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31/03/2005 na esteira do assassinato
de Hariri Ainda antes de o Conselho de Segurança da ONU nomear uma comissão
internacional para investigar o assassinato do antigo primeiro‑ministro
libanês Rafiq Hariri, os melhores amigos da Síria nas forças de segurança
libanesas estão a começar a cair dos seus poleiros. Dado o veredicto da primeira
missão da ONU de recolha de factos sobre o assassinato – acusou os
investigadores libaneses de negligência, possivelmente acompanhada de acções
criminosas – muitos libaneses tiraram uma conclusão: já não era sem tempo. Primeiro veio o juiz principal no inquérito oficial libanês sobre o
assassinato, Michel Abu, que na semana passada anunciou misteriosamente que
estava exausto, acrescentando que sentiu a necessidade de demitir‑se
«por causa da atmosfera de cepticismo que rodeia a investigação». Depois veio
a notícia de que o general Raymond Azar, o poderoso chefe dos serviços
militares de inteligência libaneses, tinha decidido tomar um mês de “licença
ausente” no meio da exigência continuada da sua demissão e da de cinco dos
seus colegas por parte da oposição política. E agora espera‑se que o general Ali Haj, o chefe das Forças de Segurança Internas libanesas, siga o exemplo de Azar. Foi Haj quem ordenou aos seus homens para remover os restos destruídos do combóio de Hariri da cena do crime pouco antes da meia‑noite de 14 de Fevereiro, o dia do assassinato. Nas palavras de Peter FitzGerald, o vice‑comissário irlandês que chefiou a missão da ONU, esta decisão impediu «qualquer análise balística, análise de explosivos e recolha de indícios no cenário». O general Haj foi em tempos membro do aparato de segurança de Hariri – mas foi deslocado depois de o antigo primeiro‑ministro ter concluído que ele estava a passar informação às autoridades de segurança sírias em Beirute. Mesmo o presidente Lahoud, o mais fiel amigo da síria no Líbano, apoia agora – ou diz que apoia – uma investigação internacional completa sobre o assassinato de Hariri. Assim balança lentamente o pêndulo na direcção da oposição política. Ou assim parece. A demissão – pela segunda vez num mês – do primeiro‑ministro Omar Karami é um sinal adicional da deterioração política no Líbano. Incapaz de encontrar um só opositor da Síria preparado para servir numa coligação governamental, recusou liderar um governo de «uma cor» e preferiu sair em ignomínia. Mas sem um primeiro‑ministro, é duvidoso se eleições nacionais podem ser celebradas em Maio – as quais preservariam o actual parlamento libanês que está cheio de apoiantes da Síria. O Hizbollah recusa‑se ainda a sair da sua posição de apoio à Síria, o que quer dizer que dezenas de milhares de muçulmanos xiitas permanecem fora da oposição libanesa. E as três bombas nocturnas que explodiram em distritos comerciais de Beirute oriental não são seguramente as únicas que foram preparadas para as semanas vindouras. Ao alvejar os subúrbios orientais, maioritariamente cristãos, de Beirute – onde a oposição à Síria é mais forte – parece haver um plano para incitar a comunidade maronita contra os muçulmanos libaneses. Até agora, provou‑se infrutífero. Mas se é esse o caso, assim argumentam os libaneses, seguramente os agentes provocadores irão na próxima vez usar carros‑bomba em ruas apinhadas. Afortunadamente os muçulmanos sunitas, os druzos e os cristãos tinham criado a sua aliança anti‑síria antes do assassinato de Hariri; caso tentassem fazê‑lo na sua esteira, poderiam muito bem ter falhado. |