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Informação Alternativa |
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Iraque |
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11/01/2005 Como de costume, tratou-se de um trabalho interno. O general de brigada Amer Ali Nayef, Chefe da polícia de Bagdade, e o seu filho, o tenente de polícia Khaled Amer, iam rumo ao trabalho a bordo de um automóvel civil sem distintivos policiais, com a esperança de passar pelas ruas de Dora sem serem notados. Mas os dois carros cheios de homens armados que se aproximaram por detrás conheciam o automóvel, a sua matrícula e os seus ocupantes. Dispararam continuamente com Kalashnikovs até que o brigadeiro Nayef se encontrava morto ao volante. Actualmente, cada dia nos traz a sinistra evidência de que as forças de segurança iraquianas – supostamente monitoradas por oficiais militares norte‑americanos – foram infiltradas pelos insurgentes. Enquanto Nayef e o seu filho eram mortos a tiro à queima‑roupa, um bombista suicida – e há talvez 10 bombistas suicidas a imolar‑se semanalmente no Iraque – fez‑se explodir a vários quilómetros dali, nas imediações da estação policial de Zafarniyah, em Bagdade, matando quatro polícias e ferindo outros 10. Nesse momento a polícia estava a mudar de turno – como devia saber o bombista, assim aumentando número de vítimas – e o assassino conduzia os seus explosivos num verdadeiro carro da polícia. Na semana passada, homens armados assassinaram o governador de Bagdade, Ali al‑Haidiri, que ia a caminho do seu gabinete tomando uma rota de segurança desenhada previamente. Haidari até tinha uma segunda rota pronta, caso os seus guarda‑costas decidissem mudar o seu trajecto no último momento. Residentes que vivem próximo do local da embuscada relataram que os insurgentes tinham até colocado uma bomba na estrada secundária no caso de Haidari tomar a outra opção. E tudo isto, como o sabem todos os habitantes de Bagdade, é porque o cada vez maior exército de insurgentes em todo o Iraque pretende evitar que se celebrem eleições a 30 de Janeiro. No Ocidente, provavelmente faz sentido: homens dedicados à derrocada de qualquer possível democracia no Iraque querem destruir a primeira eleição livre do país. Para os cidadãos de Bagdade que estão a pagar com as suas vidas o preço do entusiasmo ocidental, pode parecer que a eleição se celebra mais para benefício de agendas políticas estrangeiras – sobretudo as de Blair e Bush – do que pelo bem‑estar dos iraquianos. Como lastimadamente me comentou um iraquiano ontem à tarde: «Bush e Blair não têm que viver aqui nem sofrer as consequências da democracia que eles querem que nós desfrutemos». As tropas norte-americanas – ainda que em números de longe mais pequenos – sim sofrem essas consequências. Ontem, mais dois soldados dos EUA foram mortos quando uma bomba destruiu o seu tanque Abrams em Bagdade – apenas quatro dias depois de outro engenho explosivo matar sete norte-americanos num supostamente impenetrável veículo de combate Bradley. Até agora, os soldados norte‑americanos eram mais vulneráveis nos seus frequentemente delicados veículos Humvees, mas agora os insurgentes estão a ser bem sucedidos em destruir as mais modernas blindagens dos EUA. As bombas – na realidade, grandes quantidades de granadas e explosivos envoltos para criar uma mina terrestre – demonstram com grande clareza que os opositores dos Estados Unidos contam com quantidades enormes, quase ilimitadas, de material explosivo. Uma muito pequena quantidade das munições do antigo exército iraquiano – capturadas por tropas estrangeiras no Iraque desde a invasão de 2003 – explodiu ontem num lixeira a sul de Bagdade, matando sete soldados ucranianos e um membro do pequeno contingente militar do Cazaquistão no Iraque. A suas mortes foram declaradas “acidentais”, apesar de tais “acidentes” frequentemente resultarem ser, segundo investigações, actos da insurgência. E num mundo ao estilo do Vietname, em que as estatísticas são cada vez mais importantes do que a realidade – as próprias cifras nunca podem ser corroboradas – deve registar‑se que o governo “interino” iraquiano nomeado pelos Estados Unidos alegou ontem que 147 «suspeitos» [sic] de insurgência foram capturados nas últimas 24 horas e que entre os seus prisioneiros estavam 335 «estrangeiros», incluindo 56 sírios, 59 sauditas e 61 egípcios. É esta uma história de
sucesso? A eleição é só daqui a 19 dias. |