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28/03/2005 Ignacio Ramonet O “velociraptor”. Assim chamam
a Paul Wolfowitz, vice-ministro da defesa dos Estados Unidos. Este “republicano
autoritário”, um dos falcões mais perigosos do Pentágono, concebeu toda a
trama da invasão do Iraque. A revista Time qualifica‑o de
«padrinho», no sentido mafioso, dessa guerra. É além disso o principal
teórico da supremacia absoluta de Washington sobre o planeta. E, desde 1992,
não pára de declarar: «Que fique bem claro, atacar o Iraque e derrocar Saddam
é a única coisa que responde aos interesses vitais dos Estados Unidos». É também um pró-israelita
quase fanático, obcecado pela segurança e pelo destino de Israel. Alguns
qualificam esta inquietante personagem de «Kissinger de Bush» porque é a
cabeça pensante, o ideólogo supremo do presidente e sem dúvida um génio da
política na sua versão mais maquiavélica. Pois bem, em face do desastre
da situação no Iraque e da responsabilidade das teses de Wolfowitz nesta
dramática situação, o presidente Bush quer afastá-lo da sua administração.
Mas gratificando-o pela sua fidelidade. E propôs o velociraptor nada menos
que como presidente do Banco Mundial... A princípio, as chancelarias
internacionais puseram‑se a rir e pensaram numa brincadeira de mau
gosto lançada por jornalistas com vontade de provocar. Mas a informação confirmou‑se.
O segundo mandato de cinco anos do actual presidente do Banco, James
Wolfensohn, termina no próximo dia 31 de Maio. E, por tradição (porque tem
mais votos que ninguém), Washington nomeia o presidente, sempre estado‑unidense. Concebido durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, em Bretton Woods, New Hampshire, o Banco Mundial foi criado para ajudar à reconstrução da Europa. A sua sede encontra‑se em Washington e é um dos organismos especializados das Nações Unidas; formado por 184 países. A reconstrução continua a ser um aspecto importante do seu trabalho, já que as economias em desenvolvimento se vêem afectadas por desastres naturais e emergências humanitárias e devem levar a cabo actividades de reabilitação depois dos conflitos. Não obstante, agora o Banco concentra mais a sua atenção na redução da pobreza. “Banco Mundial” é a denominação que se adoptou para designar o conjunto formado pelo Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). Estas duas organizações outorgam empréstimos com juros baixos, créditos sem juros e doações aos países pobres. Além destas duas organizações, o “Grupo do Banco Mundial” compreende outras três instituições: a Corporação Financeira Internacional (CFI), que promove o investimento privado proporcionando apoio em sectores e países que apresentam um risco elevado; a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (AMGI), que oferece seguros (garantias) contra riscos políticos aos investidores e prestamistas que operam em países em desenvolvimento, e o Centro Internacional de Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (CIADI), que soluciona os diferendos relativos a investimentos entre os investidores estrangeiros e os países em que estes operam (para mais informação, confira-se: web.worldbank.org). A Espanha tornou‑se membro do BIRD em Setembro de 1958 e graduou‑se como accionista em 1977. Parece surrealista que alguém
como Paul Wolfowitz, artífice de duas guerras – Afeganistão e Iraque – que
causaram um sem número de destruições e centenas de milhares de vítimas civis
aceda à cabeça de uma instituição que centra as suas iniciativas em conseguir
uma redução sustentável da pobreza. Desde quando construir escolas e centros
de saúde, fornecer água e electricidade, lutar contra as doenças e proteger o
meio ambiente foram preocupações do falcão Wolfowitz? Situações semelhantes
tiram do sério o próprio santo Job. |