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11/09/2006 Faluja novamente sob
ameaça Dahr Jamail; Ali al‑Fadhily Dahr
Jamail's MidEast Dispatches Após ter sofrido dois grandes assaltos nos últimos dois anos, Faluja
está outra vez sob ameaça das forças dos EUA, afirmam os habitantes. «Eles destruíram a nossa cidade duas vezes e agora estão a ameaçar‑nos
pela terceira vez», disse à IPS Ahmed Dhahy, de 52 anos, em Faluja, a cidade
de maioria sunita localizada 50 quilómetros a oeste de Bagdade. «Querem que façamos o trabalho deles, e que entreguemos aqueles que os
atacam», disse. Dhahy, que perdeu 32 familiares quando a casa do seu pai foi
bombardeada pela aviação dos EUA durante o ataque à cidade em Abril de 2004,
afirmou que os militares dos EUA ameaçaram destruir a cidade se os
combatentes da resistência não lhes forem entregues. «Na semana passada, os americanos usaram alto-falantes na parte
traseira dos seus tanques e Humvees [veículos blindados] para nos ameaçar», disse
Dhahy. Os habitantes afirmaram que as forças dos EUA avisaram de uma «grande
operação militar» se os combatentes não forem entregues. Um porta-voz militar estadunidense em Bagdade afirmou que não tinha
ouvido relatos de tal acção. Faluja foi intensamente bombardeada em Abril de 2004 e de novo em Novembro
desse ano. Os ataques destruíram 75% da infra-estrutura da cidade e deixaram
mais de 5.000 mortos, segundo organizações não‑governamentais locais. Mas a seguir aos intensos ataques, os combatentes da resistência
continuaram a lançar ataques contra as forças estadunidenses e iraquianas
oficiais na cidade. Faluja continua sob fortes medidas de segurança, com os
soldados estadunidenses a utilizar sistemas de identificação biométrica, revista
corporal completa e cartões de identificação com código de barras para entrar
ou sair da cidade. «A resistência iraquiana não parou um só dia, apesar das vastas actividades
militares estadunidenses», disse à IPS um capitão de polícia da cidade que
falou sob condição de anonimato. «Os sábios da cidade explicaram às autoridades estadunidenses que é
impossível deter a resistência com operações militares, mas parece que os
norte‑americanos preferem seguir o caminho difícil». O capitão de polícia afirmou que os combatentes contra a ocupação
aumentaram as suas actividades face à violência sectária na qual esquadrões
da morte xiitas mataram milhares de sunitas em Bagdade. Muitos habitantes de
Faluja têm parentes na capital. A falta de reconstrução e a falha dos militares estadunidenses em
pagar a devida compensação às famílias das vítimas agravaram o mal-estar,
disse o capitão. «Costumava haver ataques da resistência contra as forças
estadunidenses e iraquianas em Faluja diariamente», acrescentou o capitão. «Mas
agora aumentaram para vários por dia. Muitos soldados foram mortos e os seus
veículos destruídos. Por isso, está claro que as medidas de segurança que adoptaram
em Faluja fracassaram». Vários habitantes disseram à IPS que todo o tipo de assassinatos foi
cometido nos últimos oito meses. Líderes religiosos foram alvejados
regularmente, sem nenhum grupo a assumir a responsabilidade. No Domingo, 10 de Setembro, o antigo chefe da polícia de trânsito, o
brigadeiro Ahmed Diraa, foi morto a tiro no seu carro. Os habitantes de
Faluja disseram à IPS que Diraa tinha deixado o seu cargo há um mês. Frente a estes assassinatos, e agora das ameaças de um novo ataque,
os habitantes permanecem desafiadores ante as forças de ocupação. As
dificuldades por que as pessoas passaram parecem tê‑las fortalecido em
vez de enfraquecido. «Há tantas detenções, assassinatos e punições colectivas, tais como
tiroteios indiscriminados, rusgas de inspecção violentas, toques de recolher
repetidos e cortes deliberados de água e electricidade», disse à IPS Mohammed
al‑Darraji, director de uma organização não‑governamental em
Faluja chamada Centro Iraquiano para a Observação dos Direitos Humanos. «O que se passa nesta cidade requer a intervenção internacional para
proteger os civis e punir aqueles que prejudicaram seriamente a sociedade de
Faluja e cometeram graves crimes contra a humanidade», acrescentou al‑Darraji.
A sua organização tem vindo a monitorar as violações das Convenções de
Genebra na cidade desde o cerco de Abril de 2004. «Existe uma longa lista de punições colectivas que transformaram a
cidade num aterrador campo de detenção», disse. Outro defensor dos direitos humanos em Faluja, que pediu para ser referido
como Khalid, afirmou que os activistas de direitos humanos no Iraque se sentiam
traídos pelas Nações Unidas. A ONU mostrou ignorância «ao deixar que as tropas estadunidenses
actuassem sozinhas na cidade», disse à IPS Khalid, que trabalha para a Raya
Human Rights, uma organização não‑governamental na cidade. «Isto foi
depois de os meios de comunicação terem exposto a enormidade da violência e das
violações dos direitos humanos durante os últimos três anos». |