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Informação Alternativa |
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Iraque |
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01/02/2005 O vendaval irrompeu ontem em Bagdade, arrancando os cartazes da eleição
das paredes, enviando redemoinhos de vento em miniatura entre as persianas
das lojas da rua Rashid, dando um novo sentido aos capuzes e máscaras negros
usados pela polícia na praça Tahrir. Tahrir – “Independência” – é uma palavra pela qual muita gente votou
no Domingo, não pela “democracia” como pretendiam os media ocidentais, mas
pela liberdade; liberdade para falar, liberdade para votar, liberdade por
parte dos norte-americanos. Eles estavam também em Bagdade ontem, conduzindo os
seus Humvees através de Karada, dando voltas pela cidade nos seus Apaches e nos
seus pequenos helicópteros Sioux que parecem abelhas. No final da rua Jumhuriya, um esquadrão de polícia em roupa civil
está parado num camião pick-up, as armas apontando para nós, alguns
encapuzados. Ao meio dia, é suposto estar ainda em vigência o toque de
recolher. As casas estão entaipadas, os negócios fechados. É como se, após a
votação, os xiitas estejam à espera do equivalente político de um maremoto
punitivo, com os sunitas apenas dispondo do seu tempo. Na rua Nidhal, encontro um autocarro haj [peregrinação] seguindo
a pista do nosso automóvel. Tem uma bandeira iraquiana na dianteira e o seu
destino, Mecca, escrito com tinta negra grossa sobre uma faixa na frente.
Retidos pelo toque de recolher das eleições, os peregrinos partiam na sua
longa viagem para sul. Contra esta insurgência, esta eleição, o eterno e irremediável optimismo
dos senhores Bush e Blair, o ritual muito mais eterno da fé e da oração
muçulmana prossegue. O meu agente de viagens libanês estava no haj e telefonei‑lhe
de Bagdade para me assegurar que ele estava a salvo em casa – os peregrinos têm
o hábito perturbante de serem esmagados até à morte – e apercebi‑me
imediatamente do que deve ser para os iraquianos, presos no seu país, fazer
uma chamada para o estrangeiro. Uns dias somente na claustrofobia de Bagdade e uma chamada
internacional é como uma garrafa de oxigénio. Sim, disse Ahmed, o tempo em
Beirute está frio, há neve nas montanhas, a senhora da limpeza fechou as
persianas e ele está de regresso do haj em segurança.
Deixa pôr os coletes anti‑balas, digo a mim mesmo. Porque é que esta gente – os britânicos fizeram o mesmo na Irlanda do Norte – convidam a mais ataques? Este é o mesmo Allawi que, desde o seu bunker na “Zona Verde”, instruía o seu povo vulnerável a votar há dois dias. Cada vez mais, sentimos esta vasta, cósmica distância entre o Iraque
real e o Iraque de fantasia de Washington e Londres. Vejo Blair a falar
nervosamente, na sua linguagem corporal à defensiva, com os seu olhos
espirituais, contando-nos como esta eleição foi um estupendo sucesso. Mas optou
por manter em segredo do seu povo o grau da extensão da tragédia do Hércules
da RAF quando falou no Domingo à noite. Então, porque nos devemos surpreender
quando os norte-americanos e os britânicos ainda mantêm em segredo o número
de iraquianos que morrem aqui todos os dias? A meio da manhã, dois automóveis da polícia ultrapassaram‑me, as sereias soando, as kalashnikovs apontando das janelas aos automobilistas, os polícias gritando palavrões a qualquer um que lhes bloqueasse o caminho. Novamente sem motivo. Eles são o mundo real, encapuzados e não identificáveis. Velozes e levantando pó. Como o vento. |