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Informação Alternativa |
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Portugal |
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16/02/2007 612.300 portugueses estavam
no desemprego no 4º trimestre de 2006, e a taxa de
desemprego corrigida atingiu 10,9% Eugénio
Rosa
Um dos argumentos mais utilizados pelo governo
para convencer os portugueses de que se está a verificar uma recuperação
sustentada da economia, era que o desemprego estaria a diminuir também de uma
forma sustentada. E, para tornar tal argumento mais convincente, alterou a
metodologia de cálculo do desemprego registado nos Centros de Emprego do IEFP
conseguindo, desta forma artificial, apresentar nos últimos meses reduções no
desemprego registado a que os órgãos de informação afectos ao governo deram
sempre grande destaque. Mas os dados que o Instituto Nacional de Estatística
(INE) acabou de publicar, que estão mais próximos da realidade do que os do
IEFP, revelam, por um lado, que o desemprego tem aumentado em Portugal desde
que o governo de Sócrates tomou posse e, por outro lado, ele nunca foi tão
elevado como actualmente. Os dados do INE constantes do quadro seguinte
mostram isso. QUADRO I – Variação do
desemprego oficial e do desemprego corrigido durante o governo
de Sócrates – 2004/2006
Para se poder compreender os dados do quadro anterior,
interessa ter presente que, de acordo com o INE, os “Inactivos Disponíveis”
são pessoas desempregadas que desejam trabalhar e que estão disponíveis para
isso, mas que pelo facto de não terem feito diligências para arranjar emprego
nas últimas 3 semanas anteriores ao inquérito do INE, não são consideradas
nem no número de desempregados nem no cálculo da taxa oficial de desemprego,
embora estejam desempregados. E, entre o 4º Trimestre de 2004 e o 4º
Trimestre de 2006, o seu número cresceu de 72.400 para 85.200, ou seja,
aumentou em 12.800 segundo o INE. Para além dos desempregados de facto anteriores,
existe também o “Subemprego visível”, que também não é considerado nem no
número nem na taxa oficial de desemprego. O “Subemprego visível” inclui todos
aqueles que trabalham menos de 15 horas por semana (“biscates” para
sobreviver), apenas pelo facto de não encontrarem um emprego com horário
completo e apesar de terem declarado que desejam trabalhar mais horas.
Efectivamente, estão numa situação de desemprego de facto, e o seu número
também aumentou, entre o 4º Trimestre de 2004 e o 4º Trimestre de 2006, em
5.300, pois passou de 63.200 para 68.500 segundo o INE. Se somarmos ao número oficial de desempregados,
os “Inactivos Disponíveis” e o “Subemprego visível” obtemos aquilo a que
chamamos desemprego corrigido, que é um número que está muito mais próximo do
desemprego real do que o desemprego oficial divulgado pelos órgãos de
comunicação social. Fazendo os cálculos necessários, obtém-se os
resultados constantes do quadro anterior, que mostram o seguinte: entre o 4º
Trimestre de 2004 e o 4º Trimestre de 2006, o desemprego oficial aumentou de
389.700 para 458.600 , ou seja, cresceu em 68.900, mas o desemprego
corrigido, que inclui os “inactivos disponíveis” e o “subemprego visível”,
aumentou, no mesmo período, segundo o próprio INE, de 525.300 para 612.300,
ou seja, cresceu em 87.000. Por outro lado, a taxa de desemprego oficial
aumentou, entre o 4º Trimestre de 2004 e o 4º Trimestre de 2006, de 7,1% para
8,2%, mas a taxa de desemprego corrigido subiu muito mais, pois passou de
9,5% para 10,9%. DESTRUIÇÃO LÍQUIDA DE EMPREGO NO 4º TRIMESTRE DE
2006 Contrariamente ao que se tinha verificado nos
trimestres anteriores, no 4º Trimestre de 2006 verificou‑se uma
destruição líquida de emprego, ou seja, o número de postos de trabalho no fim
do 4º Trimestre de 2006 era inferior ao número de postos de trabalho
(empregos) existentes no fim do 3º Trimestre de 2006, como revelam também os
dados publicados pelo INE constantes do quadro. QUADRO II – Variação do
emprego em Portugal entre 2004 e 2006
O desemprego podia ter
aumentado apesar do emprego ter crescido. Para isso acontecer bastaria que a
criação de empregos fosse suficiente para absorver uma parte, mas não a
totalidade, daqueles que perderam o emprego mais aqueles que entraram pela
primeira vez no mercado de trabalho. Mas isso não sucedeu, o que é ainda mais
grave, pois o que se verificou foi uma destruição líquida de emprego entre o
3º Trimestre de 2006 e o 4º Trimestre de 2006, pois o número total de postos
de trabalho diminuiu de 5.180.800 para 5.142.800, ou seja, verificou-se uma
redução de 44.500 postos de trabalho no nosso País apenas num trimestre. A
política económica centrada na obsessão do défice está a destruir mais postos
de trabalho do que aqueles que cria. E a situação a nível
de desemprego não é ainda mais grave porque a população activa portuguesa
diminuiu entre o 3º Trimestre de 2006 e o 4º Trimestre de 2006, pois passou
de 5.604.700 para 5.601.400. O EMPREGO MAIS
QUALIFICADO TEM DIMINUÍDO EM PORTUGAL Uma análise mais fina
da evolução do emprego em Portugal durante o governo de Sócrates revela que é
precisamente o emprego mais qualificado que se tem reduzido mais Portugal, o
que contrairia também as afirmações do governo e do pensamento económico de
cariz neoliberal dominante nos media (veja-se artigo de Nicolau dos Santos no
Expresso de 13.1.2007) de que verificou-se «uma mudança na estrutura
produtiva» (perfil produtivo) em Portugal na direcção de produções de mais
elevada tecnologia e conhecimento. O quadro seguinte,
construído com dados publicados pelo INE, revela precisamente o contrário. QUADRO III – Variação do emprego em Portugal durante o governo de Sócrates por níveis de qualificação – 2004/2006
Assim, segundo o INE,
entre o 4º Trimestre de 2004 e o 4º Trimestre de 2006, o número de
trabalhadores empregados com qualificação e escolaridade elevada diminuiu em
18.600, sendo a redução muito significativa no grupo de “quadros superiores
da Administração Pública e empresas”, cuja diminuição atingiu 62.000 postos
de trabalho. Enquanto se verificou esta redução neste grupo, o emprego no
grupo “qualificação e escolaridade média” aumentou em 20.400, e o emprego no
grupo “qualificação de banda estreita e de baixa escolaridade” cresceu em
14.500. A variação do emprego por qualificações parece revelar que o modelo
de crescimento baseado em baixas qualificações e em baixa escolaridade
está-se a perpetuar em Portugal. A EXCLUSÃO SOCIAL
CONTINUA A AUMENTAR EM PORTUGAL Como revelam os dados
do INE sobre a duração do desemprego em Portugal, constantes do quadro
seguinte, o desemprego de longa duração (12 meses e mais), que está associado
a uma crescente exclusão social, continua a aumentar em Portugal. QUANDO IV – Variação do desemprego por duração em Portugal durante o governo de Sócrates – 2004/2006
Entre o 4º Trimestre de
2004 e o 4º Trimestre de 2006, o desemprego oficial total aumentou 17,3%, mas
o desemprego de longa duração (aquele com a duração de 12 ou mais meses )
cresceu 28,9%. E esse aumento tem sido contínuo, como mostram os dados do
quadro. Como consequência, no 4º Trimestre de 2004, o desemprego de longa
duração representava 46,9% do desemprego total e, no 4º Trimestre de 2006, já
correspondia a 51,6% do desemprego oficial total. |
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