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25/11/2006
O desemprego corrigido
continua a aumentar com o governo do PS
Eugénio
Rosa
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RESUMO DESTE ESTUDO
Contrariamente àquilo que o governo e mesmo a maioria
dos órgãos de comunicação social têm afirmado, o desemprego não está a
diminuir em Portugal. É certo que os dados oficiais sobre o desemprego
revelam uma redução, embora pequena (menos 12,9 mil desempregados entre o
3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2006), mas estes dados não dão uma
ideia completa da dimensão do desemprego no nosso País, já que não incluem,
pelo menos, dois grupos de desempregados de facto – “Inactivos Disponíveis”
e “Subemprego Visível” – que têm um peso cada vez maior no nosso País. Se
calcularmos aquilo a que chamamos o desemprego corrigido, com base em dados
também publicados pelo INE, e que está muito mais próximo do desemprego
real, concluímos que o desemprego continua a aumentar em Portugal. O
desemprego corrigido passou de 548,9 mil no 1º Trimestre de 2005 (fim do
governo de Santana de Lopes), para 566,6 mil no 3º Trimestre de 2005, e
para 571,5 mil no 3º Trimestre de 2006. Assim, entre o 1º Trimestre de 2005
(fim dos governos PSD/CDS) e o 3º Trimestre de 2006 (pleno governo de
Sócrates), o desemprego corrigido aumentou em 22,6 mil, tendo crescido no
último trimestre em 4,9 mil.
Se analisarmos a variação da taxa de desemprego
oficial e da taxa de desemprego corrigido observamos a mesma evolução.
Assim, a taxa de desemprego oficial diminuiu de 7,7% para 7,4% entre o 3º
Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2006, mas a taxa de desemprego
corrigido manteve-se constante no mesmo período – 10,2% – apesar da
população activa, que é base de cálculo da taxa desemprego, ter aumentado
em 44,8 mil.
Os dados referentes ao desemprego oficial e ao
desemprego corrigido revelam um fenómeno preocupante em Portugal, que é o
seguinte: um número crescente de portugueses está a deixar de procurar
emprego (90,2 mil no 3º Trimestre de 2006), entrando muitos deles na
categoria de “desencorajados” (pensam que já não vale a pena procurar
emprego porque o não conseguem arranjar), caminhando desta forma
rapidamente para a exclusão social total, e que, pelo facto de não
procurarem emprego nas 3 semanas anteriores ao inquérito do INE, não são
considerados no cálculo do desemprego oficial. O mesmo sucede com o
“subemprego visível”, que são portugueses que querem trabalhar, que fazem
biscates para sobreviver, mas que não conseguem arranjar um emprego, e que
também não são considerados no cálculo do desemprego oficial (64,3 mil no
3º Trimestre de 2006).
Outro fenómeno que
se está a observar em Portugal é que, contrariamente ao que sucedeu no
período anterior, está-se a verificar actualmente uma destruição de postos
de trabalho no grupo de “Trabalhadores de escolaridade mais elevada” e uma
criação de postos de trabalho no grupo de “Trabalhadores de baixa
escolaridade e de qualificação profissional de banda estreita”. Assim,
entre o 3º Trimestre de 2002 e o 3º Trimestre de 2004 verificou-se um
crescimento de 239,9 mil postos de trabalho no 1º grupo e uma destruição de
266,3 mil postos de trabalho no 2º grupo, enquanto no período 3º Trimestre
2004/3º Trimestre de 2006 registou-se precisamente o contrario, pois no 1º
grupo, o mais qualificado, verificou-se uma destruição de 23,9 mil,
enquanto no 2º grupo, o menos qualificado, observou-se um crescimento de
50,8 postos de trabalho. A destruição de postos de trabalho no grupo de “Trabalhadores
com maior escolaridade e de qualificação mais elevada” que se está a
verificar neste momento em Portugal poderá dificultar a mudança de perfil
da nossa economia que é urgente, e levar à manutenção do modelo de
crescimento baseado em baixas qualificações e baixos salários. Esta
evolução é confirmada também pelo facto de que entre o 3º Trimestre de 2005
e o 3º Trimestre de 2006, segundo o INE, a percentagem de desempregados com
o ensino básico ou menos ter diminuído de 71,1% do total para 70,1% (passou
de 305 mil para 292,8 mil ), enquanto a percentagem de desempregados com o
ensino secundário e superior ter aumentado de 28,9% do total do desemprego
oficial para 29,9% (em número passou de 124,1 mil para 124,6 mil).
Interessa ainda referir que o reduzido
crescimento do emprego em Portugal está-se a fazer fundamentalmente à custa
de mais trabalho precário já que, entre o 3º Trimestre de 2004 e o 3º
Trimestre de 2006, os contratos sem termo aumentaram em 52,5 mil, enquanto
os contratos a prazo cresceram em 105,9 mil, portanto o dobro dos
primeiros. Como consequência, a taxa de precariedade aumentou de 29,4% para
30,2%.
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O Instituto Nacional de Estatística (INE) acabou
de publicar os dados do desemprego referentes ao 3º Trimestre de 2006. E o
que rapidamente se conclui é que, contrariamente àquilo que o governo e os
media têm afirmado, embora o desemprego oficial tenha diminuído, o desemprego
corrigido, que está muito mais próximo do desemprego real, continuou a
aumentar em Portugal, como mostram os dados do INE constantes do quadro
seguinte.
QUADRO I – Variação do
desemprego oficial e do desemprego
corrigido entre o 3º
Trimestre de 2004 e o 3º Trimestre de 2006
|
DESIGNAÇÃO
|
GOVERNO PSD/CDS
|
GOVERNO PS
|
VARIAÇÃO - Mil
|
|
3º T
2002
|
3º T
2004
|
1º T
2005
|
3º T
2005
|
3º T
2006
|
3T2004/
3T2002
|
3T2006/
3T2005
|
3T2006/
3T2004
|
|
1 – ACTIVOS – Mil
|
5.405,7
|
5.501,3
|
5.507,0
|
5.559,9
|
5.604,7
|
95,6
|
44,8
|
103,4
|
|
2 – DESEMPREGO
OFICIAL – Mil
|
276,1
|
375,9
|
412,6
|
429,9
|
417,0
|
99,8
|
–12,9
|
41,1
|
|
3 – Inactivos Disponíveis –
Mil
|
83,2
|
80,3
|
74,9
|
78,6
|
90,2
|
–2,9
|
11,6
|
9,9
|
|
4 – Subemprego visível –
Mil
|
42,3
|
60,3
|
61,4
|
58,1
|
64,3
|
18,0
|
6,2
|
4,0
|
|
5 – DESEMPREGO
CORRIGIDO – Mil = (2+3+4)
|
401,6
|
516,5
|
548,9
|
566,6
|
571,5
|
114,9
|
4,9
|
55,0
|
|
6 – TAXA OFICIAL DE
DESEMPREGO = (2:1)
|
5,1%
|
6,8%
|
7,5%
|
7,7%
|
7,4%
|
|
|
|
|
7 – TAXA CORRIGIDA DE
DESEMPREGO = (5:1)
|
7,4%
|
9,4%
|
10,0%
|
10,2%
|
10,2%
|
|
|
|
|
FONTE:
Estatísticas Emprego: 3º Trimestre de 2002, 3º Trimestre de 2004 e 3º
Trimestre de 2006 – INE
|
Para se poder compreender os dados do quadro
anterior, interessa ter presentes as seguintes definições de “Inactivos Disponíveis”
e “Subemprego visível” do Instituto Nacional de Estatística.
Assim, segundo o INE, os “Inactivos Disponíveis”,
que constam do quadro anterior, são pessoas desempregadas, que não tinham
trabalho remunerado nem qualquer outro, que pretendiam trabalhar, que estavam
disponíveis para trabalhar, mas que pelo facto de não terem feito diligências
para arranjar emprego nas últimas 3 semanas anteriores ao inquérito do INE,
não são consideradas nem no número oficial de desempregados nem no cálculo da
taxa oficial de desemprego, embora estejam desempregados; portanto, são
desempregados de facto, embora não sejam considerados nos números oficiais de
desemprego.
O “Subemprego visível”, constante também do quadro,
que também não é considerado nem no número nem na taxa oficial de desemprego,
inclui todos aqueles que trabalham menos de 15 horas por semana (“biscates”
para sobreviver), apenas pelo facto de não encontrarem um emprego com horário
completo, apesar de terem declarado que desejam trabalhar mais horas;
portanto, também são desempregados de facto, embora também não sejam
considerados nos números oficiais de desemprego.
Se somarmos ao número oficial de desempregados,
os “Inactivos Disponíveis” e o “Subemprego visível” obtemos aquilo a que
chamamos desemprego corrigido, que é um número que está muito mais próximo do
desemprego real do que os números do desemprego oficial divulgados pelos
órgãos de comunicação social, e utilizados pelo governo na sua campanha
visando criar uma imagem sua favorável na opinião pública.
Fazendo os cálculos necessários obtém-se os
resultados constantes do quadro anterior, que mostram o seguinte: (1) O
desemprego oficial tem variado da seguinte forma: (a) 3º Trimestre de 2002
(início do governo do PSD/CDS): 276,1 mil; (b) 3º Trimestre de 2004: 375,9
mil; (c) 1º Trimestre de 2005 (fim do governo de Santana Lopes e início do
governo de Sócrates): 412,6 mil; 3º Trimestre de 2005: 429,6 mil; (d) 3º
Trimestre de 2006: 417 mil; portanto, o desemprego oficial cresceu durante os
governos do PSD, e diminuiu no 3º Trimestre de 2006; (2) Desemprego
corrigido, que é um valor de desemprego que está muito mais próximo do
desemprego real teve a seguinte variação: (a) 3º Trimestre de 2002: 401,6
mil; (b) 3º Trimestre de 2004: 516,6 mil; (c) 1º Trimestre de 2005: 548,9
mil; (d) 3º Trimestre de 2005: 566,6 mil; (e) 3º Trimestre de 2006: 571,5
mil.
Analisando-se a evolução do desemprego oficial,
cujos valores são utilizados pelo governo na sua campanha mediática, e do
desemprego corrigido, cujos valores estão muito mais próximos do real,
conclui-se que, enquanto o desemprego oficial diminuiu no 3º Trimestre de
2006, o mesmo não sucedeu com o desemprego corrigido, que cresceu, e de uma
forma acentuada, se considerarmos todo o período de governo Sócrates.
Entre o 3º Trimestre de 2002 e o 1º Trimestre de
2005, ou seja, durante os governos do PSD/PP, o desemprego oficial cresceu em
136,5 mil e o desemprego corrigido aumentou em 147,3 mil. Entre o 1º Trimestre
de 2005 e o 3º Trimestre de 2006, já de governo Sócrates, o desemprego
oficial aumentou em 4,4 mil (entre o 3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de
2006 diminuiu em 12,9 mil), mas o desemprego corrigido cresceu em 22,6 mil
(entre o 3º Trim. 2005 e o 3º Trim. 2006 aumentou em 4,9 mil).
Os dados revelam que a redução do desemprego
oficial em Portugal em 2006 tem sido mais do que compensada pelo aumento dos
que, embora sendo desempregados de facto (Inactivos Disponíveis; Subemprego
visível), não são considerados nos números oficiais de desemprego.
O EMPREGO NAS PROFISSÕES DE QUALIFICAÇÃO MAIS ELEVADA ESTÁ A
DIMINUIR, ENQUANTO O EMPREGO DE MENOR QUALIFICAÇÃO AUMENTA
A análise do emprego por profissões em Portugal,
no período 3T2002/3T2006, revela duas tendências opostas bem claras nos dados
do INE constantes do quadro seguinte.
QUADRO II – Variação do
emprego em Portugal por profissões – 2002/2006
|
|
EMPREGO
NO FIM DE CADA TRIMESTRE
|
VARIAÇÃO
|
VARIAÇÃO EM %
|
|
PROFISSÃO
|
3º Trim.
2002
|
3º
Trim.
2004
|
3º Trim.
2005
|
3º Trim.
2006
|
3T2004/
3T2002
|
3T2006/
3T2004
|
PSD/CDS
3T04/3T02
|
PS
3T06/3T04
|
|
|
Em
milhares
|
Em milhares
|
EM
PERCENTAGEM
|
|
Quadros superiores da Ad. Pública, dirigentes e quadros superiores de
empresas
|
367,3
|
454,7
|
450,1
|
397,3
|
87,4
|
–57,4
|
23,8%
|
–12,6%
|
|
Especialistas das profissões intelectuais e
científicas
|
333,6
|
430,6
|
436,7
|
447,1
|
97
|
16,5
|
29,1%
|
3,8%
|
|
Técnicos e profissionais de nível intermédio
|
366,2
|
421,4
|
441
|
439
|
55,2
|
17,6
|
15,1%
|
4,2%
|
|
TRABALHADORES DE
ESCOLARIDADE E QUALIFICAÇÃO ELEVADA
|
1.067,10
|
1.306,70
|
1.327,80
|
1.283,40
|
239,6
|
–23,3
|
22,5%
|
-1,8%
|
|
Pessoal administrativo e similares
|
481,5
|
518,1
|
505,1
|
495,3
|
36,6
|
–22,8
|
7,6%
|
–4,4%
|
|
Pes. dos serviços e vendedores
|
707,9
|
685
|
715,7
|
749,8
|
–22,9
|
64,8
|
–3,2%
|
9,5%
|
|
TRABALHADORES DE ESCOLARIDADE E QUALIFICAÇÃO
MÉDIA
|
1.189,40
|
1.203,10
|
1.220,80
|
1.245,10
|
13,7
|
42
|
1,2%
|
3,5%
|
|
Agricultores e trabalhadores qualificados
agricultura e pescas
|
579,4
|
564,5
|
569,2
|
568,2
|
–14,9
|
3,7
|
–2,6%
|
0,7%
|
|
Operários, artífices e trabalhadores similares
|
1.095,90
|
958,8
|
963,2
|
1.025,10
|
–137,1
|
66,3
|
–12,5%
|
6,9%
|
|
Operadores de instalações e máquinas e
trabalhadores montagem
|
444,3
|
421,5
|
406,7
|
409,9
|
–22,8
|
–11,6
|
–5,1%
|
–2,8%
|
|
Trabalhadores não qualificados
|
725,4
|
633,9
|
616,1
|
626,3
|
–91,5
|
–7,6
|
–12,6%
|
–1,2%
|
|
TRABALHADORES DE BAIXA ESCOLARIDADE E DE
QUALIFICAÇÃO BANDA ESTREITA
|
2.845,00
|
2.578,70
|
| |