Informação Alternativa

Portugal

03/05/2007

 

Mais valia: Uma exposição de propósito anti capitalista

 

Jorge Feliciano

Livratemundo

 

Mais valia: uma exposição de propósito anti capitalista por Jorge Feliciano – na Casa da Cultura de Beja a partir de 5 de Maio de 2007 no âmbito do III Festival Internacional de B.D. de Beja.

 

Em pouco tempo, um mês, vou preparando esta exposição intitulada Mais valia: Uma exposição de propósito anti capitalista. Neste momento, após sete dias de trabalho, não sei ainda qual será o resultado. Mas sei que exposição não será boa forma de chamar ao produto final: preferiria a palavra intervenção mas de facto pouco importa esta questão

 

pois

 

as palavras mais importantes do título são: mais valia e anti capitalista (esta última são duas).

 

Mais valia é a definição de Marx para explicar a relação entre assalariados e a classe capitalista: a força de trabalho (tanto físico como intelectual) dos primeiros é a mercadoria que estes têm para vender no mercado. Os trabalhadores dedicam uma parte do seu dia de trabalho (imaginemos que são quatro horas) a garantir a sua subsistência e, a outra parte (mais quatro, cinco, oito horas conforme os casos), dedicam­‑na a trabalhar gratuitamente. Mais valia é esta diferença entre o número de horas que o trabalhador trabalha para si e aquelas que acaba por trabalhar a mais para produzir o lucro dos capitalistas.

 

ou seja

 

mais valia é a grande fonte de lucro da classe capitalista, detentora dos meios de produção (terras, fábricas, máquinas, etc.) e cuja principal organização defensora dos seus interesses particulares tem sido o Estado. Do lucro obtido pelos capitalistas através do trabalho gratuito dos assalariados muito pouco ou mesmo nenhum é investido para o bem estar geral dos trabalhadores. É, ao invés disso, gasto em luxos particulares.

 

Portanto, capitalismo é o sistema (parlamentarista/pluripartidário ou fascista/totalitário) que permite a usurpação do lucro criado pela força de trabalho dos assalariados por uma elite dominante, os capitalistas, que o usam em proveito próprio sempre contrário às necessidades da humanidade e de um planeta cada vez mais esgotado de recursos que, sendo de todos, são barbaramente sugados para gozo de alguns.

 

Anti capitalista é a luta por uma sociedade oposta à capitalista. Uma sociedade onde o lucro gerado pela força de trabalho de todos, em o havendo (não é esse o seu objectivo), é usado em benefício também de todos.

 

«No desenvolvimento das forças produtivas, chega um estágio em que surgem forças produtivas e meios de troca que, com as relações existentes, só causam malefícios, e não são mais forças produtivas, e sim destrutivas. (…) Estas forças produtivas recebem sobre o sistema da propriedade privada, um desenvolvimento unilateral e, para a maioria, tornam-se forças destrutivas. Assim, a situação chegou a tal ponto que os indivíduos devem se apropriar da totalidade das forças produtivas existentes, não apenas para conquistar a actividade autónoma, mas também para simplesmente salvaguardar a própria existência.» (István Mészàros citando Marx em O poder da ideologia, Boitempo Editorial, Brasil, 2004).