Informação Alternativa

Portugal

21/04/2007

 

Banco de Portugal abandonou independência e rigor técnico a que está obrigado

e entrou na campanha para baixar salários e liberalizar despedimentos [1]

 

Eugénio Rosa

 

RESUMO DESTE ESTUDO

 

O Banco de Portugal, abandonou a independência e o rigor técnico a que está obrigado, e no seu Boletim Económico – Primavera 2007, entra na campanha de propaganda em curso para baixar ainda mais os salários, liberalizar os despedimentos individuais e reduzir a protecção aos desempregados. Para o Banco de Portugal (BP) a “rigidez salarial” passou a ser um obstáculo que impede que as empresas se adaptem à situação actual; os elevados subsídios de desemprego, bem como a sua excessiva duração (?) são a causa do desemprego; e a insuficiente flexibilidade do mercado do trabalho constitui uma razão para a diminuição do investimento empresarial. Tudo isto, na linha do neoliberalismo puro e duro de importação que domina actualmente o pensamento económico oficial, foi depois multiplicado acriticamente pelos media afectos ao poder económico e político como fosse uma verdade absoluta, numa clara manipulação da opinião pública.

 

Num estudo recente do Banco Central Europeu (BCE), citado numa publicação do Ministério do Trabalho e da Segurança Social editada em 2006, sobre a rigidez salarial, o BCE concluiu precisamente o contrário, ou seja, que «o mercado de trabalho português está entre os menos rígidos da zona euro ao analisar a elasticidade dos salários reais no período de 1994-2001 relativamente à taxa de desemprego (–0,247)». De acordo com o próprio Boletim do Banco de Portugal, os salários reais diminuíram 1% entre 2002 e 2006 (na Administração Pública a quebra foi muito maior). No entanto, Vítor Constâncio considera que é ainda insuficiente, e que a descida devia ser muito maior, e ser nos próprios salários nominais, ou seja, um “choque salarial” que foi defendido em Portugal, em Dezembro de 2006, pelo neoliberal Olivier Blanchard do MIT /USA.

 

Em relação à rigidez do mercado de trabalho português, também criticada pelo BP, a análise da evolução da população activa em situação precária, no período 2001-2006, mostra que a rigidez do mercado de trabalho também não corresponde à verdade. A confirmar isso está o aumento significativo da precariedade em Portugal. Entre 2001 e 2006, a população activa na situação de precariedade aumentou de 35,8% para 38,4% da população activa total, tendo alcançado 2.155.100 no fim do 4º Trimestre de 2006, o que mostra que o mercado de trabalho é flexível à custa da estabilidade do emprego dos trabalhadores.

 

Um dos argumentos mais utilizados para justificar a redução dos direitos aos trabalhadores tem sido a baixa produtividade do trabalho em Portugal. No entanto, fala-se sempre da baixa produtividade do trabalho, mas não se fala da baixa produtividade do capital, que é um dos problemas mais graves que o nosso País enfrenta actualmente, até devido à quebra acentuada do investimento verificada nos últimos 4 anos (–15%). Em relação à produtividade do capital, o silêncio tem sido absoluto. E isto porque, ao falar desta produtividade, tornar­‑se-ia visível, a nível da opinião pública, a responsabilidade dos empresários. Entre 2000 e 2004, segundo o INE, a produtividade do capital diminuiu em Portugal nas empresas com menos de 100 trabalhadores em 36,8% e, nas com 100 ou mais trabalhadores, a quebra atingiu 43,2%. A produtividade do trabalho, embora tenha aumentado pouco (0,6% ao ano), no entanto cresceu sempre.

 

Quando se fazem comparações internacionais sobre produtividade esquece-se de comparar as remunerações, porque, se isso fosse feito, as conclusões já seriam muito diferentes. Por ex., em 2005, de acordo com dados do Eurostat, a produtividade do trabalho média comunitária era superior à portuguesa em 51%, mas o custo da mão­‑de­‑obra médio comunitário era superior ao português em 74%. Pode-se assim dizer que, para aquilo que os trabalhadores portugueses recebem, eles ainda têm uma produtividade superior à média comunitária.

 

A produtividade do trabalho é uma medida parcial, como afirma a própria OCDE, porque nela se reflecte a influência de muitos outros factores (tecnologia, organização da empresa, etc.). A provar isso, está o facto de que num conjunto de 12 empresas pertencentes ao grupo das 500 maiores empresas que existem em Portugal, a produtividade na melhor (Petrogal) é superior em 24 vezes à verificada na última da escala (Yazaki). Fica assim claro que a produtividade do trabalho não depende fundamentalmente do trabalhador, porque se dependesse não se verificariam diferenças tão grandes na produtividade entre empresas que funcionam em Portugal, como sucede.

 

O Banco de Portugal, dirigido pelo socialista Vítor Constâncio, abandonou o rigor técnico e a independência, e entrou abertamente na campanha, ao lado do governo e do patronato, para reduzir ainda mais os salários e para liberalizar os despedimentos individuais. No seu Boletim Económico da Primavera (Abril de 2007), na pág. 36, pode-se ler o seguinte: «a rigidez salarial no mercado de trabalho português, uma das mais elevadas da União Europeia, não facilita o ajustamento das empresas a choques negativos sobre a procura dos seus produtos, especialmente tendo em conta que a legislação laboral dificulta a adaptação do número de trabalhadores à evolução da actividade das empresas». E na pág. 37 acrescenta: «a elevada cobertura financeira do regime de subsídio de desemprego, bem como a significativa duração potencial das suas prestações, estarão igualmente a contribuir para a manutenção de um nível considerável de desemprego de longa duração». E como se tudo isto já não fosse suficiente, ainda escreve, na pág. 42, o seguinte: «O quadro institucional, caracterizado por uma insuficiente flexibilidade nos mercados ... do trabalho, tem igualmente penalizado o investimento empresarial».

 

Assim, para o Banco de Portugal, seria a rigidez salarial, ou seja, a impossibilidade de baixar os salários nominais, porque os reais têm diminuído, a causa da crise das empresas; seria o valor elevado dos subsídios de desemprego e a sua excessiva duração a causa do elevado desemprego existente; e seria finalmente ainda a insuficiente flexibilidade no mercado do trabalho (o mesmo argumento está a ser utilizado pela Comissão da União Europeia na sua campanha da “flexigurança” visando liberalizar os despedimentos individuais) a causa da quebra do investimento. Portanto, causas que coincidem com as apontadas pelo pensamento económico neoliberal para exigir mais desregulamentação, menos protecção para os trabalhadores e desempregados, e mais desigualdades. Estes aspectos das teorias neoliberais mais serôdias e duras foram depois repetidos maciçamente pelos órgãos de informação afectos ao poder económico e político (jornais e TVs), que tiveram o cuidado de eliminar todo o pensamento económico discordante, procurando assim fazer passar e transformar aquelas mentiras neoliberais em verdades absolutas. Desta forma, assistiu-se e assiste-se a uma verdadeira campanha de manipulação da opinião pública alimentada e fomentada pelo próprio Banco de Portugal visando o agravamento das condições de vida dos trabalhadores e dos desempregados.

 

SOBRE A RIGIDEZ DOS SALÁRIOS EM PORTUGAL

 

É interessante e esclarecedor comparar a afirmação do Banco de Portugal sobre a rigidez salarial com uma outra do Banco Central Europeu sobre a mesma matéria. Num estudo publicado pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social, em Novembro de 2006, com o título “Flexibilidade e segurança no mercado de trabalho português”, na pág. 22, pode-se ler o seguinte: «Um estudo recente publicado pelo Banco Central Europeu conclui que o mercado de trabalho português está entre os menos rígidos da zona euro ao analisar a elasticidade dos salários reais no período de 1994-2001 relativamente à taxa de desemprego (–0,247)». E o próprio Ministério do Trabalho conclui: «Tendo em conta que o emprego tem crescido em Portugal ao mesmo tempo que o desemprego, pode ganhar a sustentação uma tese que defende que esse ajustamento pelo preço tem sido obtido, pelo menos em parte, com recurso a movimentos de flexibilidade externa, através da substituição dos trabalhadores por outros dispostos a aceitar salários mais baixos, oriundos do desemprego ou da inactividade» (pág. 23). E isto é em relação aos salários nominais, porque relativamente aos salários reais a situação é ainda mais grave.

 

AUMENTO SIGNFICATIVO DA PRECARIEDADE EM PORTUGAL

 

Contrariamente ao que afirma o Banco de Portugal, a rigidez do mercado do trabalho em Portugal não é elevada. O crescimento rápido da precariedade no nosso País prova isso. O quadro seguinte, construído com dados das Estatísticas do Emprego do INE, mostra o aumento significativo da precariedade em Portugal.

 

QUADRO I – População activa na situação de precariedade em Portugal – Em milhares

RÚBRICAS

4ºTrim.

2001

4ºTrim.

2002

4ºTrim.

2004

4ºTrim.

2006

Variação

4T2006-4T2001

1 – POPULAÇÃO ACTIVA

5.341,0

5.389,0

5.523,6

5.601,4

4,9%

2 – Contratos a prazo

593,4

614,1

566,9

657,0

10,7%

3 – TCP – Isolados (recibos verdes)

945,9

920,4

899,1

880,1

–7,0%

4 – Desemprego oficial

221,8

272,3

389,7

458,6

106,8%

5 – Desemprego corrigido

337,8

401,1

525,3

614,0

81,8%

TOTAL PRECÁRIOS I (2+3+4)

1.761,1

1.806,8

1.855,7

1.995,7

13,3%

TOTAL PRECARIOS II (2+3+5)

1.877,1

1.935,6

1.991,3

2.151,1

14,6%

TOTAL PRECÁRIOS I/POP. ACTIVA

33,0%

33,5%

33,6%

35,6%

 

TOTAL PRECÁRIOS II/POP. ACTIVA

35,1%

35,9%

36,1%

38,4%

 

FONTE: Estatísticas do Emprego – 4º Trimestre de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 – INE

 

Entre 2001 e 2006, a população activa aumentou 4,9%, mas a população activa precária cresceu 14,6%, ou seja, percentualmente 3 vezes mais. Em valor absoluto, a população precária atingia, no fim de 2006, já 2.151.100 portugueses, o que correspondia a 38,4% da população activa total, tendo aumentado 3,3 pontos percentuais entre 2001 e 2006. Afirmar, como faz o Banco de Portugal, que «o quadro institucional caracteriza­‑se por uma insuficiente flexibilidade nos mercados do trabalho» é fechar os olhos e procurar branquear a realidade.

 

O CUSTO DO TRABALHO E A PRODUTIVIDADE DO TRABALHO EM PORTUGAL E NA UE25

 

Para atacar os direitos dos trabalhadores, um dos argumentos mais utilizadas é a baixa produtividade do trabalho em Portugal quando se compara com a média comunitária. No entanto, nestas comparações esquece­‑se sistematicamente de comparar também as remunerações. O quadro seguinte, construído com dados publicados pelo Eurostat, mostra que a realidade é outra quando se compara simultaneamente produtividade do trabalho e custo da mão de obra de Portugal com a média comunitária.

 

QUADRO II – Custo da mão de obra e produtividade do trabalho em Portugal e na U.E. – 2005

PAÍSES

CUSTO MÃO OBRA – PPC

PRODUTIVIDA – PPC

Euros/Mês (12 meses)

PT=100

UE25=100

PT=100

União Europeia (25 países)

3.142,6

174%

100%

151%

ZONA EURO (12 países)

3.413,7

189%

106%

161%

PORTUGAL

1.810,3

100%

66%

100%

Alemanha

3.673,1

203%

103%

155%

Bélgica

3.761,6

208%

129%

195%

França

3.941,5

218%

119%

180%

Finlândia

2.933,5

162%

106%

160%

Holanda

3.802,9

210%

109%

166%

Inglaterra

3.926,1

217%

108%

164%

FONTE: Eurostat

 

Para anular os efeitos da diferença de preços que se verificam entre os diferentes países da União Europeia, utilizou­‑se valores PPC (Paridade Poder de Compra). E depois, tomando como base Portugal (PT=100), os dados do Eurostat mostram que o custo de mão­‑de­‑obra (e tenha-se presente que este não inclui apenas as remunerações, mas sim todos os custos com o trabalho, remunerações e outras despesas); repetindo, tomando como base os valores de Portugal, conclui-se que, em 2005, a produtividade média do trabalho na União Europeia era superior à portuguesa em 51%, mas o custo da mão­‑de­‑obra era maior do que o português em 74%. Idêntica relação se verifica relativamente a outros países também constantes do quadro anterior. Portanto, em conclusão, para o que recebem os trabalhadores portugueses, a produtividade em Portugal até era superior à média comunitária.

 

A DESCIDA SIGNIFICATIVA DA PRODUTIVIDADE DO CAPITAL EM PORTUGAL

 

Na campanha para reduzir salários e liberalizar os despedimentos levada a cabo pelo Banco de Portugal, pela Comissão Europeia com a sua “flexigurança”, pelo governo (recorde-se o Relatório OE2006, onde o governo defende que o aumento da competitividade da economia tem de ser alcançado com a contenção dos salários), e naturalmente também pelo patronato, um dos argumentos mais utilizados é precisamente o da produtividade. E, relativamente a esta, refere-se sempre a produtividade do trabalho, como fosse a única forma de a calcular. E isto porque assim se associa rapidamente aos trabalhadores, criando a falsa ideia de que a baixa produtividade portuguesa se deve exclusivamente a eles, o que não corresponde à verdade. Como consta no Manual da OCDE sobre produtividade, «a produtividade do trabalho é uma medida parcial que reflecte a influência conjunta de um grande número de factores» (pág. 14), nomeadamente tecnologia, organização das empresas, economias de escala, inovação, etc..

 

Nesta campanha de manipulação da opinião publica, a produtividade do trabalho, associando­‑a naturalmente aos trabalhadores, é apresentada como causa de todos os problemas. Em primeiro lugar, interessa ter presente que a produtividade não é uma causa, mas sim uma medida. Obtém-se dividindo o produto obtido pelos recursos utilizados, e não apenas do trabalho. Em segundo lugar, interessa recordar que a produtividade pode ser calculada de diferentes maneiras (para além da produtividade do trabalho, pode-se e deve-se calcular a produtividade do capital, a produtividade multifactorial, a produtividade global). Em terceiro lugar, tão grave ou ainda mais grave em Portugal do que a baixa produtividade do trabalho, é a quebra acentuada que se tem verificado na produtividade do capital.

 

O quadro seguinte, construído com dados divulgados pelo INE, mostra a elevada quebra verificada entre 2000 e 2004 (são os últimos dados disponíveis) em Portugal.

 

QUADRO III – Variação da produtividade do capital em Portugal de

acordo com a dimensão das empresas não financeiras entre 2000 e 2004

 

PRODUTIVIDADE SEGUNDO DIMENSÃO EMPRESAS

ANOS

20-99 pessoas

100 ou + pessoas

 

VAB/CAPITAL FIXO

VAB/CAPITAL FIXO

2000

3,59

5,19

2003

2,80

2,99

2004

2,27

2,95

2004-02

–36,8%

–43,2%

FONTE: Sistema de Contas Integradas das empresas – INE

 

Nos últimos anos, a produtividade do trabalho tem aumentado em Portugal, embora pouco. Em 2005 e em 2006 cresceu anualmente 0,6%. Mas a produtividade do capital, obtida dividindo o VAB pelo valor do capital fixo utilizado (valor dos equipamentos e instalações utilizadas) sofreu uma forte quebra. Assim, entre 2000 e 2004, a produtividade do capital diminuiu, segundo o INE, nas empresas com menos de 100 trabalhadores, 36,8%, e nas com 100 ou mais trabalhadores a quebra na produtividade do capital atingiu 43,2%. São valores muito elevados, mas ninguém fala deles, apesar de terem consequências graves para o País. E isto porque, para obter a mesma quantidade de produto, tem-se de utilizar muito mais capital fixo. Se se tiver presente que a partir de 2002 se tem verificado em Portugal uma forte quebra no investimento (entre 2002 e 2006, a FBCF diminuiu 15%), rapidamente se conclui da gravidade do problema. No entanto, apesar de tudo isto ser grave, não se fala da produtividade do capital. E isto porque, se a evolução da produtividade do capital fosse conhecida, naturalmente a responsabilidade do empresário tornar-se-ia mais evidente para a opinião pública. Ao se falar apenas da produtividade do trabalho, torna-se mais fácil responsabilizar os trabalhadores por ela, ocultando­‑se que ela é originada por muitos outros factores que não são da sua responsabilidade. A provar isso está a grande variação que se verifica na produtividade do trabalho entre as empresas que funcionam no nosso País. O quadro seguinte, onde se encontra calculada a produtividade do trabalho relativa a 12 do grupo 500 maiores empresas a funcionar em Portugal, prova precisamente esse facto.

 

QUADRO IV – Produtividade do trabalho em 12 das 500 maiores

empresas a funcionar em Portugal – Dados referentes a 2005

EMPRESAS

SECTOR

PRODUTIVIDADE

DO TRABALHO – Euros

PETROGAL, S.A.

Distribuição de combustíveis

302.015

EDP DISTRIBUIÇÃO.

Água, electricidade e gás

214.465

SOMAGUE- S.A.

Construção

58.939

CIMPOR

Minerais metálicos e não metálicos

258.908

TABAQUEIRA, S.A.

Agro-indústria

177.648

AMORIM & IRMÃOS, S.A.

Madeira, cortiça e móveis

34.477

YAZAKI

Componenentes eléctricas

12.329

FISIPE

Têxteis

27.201

BETÃO LIZ, S.A.

Minerais metálicos e não metálicos

84.024

LAMEIRINHO

Têxteis

19.211

INTERAVES .

Agro-indústria

23.064

F.RAMADA

Metalomecânica e metalurgia de base

60.481

MAIOR > MENOR

 

24

FONTE: As 500 maiores empresas – Revista Exame – 2006

 

A produtividade do trabalho na Petrogal é 24 vezes superior à que se registava na Yazaki. Mesmo dentro do mesmo sector – têxtil – a produtividade da FISIPE é 40% superior à da Lameirinho. É evidente que esta diferença tão grande na produtividade do trabalho entre as diversas empresas a funcionar em Portugal só poderá ser explicada por factores que nada têm a ver com os trabalhadores. Referem-se fundamente à tecnologia utilizada, à organização da empresa, à liderança, à inovação, ao sector em que se situa, às economias de escala, etc.. Por exemplo, a importância de sectores de actividade de baixa produtividade como são os têxteis e a construção civil, a desindustrialização que se tem verificado em Portugal, assim como a quebra acentuada no investimento contribuem fortemente para a baixa produtividade verificada.

 

Fica assim claro que não é reduzindo os salários ou liberalizando os despedimentos individuais, como defende o Banco de Portugal, que o emprego, o investimento e a produtividade aumentarão em Portugal. O que poderá suceder é precisamente o contrário, ou seja, o aumento do desemprego e a quebra na actividade económica, esta última determinada por uma maior generalização da pobreza e a consequente redução do mercado interno.

 

______

[1] Neste estudo utilizam-se dados da nossa intervenção no seminário sobre “Produtividade” organizado pela Comissão de Trabalho e Segurança Social da Assembleia da República realizado em 17.4.2007.