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08/01/2007 Soldados assustados aterrorizam
pessoas Dahr Jamail; Ali al‑Fadhily * Dahr
Jamail's MidEast Dispatches Yassir, de 10 anos, apontou uma arma de plástico a uma patrulha
blindada estadunidense em Faluja, e gritou “Bang! Bang!”. Yassir não sabia o que estava por acontecer. «Gritei para que todos
corressem, porque os americanos estavam a voltar», disse à IPS Ahmed, de 12
anos, que estava com Yassir. Os soldados seguiram Yassir até sua casa e destruíram quase tudo o
que havia nela. «Fizeram isso depois de baterem com força no Yassir e no seu
tio, e disseram as palavras mais feias», contou o jovem. Não são só as crianças, ou as pessoas de Faluja que estão
assustadas. «Esses soldados estão aterrorizados aqui», disse à IPS o Dr. Salim
al-Dyni, psicoterapeuta de visita a Faluja. O Dr. Dyni declarou ter visto
relatórios profissionais de militares psicologicamente perturbados «enquanto
serviam nas áreas mais quentes, e Faluja é a mais quente e aterradora para
eles». O Dr. Dyni afirmou que os soldados perturbados estavam por trás das
piores atrocidades. «A maioria dos assassinatos cometidos pelos soldados
estadunidenses resultou dos medos dos soldados». A polícia iraquiana local calcula que a cada dia são cometidos pelo
menos cinco ataques contra tropas dos EUA em Faluja, e aproximadamente a
mesma quantidade contra forças de segurança do governo iraquiano. A cidade, situada
na indomável província de al‑Anabar a oeste de Bagdade, tem estado sob
alguma forma de cerco desde Abril de 2004. Isso representou um castigo para o povo. «Oficiais americanos
perguntaram‑me centenas de vezes como os combatentes conseguem as armas»,
disse à IPS um morador de 35 anos que foi detido juntamente com dezenas de
outros durante uma rusga militar às suas casas no bairro Muallimin no mês
passado. «Eles [os soldados norte‑americanos] chamaram‑me os
piores nomes que consegui entender, e muitos que não consegui. Ouvi presos
mais jovens a gritarem sob tortura e repetindo “não sei, não sei”,
aparentemente respondendo à mesma pergunta que me haviam feito». Os soldados estadunidenses têm reagido de forma selvagem aos ataques
cometidos contra eles. Recentemente, várias áreas de Faluja ficaram sem electricidade
durante duas semanas, depois de militares estadunidenses terem atacado a
central eléctrica, na sequência de um ataque cometido por um franco‑atirador. Thubbat, Muhandiseen, Muallimeen, Jughaifi e a maioria das partes
ocidentais da cidade foram afectadas. «Eles estão a castigar civis por não
conseguirem proteger‑se a si mesmos», disse à IPS um morador do bairro
Thubbat. «Desafio‑os a capturar um só dos franco-atiradores que matam
os seus soldados». Muitos dos assassinados na violência sem fim são civis. A maior
queixa local é que as forças estadunidenses atacam civis aleatoriamente para
vingarem colegas mortos em ataques cometidos pela resistência. Mais de 5.000 civis mortos por soldados estadunidenses foram
enterrados nos cemitérios de Faluja e em fossas comuns na periferia da
cidade, segundo o Centro de Estudos para os Direitos Humanos e a Democracia,
uma organização não‑governamental com sede em Faluja. «Pelo menos metade dos mortos são mulheres, crianças e idosos»,
assegurou à IPS o co-diretor da organização, Mohamad Tareq al-Deraji. Soldados dos Estados Unidos submetidos à máxima pressão parecem
estar a punir civis ao mesmo tempo que sofrem alguma forma de stress
pós-traumático. A IPS informou no dia 3 de Janeiro que novas orientações
estabelecidas no mês passado pelo Pentágono permitem aos comandantes deslocar
soldados que sofrem de tais distúrbios. De acordo com o jornal do exército estadunidense Stars and
Stripes, os membros do serviço com «uma desordem psiquiátrica em
remissão, ou cujos sintomas residuais não impeçam o cumprimento do dever»
podem voltar ao activo. Enumera o stress pós-traumático como um
problema “tratável”. Steve Robinson, director de Assuntos de Veteranos da Veterans for
America, disse ao jornalista da IPS Aaron Glantz que «como homem comum e
ex-soldado, considero que isso é ridículo». «Se tenho um soldado que toma Ambien para dormir e Seroquel e
Qanapin e todo tipo de remédios psicotrópicos, não quero que tenha uma arma
na mão e faça parte da minha equipa, porque é um risco para si mesmo e para
os demais», afirmou. «Mas, aparentemente, o exército tem seu próprio ponto de
vista sobre o quanto pode funcionar bem um soldado nessas condições, e está a
apostar que possam ter êxito». _________ * Ali al-Fadhily é correspondente em Bagdade. Dahr Jamail é um
especialista que passou oito meses a informar do interior do Iraque e tem
vindo a cobrir o Médio Oriente há vários anos. |