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16/03/2005 continua a envenenar a
atmosfera política Então agora “eles” deixaram Beirute. Na entrada escura do escritório
do mukhabarat sírio da rua Sadat, onde durante anos homens armados guardaram o
pequeno quartel‑general suburbano, uma mulher de meia idade estava a
lavar o chão e a varrer os rios de água preta para a rua. «Foram‑se» gritou
um velho homem druzo do outro lado da rua. O seus alegres graffiti em
louvor do presidente Bashir Assad já tinham sido pintados com spray de
tinta preta. No maior quartel dos serviços secretos sírios em Ramlet el-Baida,
onde aqueles que entravam frequentemente saíam com hematomas nos seus corpos –
apesar de há anos a esta parte ter sido um posto de escuta em vez de um
centro de interrogação – a mobília foi empilhada em camiões, as fotografias
de Bashir e do seu pai Hafez retiradas. Não houve cerimónia. Como muito da
história no Líbano, o que tinha estado aqui durante décadas simplesmente já não
estava aqui. Mas outro dos antigos aliados leais da Síria aqui, Mohsen Dalloul, um
deputado do Zahle que também foi um ministro da defesa, acusou agora o
governo libanês de ser cúmplice no assassinato do ex primeiro‑ministro
Rafiq hariri. «A sua manha, ausência e ignorância provam a sua culpa», disse,
acrescentando incriminatoriamente que sabia quem tinha tentado assassinar
Marwan Hamade, amigo do líder druzo walid Jumblatt, em Outubro passado – sem nomear
nomes. Dalloul também alegou que o governo tinha tomado a decisão de «privar
Hariri de medidas de segurança governamentais uns dias antes do seu
assassinato». Citou um funcionário não identificado como tendo dito que
«Hariri era suficientemente rico para alugar serviços de segurança para si próprio». De facto, Hariri há anos que vinha usando os seus próprios guarda‑costas
cuidadosamente escolhidos. E assim o gotejar de provas sobre o assassinato do
sr. Líbano continua a envenenar a atmosfera política, tal como diminui ainda
mais o que resta do prestígio do presidente Lahoud. Ontem, fora da embaixada norte‑americana em Aukar, alguns milhares de manifestantes libaneses pró‑sírios protestaram contra a política dos EUA no Médio Oriente e a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU que forçou a Síria a iniciar a sua retirada do Líbano. Mas após uma hora, a multidão retirou‑se e Beirute permaneceu pacífica mas sem um governo pelo 29º dia desde o assassinato de Hariri. |