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26/04/2005 Um tipo diferente de
revolução As pessoas que lutam contra a nova central eólica em Cumbria enganaram e exageraram. Aparentam possuir pouco entendimento dos perigos do aquecimento global. São apoiadas por uma insípida coalizão de lobistas nucleares e negadores do aquecimento global. Mas continuaria a ser um erro descartá-los. O projecto Whinash, na orla do Lake District National Park, irá ser, se avançar, a maior central eólica da Europa em terra, produzindo, segundo os projectistas, energia suficiente para 47.000 casas [1]. Sem esquemas como esse, não há hipótese de atingir as metas do governo de cortar 20% nas emissões de carbono até 2010. Turbinas de vento em terra são actualmente a forma mais barata de produzir energia sem recurso a combustíveis fósseis, mas no momento representam apenas 0,32% da nossa electricidade [2]. Diante da emergência global da mudança climática, seria criminosamente irresponsável não construir mais. O inquérito público que decidirá se o projecto Whinash deve ou não avançar, e que irá ajudar a determinar o curso futuro da nossa política energética nacional, começou a semana passada. O ano passado a Advertising Standards Authority [entidade de auto‑regulamentação publicitária] ajuizou que a campanha No Whinash Windfarm exagerou no tamanho e no número de turbinas, e no impacto que teriam no turismo e no preço das casas [3]. Entre os que têm apoiado os exageradores estão a organização Country Guardians e o antigo ambientalista David Bellamy. Os Country Guardians [guardiões do país] foram co-fundados por Sir Bernard Ingham, o secretário de Imprensa de Margaret Thatcher's e um consultor para a indústria nuclear. David Bellamy é agora o principal negador do aquecimento global do País. (Ainda na semana passada, clamou, numa carta ao New Scientist, que o Serviço Global de Monitorização Glaciar informou que 89% dos glaciares mundiais estão a crescer [4]. O seu mais recente relatório mostra que 82 dos 88 avaliados em 2003 estão a diminuir [5]. Mas devemos tentar não julgar uma causa pelos seus apoiantes. Há muitas coisas que me deixam desconfortável em relação à energia eólica, e na forma como está a ser promovida. Centrais eólicas, porquanto necessárias, são o exemplo clássico daquilo que os ambientalistas chamam uma “end of the pipe solution” [solução no final do processo]. Em vez de atacarem o problema – a nossa demanda massiva de energia – na sua fonte, elas provêm meios menos danosos de o acomodar. Ou parte disso. O projecto Whinash, por substituir a energia produzida através da queima de combustíveis fósseis, irá reduzir as emissões de dióxido de carbono em 178.000 toneladas por ano [6]. Isso é impressionante, até você descobrir que um único jacto jumbo, fazendo Londres-Miami, ida e volta, todos os dias, liberta o equivalente em mudança climática de 520.000 toneladas de dióxido de carbono por ano [7]. Uma única ligação diária entre a Grã-Bretanha e a Flórida custa três centrais eólicas gigantes. A tecnologia alternativa permite-nos imaginar que podemos construir a nossa solução para o problema. Respondendo a uma forma de sobre‑desenvolvimento com outra, nós podemos, acreditamos, continuar a expandir as nossas demandas de energia sem destruir os sistemas planetários requeridos para sustentar a vida humana. Isto pode, por uns tempos, ser verdade. Mas cedo requereria o uso de toda a superfície terrestre do Reino Unido. Considere, por exemplo, os clamores por células de combustível de hidrogénio. Os seus proponentes acreditam que os veículos deste país poderiam todos um dia mover‑se com hidrogénio produzido por electricidade gerada com a força do vento. Eu não estou certo que eles tenham a mínima ideia do que isso envolve. Não fui capaz de encontrar cifras para o Reino Unido, mas uma estimativa grosseira para os Estados Unidos sugere que tal transformação iria requerer a duplicação da capacidade da rede energética nacional [8]. Se o rácio for o mesmo para nós, isso significaria um incremento de 600 vezes da produção de energia eólica, só para manter as nossas rodas em andamento. Se procurássemos compensar as emissões produzidas noutras partes, não haveria fim para tal. O governo encara um aumento do número de passageiros aéreos de 180 milhões para 476 milhões durante os próximos 25 anos [9]. Isto significa uma contribuição para o aquecimento global equivalente a uma redução das emissões causada por 1024 Whinash’s [10]. Por outras palavras, não há uma forma sustentada de satisfazer as correntes projecções de demanda de energia. A única estratégia de alguma forma compatível com ambientalismo é uma assente numa vasta redução do uso total. A Greenpeace e os Amigos da Terra, que apoiam a nova central eólica, reiteram esse ponto repetidamente, mas isso cai em orelhas moucas. O que é aceitável para o mercado, e portanto para o governo, é o espaço de oportunidades para o capital, na forma de novos tipos de produção de energia. O que não é aceitável é um leque reduzido de oportunidades para o capital, na forma de cortes massivos na produção total de energia. Não é culpa deles, mas não importa a clareza com que os grupos verdes articulam as suas prioridades, o que o governo ouve é “mais centrais eólicas”, em vez de “menos voos”. Eu gostaria de ver as ONGs verdes publicarem uma declaração sobre onde este tipo de desenvolvimento deve parar. Em que ponto eles irão dizer que estão a ser construídas demasiadas centrais eólicas, e pedir ao governo para parar? Em que ponto se deve avançar para os projectos descentralizados de micro-geração de energia que eles encaram? Também me sentiria feliz se os ambientalistas abandonassem a ideia de que as centrais eólicas são lindas. Não são. Elas são meramente menos feias e menos destrutivas do que a maioria das alternativas. São muito menos feias do que a mudança climática, que ameaça destruir os habitats que os activistas anti-vento estão tão desejosos de preservar. Temos que construí-las, mas penso que seria mais honesto reconhecer que elas são um mal necessário. Mas estas não são as únicas razões por que o apoio dos ambientalistas às centrais eólicas me faz retorcer. A declaração conjunta acerca do projecto Whinash publicada pela Greenpeace e Amigos da Terra lamenta que «os oponentes ao projecto, localizado junto à auto-estrada M6, queixaram-se de que as turbinas de vento vão arruinar as vistas, falhando em reconhecer que a presença de uma auto-estrada já degradou a paisagem» [11]. Cita Jill Perry da Amigos da Terra, que disse, «estou espantado por as pessoas estarem a reclamar que a área deveria ser designada um Parque Nacional. Que espécie de parque nacional tem uma auto-estrada a atravessá‑lo?» Bem, os parques nacionais New Forest e South Downs para começar [12]. A sua criação foi apoiada pelos Amigos da Terra. Noutros lados, estes grupos opõem‑se ao “recheado” em redor de novas estradas. Noutros lados, esses grupos argumentam que as paisagens e os ecossistemas devem ser vistos de forma holística: que não param, por outras palavras, numa arbitrária linha no mapa, como a fronteira dum Parque Nacional. Eu compreendo que os soldados verdes estão numa posição desconfortável quando argumentam pelo desenvolvimento em vez de contra ele. Mas não compreendo porque é que eles têm que soar como a Walmart mal a bota está no outro pé. Penso que a central Whinash deve ser construída. Mas também penso que aqueles que a defendem deviam ser um pouco mais sensíveis em relação às preocupações dos opositores locais. Porquê? Porque em quaisquer outras circunstâncias se encontrariam a lutar no mesmo lado. __________ [1] 1. Ver por exemplo, Four Square Marketing Communications, Whinash Wind Farm Proposals Submitted for Approval (pdf), 29 de Setembro de 2003. Nota de imprensa publicada em nome da Renewable Development Company Ltd. [2] A produção total de geração eólica (sobre terra e mar) foi de 1.286 gigawatts hora (GWh). http://www.dti.gov.uk/energy/inform/energystats/renewables/dukes7_4.xls A geração total de
electricidade no Reino Unido para 2003 foi de 398.360 GWh. http://www.dti.gov.uk/energy/inform/energystats/electricity/dukes5_6.xls [3] Advertising Standards Authority. Adjudication
on ‘No Whinash Windfarm’. 28 de Abril de 2004. [4] David Bellamy. “Glaciers Are Cool”. New
Scientist, Vol. 186, No 2495. 16 de Abril de 2005. [5] Ver os dados publicados no fim da seguinte página: http://www.geo.unizh.ch/wgms/mbb/mbb8/sum0203.html [6] Friends of the Earth, Wind Farm Inquiry to Test Climate
Change Commitment. 13th April 2005. Press release. [7] www.climatechoice.org calcula o
efeito do aquecimento equivalente à emissão de gases de efeito estufa por
assento de um jumbo ocupado completamente numa viagem de ida e volta de 3851
kg. Assume um total de 370 assentos. 3851×370 = 1.425.000 kg. 1425t x 365 = 520.125 t/ano. [8] Ver carta de Hugh Williams. “Hydrogen
Hype”. New Scientist Vol. 179, No 2411. 6 de Setembro de 2003. [9] Select Committee on Environmental Audit. Pré-Budget
Report 2003: Aviation Follow‑up. 10 de Março de 2004. [10] O comité dá um peso de
carvão projectado total pela aviação em 2030 de 17,7mt. A taxa de efeito de
aquecimento global para a tonelagem de CO2 dada por www.chooseclimate.org é 11 (3851kg de
efeito de aquecimento de 350kg de CO2). Isto tem em conta os gases de efeito
de estufa outros que não carvão e o efeito de forçamento radiactivo de CO2
libertado na alta atmosfera. 11×17,7
= 194,7 mt. 194.700.000 ~ 178.000 = 1093,8. [11] Greenpeace and Friends of the Earth, Leading
green groups support Lake District wind farm. 20 de Abril de 2005. [12] The proposed South Downs National Park
is clipped by the M3. http://www2.countryside.gov.uk/proposednationalparks/sd_desigIntro.asp
The M27 runs into the New Forest National
Park. http://www.defra.gov.uk/wildlife-countryside/issues/landscap/newforest/pdf/nf-boundary-map.pdf |