Informação Alternativa

Médio Oriente

23/04/2005

 

Ponto da situação em 5 minutos: O que se segue no Líbano?

 

Robert Fisk

 

Estão os sírios realmente a sair?

 

Sim. Mais de 14.000 soldados sírios regressaram à Síria. Os restantes 1.200 deverão sair na próxima semana. Já levaram mais de 200 tanques e desmantelaram postos de radar nas montanhas libanesas.

 

Mas não está a Síria a deixar os seus agentes do serviço de informações para trás?

 

Não. O chefe do serviço de informações militar da Síria, o general Rustom Ghazale, despediu-se do general Jamil Sayyed, o chefe do aparelho de segurança geral do Líbano e um dos favoritos da Síria. E ontem, o próprio general Sayyed fez as malas e deixou o seu gabinete. O mesmo fez o seu colega, o general Ali Haj. O primeiro­‑ministro interino, Najib Mikati, afirmou que ambos estavam a seguir «o caminho de elevada moral», mas a sua declaração deve ser tomada com uma pitada de sal libanês. Ali Haj foi o homem que semeou provas no local do assassinato do ex primeiro­‑ministro Rafiq Hariri em 14 de Fevereiro.

 

Então, o que se passou com o relatório FitzGerald sobre o assassinato de Hariri?

 

Foi tão prejudicial para Sayyed e Haj, o que é a verdadeira razão por que estão a esvaziar as suas secretárias, que a ONU vai enviar uma comissão de inquérito completa para descobrir quem assassinou Hariri e 20 outras pessoas inocentes numa explosão massiva na Corniche de Beirute. O relatório de Peter FitzGerald foi uma magistral obra de trabalho policial e enfureceu profundamente o presidente Bashar Assad da Síria que tinha, imprudentemente, optado por não falar com o homem da ONU. Se Fitzgerald tivesse escrito correctamente a data da tentativa de assassinato contra Marwan Hamadi, o colega de Hariri, e escrito bem Rue Foch, o relatório teria obtido uma qualificação de 100 por cento.

 

Haverá eleições livres como exigiram Bush e Chirac?

 

O sistema eleitoral do Líbano é tão complicado que muitos políticos passam anos tentando entendê-lo. Mas haverá eleições em 29 de Maio – Mikati confirmou­‑o ontem – e o filho de Hariri, Saadedine, diz que ocupará o lugar do seu pai. Sem o general Sayyed e com os sírios fora, estas deveriam ser as eleições mais justas no Líbano em 29 anos. Os observadores internacionais vigiarão a votação; que consigam entendê­‑la é um assunto diferente.

 

E o Hezbollah?

 

A resolução 1559 da ONU também exige o desarmamento da guerrilha, mas o Hezbollah afirma que não deporá as suas armas até que os israelitas tenham saído de uma pequena parcela de território chamada Quintas de Shebaa, que é mostrada em velhos mapas franceses como fazendo parte do Líbano. Muitos muçulmanos libaneses apoiam o Hezbollah, o último aliado da Síria no país. Depois das eleições, o futuro do Hezbollah será a questão mais premente na política libanesa.