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07/01/2005 como pode a Síria manter o
Líbano enquanto condena Israel? Nunca antes aconteceu no Líbano. Desde que o exército sírio entrou no país em 1976 – apenas um ano após o inicio da guerra civil que durou 15 anos, a pedido dos cristãos maronitas libaneses – nunca houve um debate público sobre a presença de milhares de soldados sírios aqui, nem sobre a sufocante pressão política que Damasco manteve sobre o governo de Beirute. Mas a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU no ano passado, ordenando a retirada das tropas estrangeiras, e uma política agressiva dos Estados Unidos contra a Síria, trouxeram de repente um clima de ressentimento e debate. Mesmo Walid Jumblatt, líder druso e um dos maiores aliados da Síria, agora diz que o Líbano é o ultimo país satélite do mundo. Os libaneses estão pasmados. Eles sabem que a ronda regional do secretário de estado adjunto neoconservador, Richard Armitage, com as suas exigências de retirada síria e de desarmamento da milícia anti‑israelita Hezbollah, faz parte da agenda de Israel. Uma Síria enfraquecida, juntamente com um Líbano complacente sem quaisquer forças anti‑israelitas na sua fronteira, é quase tão agradável para Washington e os seus amigos israelitas como um Iraque castrado, dominado pelos norte‑americanos. O suposto apoio sírio às forcas insurgentes iraquianas – outra das penas do Sr. Armitage – tem uma ironia especial. Foi a aliança do rebelde libanês general Michel Aoun com Saddan Hussein em 1990, que levou os EUA a apoiarem a Síria na destruição das suas bases e aliados no Líbano. Mas o controle do Líbano pela Síria tornou‑se tão cansativo e tão descarado quanto a dominação Soviética no Pacto de Varsóvia. A bem sucedida tentativa do presidente pró-sírio Emile Lahoud de acrescentar três anos à sua presidência foi demais. Os jornais libaneses, que tinham confinado as suas criticas à Síria a despachos de agências noticiosas escritos na Europa ou na América, subitamente começaram a dedicar os seus editoriais as suspeitas sobre Damasco de uma forma que deve ter chocado a Síria tanto como os seus leitores. «Damasco deve rever as suas políticas sobre o Líbano – imediatamente», exigiu o Daily Star. No dia 13 de Dezembro, o chamado “Fórum Democrático”, que inclui cristãos, grupos de esquerda e o partido druso de Jumblatt, denunciou a interferência «dos serviços de inteligência sírio e libanês que transformaram o Líbano num estado policial». Quase imediatamente, escritórios do Mukhabrat, serviço de inteligência sírio, foram fechados em Beirute e forças sírias nas montanhas acima da cidade foram deslocadas. A presença da Síria nunca foi tão perniciosa quanto a ocupação israelita do sul do Líbano, que terminou em 2000, mas a comunidade cristã maronita – que falhou na oposição às invasões israelitas em 1978 e 1982 – sempre reclamou liderar a oposição do Líbano à tutela síria. As constantes exigências da Síria para que Israel se submeta às resoluções da ONU, principalmente a 242 que ordena a retirada das tropas israelitas de Cisjordânia e Gaza, tornam a corrente crise ainda mais perigosa. Pode a Síria insistir na submissão de Israel às resoluções da ONU enquanto ignora a 1559? Há aqui aqueles que acreditam que o jovem presidente Bashar Assad falhou em perceber quão séria é a reivindicação libanesa, e a resolução da ONU, de retirada da Síria. Os cristãos maronitas suspeitam que o verdadeiro poder sírio no Líbano é exercido pelo chefe do serviço de inteligência militar sírio, o general Rustom Ghazali, e não pelo presidente sírio. Os agentes de inteligência sírios movimentam‑se facilmente entre o um milhão de “trabalhadores convidados” sírios no Líbano, mas os libaneses têm memória longa. O pai de Walid Jumblatt, Kamal, resistiu ao assédio sírio no começo da guerra civil e foi assassinado. O ajudante e amigo pessoal do Sr. Jumblatt, Marwan Hamade, foi o alvo de um carro‑bomba em Novembro passado. Ele sobreviveu, mas o seu guarda‑costas foi morto. A vida política libanesa pode
parecer bizantina, mesmo aborrecida, mas pode ser mortal para os
participantes. |