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13/07/2005 A trama adensa‑se. Cada três semanas, um assassinato. Mas a pretendida vítima de ontem – pois Elias Murr sobreviveu – era um ex ministro da Defesa pró‑sírio, vice‑primeiro‑ministro de saída e genro do ainda mais pró‑sírio presidente libanês Emile Lahoud. Quem pode alegar que Damasco
queria assassinar um dos seus protegidos? A explosão no carro foi enorme e uma limousine blindada foi envolvida em chamas por causa dos explosivos. Um trabalho de profissionais. Mas quem? E porquê? Murr resultou ferido mas não
pereceu pela bomba, que estourou quando a sua comitiva – mais pequena do que
a comitiva em que o antigo primeiro‑ministro Rafiq Hariri foi
assassinado juntamente com outras 20 pessoas em 14 de Fevereiro [1] – passava
por uma rua estreita no subúrbio oriental de Rabieh, perto de sua casa. Como Murr conseguiu
sobreviver – guiava o seu próprio Porsche Cayenne que quase foi pulverizado
pelos explosivos – permanece um mistério. Dois civis, incluindo um ancião,
ficaram despedaçados na rua, e 12 outros resultaram feridos. Os restos da explosão e o sangue
estavam cobertos por pétalas de cor rosada e carmim, uma chuva de buganvílias
que explodiu das árvores e dos arbustos para a rua, abençoando a devastação com
uma estranha beleza. É um bairro calmo de embaixadas
– a esposa do embaixador do México esteva entre os feridos. Murr, um cristão,
guiava regularmente por aí, frequentemente à mesma hora todos os dias: os
assassinos gostam das pessoas que são regulares nos seus caminhos para casa.
E, evidentemente, na hora, as especulações começaram. Murr e o seu pai acederam a
figurar na lista de candidatos do ex rebelde (e anti‑sírio) general
Michel Aoun nas eleições gerais do mês passado. Tinha isto ofendido os
sírios? O suficiente para tratar de matar o genro do presidente? Não é muito
provável. Depois há a teoria da Al
Qaeda. Em setembro, Murr disse ter descoberto uma conspiração para fazer
explodir as embaixadas da Itália e da Ucrânia em Beirute – isto foi novidade
para as embaixadas – e deteve 10 islamitas alegadamente próximos a Osama bin
Laden. Um deles, Ismail Mohamed al-Khatib,
o qual as autoridades alegavam que dirigia uma rede da Al Qaeda, morreu em
custódia policial. Um ataque cardíaco, segundo foi alegado. O ministro do
Interior foi criticado. As pessoas não morrem de “ataques do coração” nas
estações de polícia libanesas; a não ser que alguém lhes faça algo horrível.
Por conseguinte, foi isto uma vingança da Al Qaeda? Depois houve a explicação menos
sinistra. Os políticos libaneses são com frequência homens de negócios. Podem
ter havido disputas, contas a ajustar. A Síria denunciou a tentativa de assassinato. Saad Hariri, filho do ex primeiro‑ministro assassinado, falou de «uma mão secreta que quer minar a estabilidade... desatar o caos no [Líbano]». Da sua cama de hospital, Murr, ferido na cara e nas pernas, declarou que «o país passa por um período difícil e todos temos de encarar isso». _______ [1] Por lapso, a transcrição do artigo de Fisk indica a data de 16 de Fevereiro (n. IA). |