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03/08/2006
Duas semanas no Irão II: Persepolis e a ilusão do
império universal Miguel Urbano Rodrigues A aspiração de ver aquele lugar nasceu nos bancos do liceu quando
estudei as guerras entre a Grécia e a Pérsia e soube que uma noite Alexandre,
o Rei da Macedónia, incendiara os palácios que eu vira num livro de arte. «Um
dia irei até Persepolis» – decidi então. Satisfiz o desejo em Maio,
transcorridos quase setenta anos. O sol do planalto iraniano queimava a terra ressequida e as colunas
brancas da Apadana. Inicialmente essas colunas eram negras, mas é suficiente passar a
mão nelas para que o mármore recupere a cor primitiva. A imaginação não
consegue, porém, recriar o grande palácio, tal como o viam os embaixadores
estrangeiros ao serem recebidos por Dario, o Rei dos Reis. Dois mil e quinhentos anos nos separam da Pérsia dos Aquemenidas no
seu máximo esplendor. As cidades do nosso tempo e a organização da vida são
profundamente diferentes. Mas o homem mudou menos na sua atitude perante o
Poder do que seria desejável. Em Persepolis, como na Pasárgada de Ciro, naquela manhã, quando a
imaginação tentou a viagem pelos séculos em esforço para compreender a
ambição de Dario e o sentido dos seus actos, a minha meditação sobre a
História findou no presente. As ruínas magestáticas de Persepolis fizeram-me voar, em cavalgada
mental, até à Casa Branca onde um homem investido de um poder imenso, muito
menos inteligente do que o monarca aqueménida, retoma num mundo que se
agigantou o sonho persa do Estado Universal. Na plataforma sobre a qual fora edificado o conjunto palacial o
calor era abrasador. Não havia nuvens no céu, mas o azul pálido apresentava uma
tonalidade cinza que feria o olhar quando este se perdia nas montanhas. Pouco ali se ajustava ao esperado. Tudo me apareceu como se fora
redescoberto. Na Apadana, na Sala das Nações, nos Palácios de Dario e Xerxes.
No das Cem Colunas, ao identificar marcas do incêndio que destruiu
Persepolis, subiu em mim a pergunta repetida por incontáveis gerações: Por
que queimou Alexandre, um príncipe culto, aqueles palácios, mais grandiosos
do que tudo o que ele conhecera na Grécia? Os Anais, redigidos durante a conquista da Pérsia, não esclarecem a
questão. São múltiplas as versões dos historiadores gregos. Vingança pelo
saque de Atenas por Xerxes? Descontrole emocional no fim de uma orgia? Nunca
a pergunta obterá resposta. A única certeza é a de que no mundo antigo não se fez algo
comparável a Persepolis. Aliás, povo algum voltou a erguer colunas tão altas
como as da Apadana que sustentavam a 20 metros do solo tectos de madeira
trabalhada. As descrições dos escritores gregos expressam o seu espanto ante
a riqueza ofuscante das portas de bronze, do ouro do embasamento das colunas
e dos cascos e cornos dos toiros. O luxo das vestes bordadas a ouro, a
profusão de pedras preciosas, as tapeçarias, as pinturas murais, o cerimonial,
tudo ali deslumbrava os embaixadores admitidos à presença do monarca que se
apresentava como o senhor de trinta nações diferentes. NO TÚMULO DE DÁRIO O sol descera muito no horizonte quando, caminhando por uma vereda
de saibro, avistei a escarpa de Naqsh-i-Rostam. O calor ainda queimava os
pulmões. Foi o prolongamento do choque recebido em Persepolis, a escassos
quilómetros de distância. É um lugar inimaginável. Os antigos imperadores persas eram sepultados entre o céu e a terra.
A grande necrópole dos Aqueménidas nasceu de um desafio à imaginação. Numa falésia de 64 metros de altura, quase vertical, abrem-se,
escavados na rocha, os túmulos de Dario I, Xerxes, Artaxerxes I e Dario II. O tom da pedra é de um ocre dourado, incomum. O sepulcro de Dario atrai o visitante. É uma obra de arte
estranhíssima com três registos sobrepostos. No relevo superior aparece,
esculpido, Ahura Mazda, o deus do zoroastrismo, em luta permanente pelo bem
contra o mal. Em baixo surge Dario no seu trono, perante um altar do fogo. O
rei é transportado pelos representantes dos povos vassalos. O relevo médio
tem quatro colunas com a porta da câmara mortuária a meio. Reproduz o palácio
real. Dario pretendeu em primeiro lugar transmitir a mensagem do poder. Em diferentes inscrições rupestres aparece a afirmação de um poder
pessoal sem limites: «Eu sou Dario, o Grande Rei, o Rei dos Reis, o Rei do
país de todas as raças, Rei sobre esta grande Terra que se estende muito
longe, o filho de Hystapes, um Aqueménida, um persa, um ariano de origem
ariana.» A reivindicação do arianismo era, porém, contraditória. Dario não
esquecia que os Persas e os Medos formavam a coluna vertebral do poder
aqueménida. Mas o Império era um estado multinacional, amálgama de povos com
culturas e religiões diferentes, que gozavam de ampla autonomia. O seu
arianismo nada tinha de comum com o enaltecido por Hitler. Uma política
racista teria destruído uma estrutura estatal frágil como a da Pérsia
Aqueménida. Na época de Xerxes, o império, transcontinental, ia do Danúbio ao
Indo, da Ásia Central às cataratas do Nilo, reunindo territórios com
aproximadamente 5 milhões de quilómetros quadrados. Contemplando as ruínas dos monumentos grandiosos dessa civilização
agitavam-me sentimentos contraditórios. Uma sensação de irrealidade
perturbava-me. Como fora possível que naquelas solidões, entre montanhas onde
a neve nunca desaparece e desertos incompatíveis com qualquer forma de vida,
um povo ainda tribal, vindo do Cáucaso, mobilizado por um rei de ambição
planetária, tivesse sido o instrumento da primeira tentativa de Estado
Universal? Em Naqsh-i-Rustam recordei que Dario tinha vivido o suficiente para
compreender que o seu projecto de Estado Mundial era muito mais difícil de
concretizar do que imaginara. A derrota na Grécia terá sido uma advertência
sobre os limites do seu poder. Mas o filho, Xerxes, retomou o sonho e o resultado foi um novo e
definitivo fracasso. Transcorridos apenas 130 anos, um príncipe estrangeiro, vindo de um
pequeno e pobre país europeu, a Macedónia, chegou e fez do impossível
realidade: conquistou o Império do Rei dos Reis. Mas o desafio de Alexandre
durou ainda menos que o dos Aquemenidas. Desfez-se quando ele morreu aos 32
anos. O mundo surgia então aos sábios da época como muito pequeno, o que
ajuda a compreender as ambições daqueles que pretendiam governá-lo. Para os
contemporâneos dos persas e gregos findava a Norte nas águas do Cáspio e a
Sul nas florestas impenetráveis da Índia; para Ocidente continuava pela África
ate às cataratas do Nilo, mas as terras além do deserto líbico eram quase
despovoadas; longíssimo, para Oriente, estava a China. OS SASSÂNIDAS Bishapur, nas terras quentes do Sudoeste iraniano, apareceu-me como
conjunto de ruínas de difícil identificação. A solidez das muralhas
impressiona, mas da vasta área onde antes havia casas e templos, pouco resta. As aparências enganam. Ali existiu uma estranha cidade. Foi
construída não por persas, mas por legionários romanos em meados do século
III da Nossa Era. Roma iniciava a sua lenta decadência quando um grande exército, sob
o comando do imperador Valeriano, foi derrotado no seu primeiro choque com
uma potência que iria tornar-se hegemónica na região: a Pérsia Sassânida. O acontecimento abalou o mundo antigo. Cerca de 40.000 legionários e
o imperador renderam-se e foram conduzidos ao lugar cujas ruínas eu
contemplava. No descampado, como prisioneiros, construíram uma cidade que
recebeu o nome de Shapur, o vencedor de Roma. Por que fui até ali na minha caminhada por terras do Irão? Talvez para sentir, mais na atmosfera do que nas pedras, o fenómeno
do primeiro dos muitos renascimentos persas. O povo de Ciro e Dario, após a
conquista de Alexandre, tinha adormecido num sono letárgico, com as suas
elites helenizadas. E, de repente, 550 anos após a destruição de Persepolis,
uma dinastia, os Sassânidas, orgulhosa das suas origens, reconstrói um
Império que promove o renascimento persa. Durante quatro séculos impõe-se militarmente,
primeiro a Roma, e depois a Bizâncio. A Europa continua a desconhecer o que deve à Pérsia Sassânida. A
arrogância eurocêntrica não apaga, porém, a história. A arte islâmica, após o
início do Califado Abassida, foi decisivamente influenciada pela herança
persa. Em múltiplos campos a contribuição da cultura sassânida para o
desenvolvimento da civilização árabe não fica aliás aquém da greco-romana. A cavalaria pesada, assim como o feudalismo, tem raízes iranianas. E
foi igualmente persa a primeira reforma agrária da história, implantada pela
revolução mazdaquista que estabeleceu uma modalidade de comunismo primitivo,
reprimida com ferocidade. Os Sassânidas também deixaram gravados em belos relevos rupestres a
sua concepção do poder. Impressionaram-me os que vi próximo de Bishapur. Não
há muitos exemplos de um deus ter cumprido como Ahura Mazda uma função tão
importante na caminhada de um povo. Ao fundirem-se praticamente com ele,
assumindo origem divina, os monarcas Sassânidas imprimiram ao Estado um
carácter teocrático que os diferenciou dos Aqueménidas. Os relevos sassânidas sobreviveram a incontáveis invasões e guerras.
Esculpidos na pedra para expressar uma ambição de poder eterno, documentam
hoje a brevidade dos grandes impérios e a irracionalidade de certas ambições
humanas. O esboço do Estado Universal de Dario durou dois séculos. O Império
Sassânida foi vencido e destruído em apenas quatro anos por um povo de
nómadas, vindo das areias do deserto arábico. Era difícil, ao visitar ruínas das grandes civilizações persas da
Antiguidade, não pensar na actual crise de civilização que a humanidade
enfrenta. Meditei ali sobre a arrogância imperial dos EUA e a estratégia de
dominação planetária de Bush, um pequeno homem, de muito poder e escassa
inteligência. Recordei as ameaças que dirige ao Irão, apresentando-se como
representante da civilização e da cultura, ele que é um moderno bárbaro. Vai durar pouco o império dos EUA. Terá o desfecho de quantos o
precederam. ESFAHAN E A VISÃO DO PARAÍSO Na periferia da cidade de Kashan subi a umas colinas arenosas onde
há 7.000 anos existiu uma povoação, Sialk. No pequeno museu próximo vi
fragmentos de uma cerâmica decorada que em objectos caseiros já então usava
cores. No Irão, a antiguidade da presença do homem impressiona e comove
pela densidade dos vestígios que a testemunham. No grande planalto, cruzado durante milénios por invasores vindos de
todos os azimutes, parcelas das heranças culturais acumuladas sobreviveram
sempre a períodos de violência e barbárie. Desde Sialk houve ali
continuidade, por vezes quase invisível, na criação de coisas belas. Sementes
de civilizações destruídas ou rudemente golpeadas fecundaram outras que, em
cadeia quase ininterrupta, nasceram nos oásis e estepes emoldurados por
montanhas ciclópicas. Os reis Aqueménidas diziam que o Paraíso foi inventado por eles. A
palavra, antiquíssima, surgiu na língua persa no tempo de Ciro, o Grande,
para designar os jardins do seu palácio de Pasárgada. E ficou. A ideia do
paraíso permaneceu associada à beleza de jardins cuja atmosfera e encanto
mágico já eram cantados pelos poetas gregos. Esfahan é talvez o mais expressivo exemplo dessa inexplicável
vocação dos povos do Irão para saírem de fases históricas trágicas para
inovarem com imaginação e força criadora no campo da arte de viver. Eu tinha lido muito sobre a antiga capital da Pérsia. Mas livros e
imagens não podem transmitir o sortilégio de Esfahan. O rio terá sido a primeira surpresa. O Zayandeh é um rio
estranhíssimo. Desce dos cumes nevados da cordilheira do Zagros, percorre
planícies que transforma num grande e fértil oásis, atravessa a cidade onde
alarga muito e, após uma centena de quilómetros, morre nos areais do deserto. São muitas as pontes seculares que o cruzam. Na mais bela, o rei que
a concebeu fez instalar a meio, de cada lado, palacetes octogonais. O Xá Abbas I, no final do século XVI, decidiu fazer de Esfahan a
mais deslumbrante cidade do Islão. A sua fama correu mundo. Da China e da
Índia do Grão Mogol Akbar, até da França longínqua chegaram viajantes e
artistas para conhecerem o novo paraíso materializado pelo rei persa. Nas esplanadas, sob uma das pontes seculares, moradores do bairro
tomavam chá quando por ali passei num entardecer. O Zyandeh corria
espumejante pelos canais, debaixo dos arcos, caindo em cascatas límpidas para
um nível inferior onde retomava o seu curso remansoso. Nos degraus que
desciam até à água centenas de pessoas, velhos e jovens, conversavam,
sentados na pedra, gozando a frescura da hora, após um dia abafado. Mais tarde, já noite fechada, o comércio ainda permanecia aberto. Os
homens, em Esfahan, como em Teerão, vestem à europeia, mas no ambiente
permanece muito da tradição oriental. A cultura do renascimento safévida sobrevive na esmerada educação
das pessoas, na sua atitude perante a existência, na arte de viver. Por avenidas intensamente iluminadas caminhei até à Praça do Imã,
construída há quatro séculos. Caberiam nela alguns Terreiros do Paço. Com uma
extensão de 512 metros, a largura atinge 160. Mas não é somente uma das
maiores do mundo. O cenário traz à memória contos das Mil e Uma Noites. A
Praça Real, ou do Imã, como lhe chamam agora, tocou‑me sobretudo pela
harmonia, pelo equilíbrio, pela acumulação do inesperado. Na noite morna, iluminadas, a cúpula turquesa da Mesquita Azul, a
Mahjed‑i‑Sha, e a da Loftollah, introduziam ilusoriamente o
passado no presente. Apesar da hora tardia, centenas de pessoas permaneciam na Praça,
movendo-se no interior do grande perímetro, fechado por um edifício
rectangular de dois pisos, sob o qual a toda a volta correm arcadas para as
quais se abriam centenas de lojas. Nos bancos, ao lado de canteiros floridos,
junto de um grande espelho de água, casais namoravam e famílias inteiras
ceavam, sentadas em tapetes colocados sobre a relva. A visita aos palácios de recreio dos monarcas safevidas (o real, de
quatro pisos, ergue-se a meio da Praça do Imã), sobretudo ao Chehel Sotun,
onde quadros de grandes pintores persas evocam efemérides da dinastia,
reforçou em mim a sensação da excepcionalidade de Esfahan. Essa impressão de viajar através de uma cidade diferente de tudo o
que conhecia acentuou-se na mesquita de Masdeh-i-Djomeh, o mais antigo templo
da antiga capital. Em toda a Ásia muçulmana não há outra em que se
justaponham, convivendo sem conflito, tantos estilos e decorações e épocas,
da seljucida à safevida, passando pela mongol e a timurida. Como foi possível aquilo? Na procura de algo similar recordei os
esplendores de Al Andaluz e percebi que empalideciam na minha memória. Tive a
percepção de que no mundo islâmico, qualquer paralelo com Esfahan, incluindo
os monumentos da Índia Mogol, é redutor, desvaloriza aquilo que se compara. Revi Persepolis, tão próxima de Esfahan no espaço, e tão distante
como expressão de posicionamento do homem perante a aventura da vida. E, contudo, paradoxalmente, Persepolis ajuda a compreender o desafio
de Esfahan. Naquela terra, a Pérsia, na cadeia de civilizações, por vezes com
mundividências antagónicas, as grandes rupturas provocadas por invasões de
povos vindos de muito longe, as destruições, as chacinas nunca impediram a
lenta interacção das culturas. O que parecia morrer fecundou sempre aquilo que
ali nascia em atmosfera com frequência trágica. Os historiadores persas não esquecem – apenas um exemplo – que
Tamerlão, o invencível conquistador turco chagatai, para castigar Esfahan,
mandou erguer às portas da cidade sublevada pirâmides com 60.000 cabeças de
moradores, num repugnante banho de sangue. A matança aconteceu no final do
século XIV. Mas inesperadamente, décadas após a morte de Tamerlão, os netos
enterraram as espadas e foram príncipes sábios, como o rei astrónomo Ulugh
Begh, de Samarcanda, e outros timuridas que ergueram em Mached e Herat, no
Korassão iraniano, algumas das mais belas mesquitas do mundo. Esfahan, destruída por diferentes invasores – a primeira cidade já
existia na época dos Sassânidas há 1700 anos – e sempre renascida, simboliza
bem essa enigmática vocação persa para dar continuidade à vida e recriar
cultura a partir dos escombros de civilizações golpeadas. A sua estrela começou a brilhar quando um guerreiro do Norte, o Xá
Ismail, fundou a dinastia safevida depois de travar definitivamente o avanço
para Ocidente dos turcos usbeques. Caberia a um descendente seu, o Xá Abbas
I, transferir a capital para o centro do país. Pretendia suplantar a
Constantinopla de Solimão, o Magnífico. E concretizou o sonho. Contemporâneo
de Henrique IV e de D. João III, estabeleceu relações diplomáticas com
Portugal. Esfahan atraiu então os melhores arquitectos, ceramistas, pintores,
artesãos, poetas e escultores iranianos, catalizando a energia criadora do
génio persa. Meca continuou a atrair os devotos da fé; conhecer Esfahan
tornou-se aspiração de outro tipo de peregrinos, artistas e intelectuais de
todo o Islão. Durou pouco mais de cem anos esse período de esplendor. No início do
século XIII, com a monarquia safevida em processo de desagregação, tribos
afegãs ocuparam Esfahan e devastaram a cidade. A barbárie deixou marcas nos grandes monumentos. Alguns
desapareceram. Mas a tradição persa funcionou. Esfahan curou as suas feridas
e renasceu. Na madrugada em que me despedi dela – há lugares que visitamos uma
única vez – perguntava-me como foi possível criar na Pérsia quinhentista uma
cidade tão maravilhosa e humanizada? Não idealizava. Certamente a presença do
inferno coexistia ali com a visão do paraíso. Mas ao caminhar pela grande
Praça recordei o quotidiano agressivo de Nova Iorque e a atmosfera tensa de
uma cidade sem silêncios como Madrid e concluí que o discurso hipócrita sobre
a civilização e o progresso não esconde que a humanidade está a ser empurrada
para a barbárie. George Bush ao ameaçar o Irão não pode compreender que é um bárbaro ao lado do Xá Abbas de quem provavelmente nunca ouviu falar. |