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27/12/2006 Arco-íris para o novo ano André
Levy Yip Harburg foi um importante letrista socialista estadunidense que escreveu, entre outras coisas, as letras dos musicais Finnian’s Rainbow e o Feiticeiro de Oz (Wizard of Oz), incluindo a canção Over the Rainbow, ambos adaptados para cinema, e Brother, Can You Spare a Dime? (do musical New Americana, de 1931), uma das raras canções a abordar directamente na época as condições sob a Grande Depressão. Participou também nos primeiros musicais integrados, no qual brancos e negros participavam conjuntamente no elenco e coro. Durante o período McCarthy, Harburg foi listado e impedido de trabalhar em Hollywood durante onze anos. Muitos das suas obras têm simbolismo político. Finnian’s Rainbow, uma história original, no qual um irlandês, Finnian McLonergan, e a sua filha Sharon, imigram para o Tennessee, onde Finnian planeia enterrar um pote de ouro que roubou de um leprechaun, convencido que se enterrar o pote irá crescer ouro (Tennessee é onde fica o Forte Knox, um importante repositório de ouro). Porém, quando chega ao Vale Arco‑íris encontra uma comuna de agricultores de tabaco, negros e brancos, que lutam contra um senador racista. A filha, Sharon, é tão ofendida pelo racismo do senador que estando perto do pote mágico transforma o senador num negro. O Feiticeiro de Oz está também carregado de simbolismo, já presente na versão literária de Frank L. Baum. Assim, o Espantalho que procurava um cérebro, representa o agricultor que se pensa parvo, mas é realmente esperto; o Homem de Lata representa o operário que em acidente após acidente nas fábricas foi substituindo as suas partes por metal, ficando reduzido a um homem de lata mecânico, sem coração, na linha de montagem; o Leão representava um político anti-imperialista e anti-monopolista (também anti-evolucionista), William Jennings Bryan; o Feiticeiro era o capitalista de Wall Street puxando os cordéis por detrás da cortina, mas que resulta não ser um monstro incombatível, mas um homem; etc. Leiam o artigo [1] sobre o simbolismo na obra. Embora haja alguma controvérsia sobre a sua interpretação, o filho de Harburg sugere que este tinha bem presente a suas implicações políticas, e imbuiu as fábulas de ideias progressistas [2]. Harburg escreveu já no fim da vida o seguinte poema: As vidas dos grandes homens recordam-nos que não há via fácil para a grandeza. Todos os heróis de amanhã são os hereges de hoje. Sócrates e Galileu, John Brown [3], Thoreau [4], Cristo, e Debs [5] Ouviram a noite clamar “Abaixo os traidores”, e a madrugada gritar “Força aos vermelhos!” Nada parece parti-los jamais. Forcas, crucifixos, barras de prisão. Embora os tentassem reajustar Eles são como pedras. Porquê todos os homens grandiosos nos lembram que podemos escrever os nossos nomes ao alto e ser perdoados deixar para trás um príncipe no FBI? _______ [1] David B. Parker, “The Rise and Fall of
The Wonderful Wizard of Oz as a ‘Parable on Populism’”, Journal of the
Georgia Association of Historians, vol. 15 (1994), pp. 49-63 [transcrição]. [2] A Tribute to Yip Harburg: The Man Who
Put the Rainbow in the Wizard of Oz, Democracy Now!, 25/12/2006. [3] John Brown (1800-1859): abolicionista; apelou à insurreição como forma de combate contra a escravatura. [4] Henry David Thoreau (1817-1862): naturalista, filósofo, abolicionista; defendeu a desobediência civil e a recusa de pagamento de impostos como forma de protesto contra a Guerra. [5] Eugene Debs (1855-1926): fundador do International Labor Union e do International Workers of the World (IWW), e cinco vezes candidato presidencial pelo Partido Socialista da América. |