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Médio
Oriente |
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11/11/2005 Foi uma mensagem cruenta e
sanguinária ao pequeno rei valente Mark II. Ajuda os americanos, treina os seus
polícias iraquianos, entretém os seus oficiais das forças especiais e serás
um novo alvo da Al Qaeda. Não tão nova, claro. Um empregado da embaixada americana,
Laurence Foley, o mais macio dos alvos porque amava o Médio Oriente e vivia
em casa em Amã, foi morto há três anos. Mas 56 mortos [1], jordanos na sua
maioria, é um golpe devastador para o homem que em tempos vez dirigiu as
forças especiais jordanas, supostamente de “elite”, e que é hoje monarca
dessa pequena caixa de areia [sandpit] que Winston Churchill criou e
chamou “Jordânia”. A quem culpar? A Abu Musab al‑Zarqawi,
pois claro. O mesmo cansativo, estranho, cruel e nebuloso Zarqawi a quem os americanos
parecem tão pouco capazes de capturar ou liquidar como a Osama Bin Laden, ao
mullah Omar ou, já agora, a Radovan Karadjic e Ratko Mladic, os criminosos de
guerra que massacraram os muçulmanos em Srebrenica e noutras cidades da
Bósnia. Os bombardeamentos suicidas que mataram 56 inocentes em Amã trazia esse lugar comum amado por todos os jornalistas, “todas as marcas” da Al Qaeda e Zarqawi. Por que continuamos a dar a essas criaturas os atributos da prata? Isto é, se Zarqawi está vivo.
Delinquente insignificante originário da cidade jordana de Zarqa, sem dúvida
existia em 2003, quando os Estados Unidos e a Grã-Bretanha empreenderam a invasão
ilegal do Iraque. Mas muitos no Iraque acreditam que morreu nos primeiros
ataques dessa guerra. Em Zarqa, a sua esposa, da qual era muito possessivo, pôs‑se
a trabalhar para sustentar a sua família. Quando a mãe dele faleceu no ano
passado, a família não recebeu nenhuma mensagem de condolências de Zarqawi, uma
estranha omissão num homem pretensamente consagrado a uma interpretação tão
estrita do Islão. Repetidamente, funcionários de inteligência americanos “identificaram” Zarqawi em fitas de vídeo que mostram o assassinato de reféns ocidentais. Mas os assassinos estavam sempre encapuçados com lenços e as suas vozes distorcidas. Como sabiam os americanos que se tratava de Zarqawi? Há muitas perguntas sem resposta quanto ao papel da Al Qaeda no Iraque – e agora na Jordânia – que nós, os jornalistas, de momento preferimos deixar em paz. Porquê a Jordânia? Porquê agora? Bem, em parte porque Abdullah é um servo tão fiel do presidente George Bush. Em parte porque as suas forças estão a treinar soldados iraquianos. Em parte porque está a permitir que as forças especiais dos EUA treinem esses soldados em solo jordano. Em parte porque a Jordânia também se tornou numa base de retaguarda para caça‑bombardeiros dos EUA, que estão a atacar cidades no Iraque. E em parte porque a Jordânia, com a sua monarquia inconstitucional e os seus bairros pobres de islamitas em crescimento nas suas maiores cidades, é o macio ventre do “Ocidente” no Médio Oriente. Desde a morte do seu pai, os jordanos e outros árabes têm perguntado se o rei pode justificar a sua existência no que em tempos se chamou a Transjordânia. «Para que serve o rei?», perguntaram-me não há muito tempo na Jordânia. Uma pergunta perigosa, e cada acto de violência contra o seu reino torna a questão mais preocupante. O tratado de paz da Jordânia com Israel é tão impopular como sempre no país. O hotel Radisson, um dos alvos dos ataques de quarta-feira à noite, era frequentemente usado por visitantes israelitas à Jordânia. Porque ele é tão popular no Ocidente, porque fala inglês melhor do que árabe, porque é o filho do pequeno rei valente Mark I, o rei Hussein, porque foi graduado da Real Academia Britânica de Sandhurst, o rei Abdullah é uma figura popular na Europa e nos Estados Unidos, bem-vindo em Downing Street e na Casa Branca. Mas, na Jordânia, há quem não lhe deseje tanto bem. Os ataques de quarta-feira à noite foram uma advertência de que o rei talvez se encontre mais seguro em Londres do que em Amã. ______ [1] Posteriormente, foi noticiado um número superior: 67 mortos (n. IA). |