquias” do museu Guggenheim, que
hoje já possui até uma filial dentro de um casino em Las Vegas. E quais são
os efeitos disso na produção artística. Afinal, porque as grandes empresas
colocam dinheiro numa arte que aparentemente as contesta? Um debate essencial
para a discussão de cultura no Brasil das leis de incentivo que promovem o
controle privado com recursos públicos, após a falência da polémica
Brasilconnects, da imensa colecção privada de Edemar Cid Ferreira, e dos
projectos imobiliários de um Museu de Artes de São Paulo em crise. O livro
traz ainda um texto inédito sobre financiamento público à cultura, escrito
por Danilo Santos de Miranda, Director do Departamento Regional do SESC no
Estado de São Paulo. A autora virá ao Brasil
para o lançamento do livro, no dia 18 de outubro, no SESC Vila Mariana. Sobre a autora: Chin-tao Wu é especialista em cultura e arte contemporânea e colaboradora da revista New Left Review. É pesquisadora-colaboradora na Universidade de Londres e pesquisadora no Instituto de Estudos Europeus e Americanos da Academia Sinica, em Taipei (Taiwan). |