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23/04/2005 Estão os sírios realmente a sair? Sim. Mais de 14.000 soldados sírios regressaram à Síria. Os restantes
1.200 deverão sair na próxima semana. Já levaram mais de 200 tanques e
desmantelaram postos de radar nas montanhas libanesas. Mas não está a Síria a deixar os seus agentes do serviço de informações
para trás? Não. O chefe do serviço de informações militar da Síria, o general
Rustom Ghazale, despediu-se do general Jamil Sayyed, o chefe do aparelho de
segurança geral do Líbano e um dos favoritos da Síria. E ontem, o próprio
general Sayyed fez as malas e deixou o seu gabinete. O mesmo fez o seu
colega, o general Ali Haj. O primeiro‑ministro interino, Najib Mikati,
afirmou que ambos estavam a seguir «o caminho de elevada moral», mas a sua declaração
deve ser tomada com uma pitada de sal libanês. Ali Haj foi o homem que semeou
provas no local do assassinato do ex primeiro‑ministro Rafiq Hariri em
14 de Fevereiro. Então, o que se passou com o relatório FitzGerald sobre o assassinato
de Hariri? Foi tão prejudicial para Sayyed e Haj, o que é a verdadeira razão por
que estão a esvaziar as suas secretárias, que a ONU vai enviar uma comissão de
inquérito completa para descobrir quem assassinou Hariri e 20 outras pessoas
inocentes numa explosão massiva na Corniche de Beirute. O relatório de Peter
FitzGerald foi uma magistral obra de trabalho policial e enfureceu
profundamente o presidente Bashar Assad da Síria que tinha, imprudentemente,
optado por não falar com o homem da ONU. Se Fitzgerald tivesse escrito correctamente
a data da tentativa de assassinato contra Marwan Hamadi, o colega de Hariri,
e escrito bem Rue Foch, o relatório teria obtido uma qualificação de 100 por
cento. Haverá eleições livres como exigiram Bush e Chirac? O sistema eleitoral do Líbano é tão complicado que muitos políticos
passam anos tentando entendê-lo. Mas haverá eleições em 29 de Maio – Mikati confirmou‑o
ontem – e o filho de Hariri, Saadedine, diz que ocupará o lugar do seu pai.
Sem o general Sayyed e com os sírios fora, estas deveriam ser as eleições
mais justas no Líbano em 29 anos. Os observadores internacionais vigiarão a
votação; que consigam entendê‑la é um assunto diferente. E o Hezbollah? A resolução 1559 da ONU também exige o desarmamento da guerrilha, mas o Hezbollah afirma que não deporá as suas armas até que os israelitas tenham saído de uma pequena parcela de território chamada Quintas de Shebaa, que é mostrada em velhos mapas franceses como fazendo parte do Líbano. Muitos muçulmanos libaneses apoiam o Hezbollah, o último aliado da Síria no país. Depois das eleições, o futuro do Hezbollah será a questão mais premente na política libanesa. |