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25/01/2006 Ignacio Ramonet «Nestes tempos de impostura universal – afirmava George
Orwell –, dizer a verdade é um acto revolucionário». Apesar da actual
proliferação mediática, cada vez resulta mais complicado aceder a uma
informação verdadeira. Os jornalistas, cuja especificidade profissional
consiste em garantir, mediante protocolos de verificação muito precisos, a
fiabilidade da notícia, esquecem-se por vezes disso e contribuem para o
actual descalabro da informação. Em França, um novo caso de manipulação mediática veio
confirmar a crise de credibilidade do jornalismo. Foi cometido pelo Libération.
Um diário fundado depois do Maio do 68 pelo filósofo Jean-Paul Sartre, que
teve antanho, no seio da esquerda, certo prestígio. Comprado pelo financeiro
Edouard de Rothschild, posiciona‑se agora a favor do neoliberalismo,
atravessa uma grave crise, viu a sua difusão cair a pique e vai despedir mais
de 20 jornalistas. Com o fim de captar a qualquer preço novos leitores,
lançou-se numa política editorial sensacionalista. A vítima neste caso foi,
de novo, o presidente Hugo Chávez, a quem este diário persegue com sanha
desde há anos. No dia 9 de Janeiro passado publicou, a toda a página e
com uma imensa foto a cores, esta pavorosa notícia: «O credo anti‑semita
de Hugo Chávez». Este tem sido vítima, desde que ganhou as eleições em 1998,
de uma inacreditável perseguição mediática, não só no seu próprio país mas –
sem dúvida por influência dos seus adversários – também no estrangeiro. Em França, o Libération é o diário que mais se
distinguiu pelas suas campanhas contra Chávez e contra as suas reformas
sociais. Como é sabido, as acusações mas frequentes contra Hugo Chávez são:
“caudilho populista”, “ditador autoritário” e inclusive “tirano bolivariano”.
Desprovidas de fundamento, pois todas as organizações de defesa dos direitos
humanos confirmam que na Venezuela não há presos políticos, nenhum meio de
informação foi censurado e nenhum jornalista se encontra encarcerado. Até agora, nenhum adversário tinha pensado em acusar o
presidente Chávez de anti‑semita . Pela singela razão de que não há
base para isso. O Libération apoiava‑se numa denúncia feita
pelo Centro Simon Wiesenthal de Buenos Aires – conhecido por ter lançado já
outros ataques contra Chávez –, o qual acreditava ter encontrado motivo de
protesto numa frase de um discurso do presidente venezuelano no dia 24 de
Dezembro. Mas foi possível demonstrar (consulte-se, em francês, o
sítio do observatório dos meios de comunicação Acrimed: www.acrimed.org/article2241.html) a má-fé do Libération.
Publicou extractos truncados do discurso de Chávez, modificou e mudou o texto
original, misturou supostas informações que não tinham nada a ver para tratar
de dar consistência à calúnia e ocultou notícias fundamentais (o desmentido
da comunidade judaica da Venezuela e de organizações judaicas dos Estados
Unidos). Esta grosseira manipulação tem um objectivo: juntar-se à
campanha internacional de demonização de Hugo Chávez. Que, como se sabe, é
sempre a etapa indispensável para desacreditar, desonrar e desqualificar um
mandatário que se deseja mais tarde derrubar mediante um golpe de Estado ou
outro tipo de intervenção violenta. Desta vez, por fortuna, a manobra não pôde prosperar. E da
próxima? |