|
Informação Alternativa |
|
Mundo |
|
09/11/2006 Vamos agora acusar os cúmplices de Saddam Comecemos por George Bush pai, o patrocinador de Saddam, e não
esqueçamos aqueles jornalistas que repetiram as mentiras de Bush filho e de
Blair que justificaram a invasão do Iraque. Num julgamento espectáculo cujo clímax teatral foi claramente
aprazado para promover George W. Bush nas eleições intercalares americanas,
Saddam Hussein foi condenado e sentenciado à forca. Baboseiras acerca do “fim
de uma era” e de “um novo começo para o Iraque” foram promovidas pelos
habituais falsos contabilistas morais, os quais não pronunciaram nem uma
palavra acerca de levar os cúmplices do tirano à justiça. Porque é que estes
cúmplices não estão a ser acusados pela sua ajuda e incitamento a crimes
contra a humanidade? Porque é que George Bush pai não está a ser acusado? Em 1992, uma investigação do Congresso descobriu que Bush como
presidente havia ordenado um encobrimento para esconder o seu apoio secreto a
Saddam e os embarques ilegais de armas enviados para o Iraque através de
países terceiros. A tecnologia de mísseis foi despachada para a África do Sul
e o Chile, e então “vendida” ao Iraque, enquanto os registos do Departamento
de Comércio dos EUA eram falsificados. O congressista Henry Gonzalez,
presidente do Comité Bancário da Câmara de Representantes, afirmou: «[Descobrimos
que] Bush e os seus conselheiros financiaram, equiparam e socorreram o
monstro...» Porque é que Douglas Hurd não está a ser acusado? Em 1981, como
ministro dos Negócios Estrangeiros da Grã‑Bretanha, Hurd viajou a
Bagdade para vender a Saddam um sistema de mísseis da British Aerospace e
para “celebrar” o aniversário da sangrenta ascensão de Saddam ao poder.
Porque é que o seu antigo colega de gabinete, Tony Newton, não está a ser
acusado? Como secretário do Comércio de Thatcher, Newton, um mês depois de
Saddam gasear 5000 curdos em Halabja (notícia que o Foreign Office tentou
suprimir), ofereceu ao assassino em massa 340 milhões de libras em créditos à
exportação. Porque é que Donald Rumsfeld não está a ser acusado? Em Dezembro de
1983, Rumsfeld estava em Bagdade para assinalar a aprovação dos EUA à
agressão do Iraque ao Irão. Rumsfeld voltou a Bagdade em 24 de Março de 1984,
o dia em que as Nações Unidas relataram que o Iraque havia utilizado gás
mostarda combinado com um agente de nervos contra soldados iranianos.
Rumsfeld nada disse. Um relatório posterior do Senado documentou a
transferência dos ingredientes de armas biológicas de uma companhia em
Maryland, licenciada pelo Departamento do Comércio e aprovada pelo
Departamento de Estado. Porque é que Madeleine Albright não está a ser acusada? Como
secretária de Estado do presidente Clinton, Albright impôs um embargo
implacável ao Iraque que provocou meio milhão de “mortes em excesso” de
crianças com menos de cinco anos. Ao ser questionada na televisão se as
mortes das crianças foram um preço que valeu a pena pagar, ela respondeu:
«Nós pensamos que o preço valeu a pena». Porque é que Peter Hain não está a ser acusado? Em 2001, como
ministro do Foreign Office, Hain descreveu como «gratuita» a sugestão de que
ele, juntamente com outros políticos britânicos que apoiaram sem rodeios o
bloqueio mortífero do Iraque, poderiam ser levados ao Tribunal Criminal
Internacional. Um relatório para o secretário‑geral da ONU de uma
autoridade mundial em direito internacional descreve o embargo ao Iraque na
década de 1990 como «inequivocamente ilegal sob as leis de direitos humanos
existentes», um crime que «poderia levantar questões sob a Convenção do
Genocídio». Efectivamente, dois anteriores responsáveis da missão humanitária
da ONU no Iraque, ambos assistentes do secretário-geral, demitiram-se porque
o embargo era de facto genocida. A partir de Julho de 2002, fornecimentos
humanitários no valor de mais de 5 mil milhões de dólares, aprovados pelo
Comité de Sanções da ONU e pagos pelo Iraque, foram bloqueados pela
administração Bush, apoiada pelo governo de Blair e Hain. Isto incluiu
produtos relativos a alimentação, saúde, água e higiene. Acima de tudo, porque é que Blair e Bush filho não estão a ser
acusados do «supremo crime de guerra», para citar os juízes de Nuremberga e,
mais recentemente, o principal promotor público americano — isto é, a
agressão não provocada contra um país indefeso? E porque é que aqueles que difundiram e ampliaram a propaganda que levou
a tão épico sofrimento não estão a ser acusados? O New York Times
relatou como factos fabricações fornecidas ao seu repórter por exilados
iraquianos. Isto deu credibilidade às mentiras da Casa Branca, e sem dúvida
ajudou a preparar a opinião pública para apoiar a invasão. Aqui, a BBC quase
celebrou a invasão com o seu homem na Downing Street a congratular Blair por
estar «conclusivamente certo» na sua afirmação de que ele e Bush «seriam
capazes de tomar Bagdade sem um banho de sangre». A invasão, segundo
estimativa confiável, provocou 655.000 “mortes em excesso”,
preponderantemente de civis. Se nenhuma destas pessoas importantes são chamadas a prestar contas,
há claramente justiça apenas para as vítimas dos “monstros” reconhecidos. Será isso justiça real ou falsa? Falsa. |