Informação Alternativa

Médio Oriente

16/03/2005

 

O assassinato do Sr. Líbano

continua a envenenar a atmosfera política

 

Robert Fisk

 

Então agora “eles” deixaram Beirute. Na entrada escura do escritório do mukhabarat sírio da rua Sadat, onde durante anos homens armados guardaram o pequeno quartel­‑general suburbano, uma mulher de meia idade estava a lavar o chão e a varrer os rios de água preta para a rua. «Foram­‑se» gritou um velho homem druzo do outro lado da rua. O seus alegres graffiti em louvor do presidente Bashir Assad já tinham sido pintados com spray de tinta preta.

 

No maior quartel dos serviços secretos sírios em Ramlet el-Baida, onde aqueles que entravam frequentemente saíam com hematomas nos seus corpos – apesar de há anos a esta parte ter sido um posto de escuta em vez de um centro de interrogação – a mobília foi empilhada em camiões, as fotografias de Bashir e do seu pai Hafez retiradas. Não houve cerimónia. Como muito da história no Líbano, o que tinha estado aqui durante décadas simplesmente já não estava aqui.

 

Mas outro dos antigos aliados leais da Síria aqui, Mohsen Dalloul, um deputado do Zahle que também foi um ministro da defesa, acusou agora o governo libanês de ser cúmplice no assassinato do ex primeiro­‑ministro Rafiq hariri. «A sua manha, ausência e ignorância provam a sua culpa», disse, acrescentando incriminatoriamente que sabia quem tinha tentado assassinar Marwan Hamade, amigo do líder druzo walid Jumblatt, em Outubro passado – sem nomear nomes.

 

Dalloul também alegou que o governo tinha tomado a decisão de «privar Hariri de medidas de segurança governamentais uns dias antes do seu assassinato». Citou um funcionário não identificado como tendo dito que «Hariri era suficientemente rico para alugar serviços de segurança para si próprio».

 

De facto, Hariri há anos que vinha usando os seus próprios guarda­‑costas cuidadosamente escolhidos. E assim o gotejar de provas sobre o assassinato do sr. Líbano continua a envenenar a atmosfera política, tal como diminui ainda mais o que resta do prestígio do presidente Lahoud.

 

Ontem, fora da embaixada norte­‑americana em Aukar, alguns milhares de manifestantes libaneses pró­‑sírios protestaram contra a política dos EUA no Médio Oriente e a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU que forçou a Síria a iniciar a sua retirada do Líbano. Mas após uma hora, a multidão retirou­‑se e Beirute permaneceu pacífica mas sem um governo pelo 29º dia desde o assassinato de Hariri.