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20/05/2006 No 1º trimestre de 2006,
575.200 portugueses estavam no desemprego, verificou-se destruição líquida de
emprego e o desemprego de longa duração aumentou 16% Eugénio
Rosa
O Instituto Nacional
de Emprego (INE) acabou de publicar os dados do desemprego referentes ao 1º
Trimestre de 2006. O que efectivamente aconteceu foi que o desemprego oficial
diminuiu, mas essa redução foi em grande parte compensada pelo aumento dos
“inactivos disponíveis” e pelo crescimento do chamado “subemprego visível”, que
são desempregados de facto, mantendo-se assim a taxa de desemprego corrigida,
que está mais próxima do desemprego real do que a taxa de desemprego oficial,
como mostram os dados publicados também pelo INE constantes do quadro seguinte. QUADRO I –
Variação do desemprego oficial e do desemprego corrigido no 1º Trimestre de 2006
De acordo com o INE, os “Inactivos Disponíveis”,
que constam do quadro anterior, são pessoas desempregadas, que desejam
trabalhar e que estão disponíveis para isso, mas que pelo facto de não terem
feito diligências para arranjar emprego nas últimas 4 semanas anteriores ao
inquérito do INE, não são consideradas nem no número de desempregados nem no
cálculo da taxa oficial de desemprego, embora estejam desempregadas. E entre
o 4º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2006 o seu número passou de 72.500
para 79.900, ou seja, aumentou em 7.400 segundo o INE. Para além dos desempregados anteriores, existe
também o “Subemprego visível”, constante também do quadro, que também não é
considerado nem no número nem na taxa oficial de desemprego. O “Subemprego
visível” inclui todos aqueles que trabalham menos de 15 horas por semana
(“biscates” para sobreviver), apenas pelo facto de não encontrarem um emprego
com horário completo, apesar de terem declarado que desejam trabalhar mais
horas. Efectivamente, estão numa situação de desemprego de facto, e o seu
número também aumentou, entre o 4º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2006,
em 6.000 pois passou de 59.600 para 65.600 segundo o INE. Se somarmos ao número oficial de desempregados,
os “Inactivos Disponíveis” e o “Subemprego visível” obtemos aquilo a que
chamamos desemprego corrigido, que é um número que está muito mais próximo do
desemprego real do que o desemprego oficial divulgado pelos órgãos de
comunicação social. Fazendo os cálculos necessários obtém-se os
resultados constantes do quadro anterior, que mostram o seguinte: Entre o 4º
Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2006, o desemprego oficial diminuiu de
447.300 para 429.700, ou seja, baixou em 17.600. No entanto, o desemprego
corrigido que inclui os “inactivos disponíveis” e o “subemprego visível”
passou, segundo o próprio INE, de 579.400 para 575.200, ou seja, baixou
apenas em 4.200. Por outro lado, embora a taxa de desemprego
oficial tenha baixado, entre o 4º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2006,
de 8% para 7,7%, no entanto a taxa de desemprego corrigida no 1º Trimestre de
2006 atingiu 10,4%, ou seja, o mesmo valor que o registado no 4º Trimestre de
2005, como mostram também os dados do quadro I. DESTRUIÇÃO LÍQUIDA DE EMPREGO NO 1º TRIMESTRE DE
2006 Contrariamente ao que se tinha verificado nos
trimestres anteriores constantes do quadro seguinte, no 1º Trimestre de 2006
verificou‑se uma diminuição líquida de emprego, ou seja, o número de
empregados no fim do 1º Trimestre de 2006 era inferior ao número de
empregados existentes no fim do 4º Trimestre de 2005, como revelam também os
dados publicados pelo INE constantes do quadro II. QUADRO
II – População empregada repartida por grupos profissionais – 2001/2006
Assim, entre o 4º Trimestre de 2001 e o 4º
Trimestre de 2005, a população empregada aumentou em 127.100, pois passou de
5.006.900 para 5.134.000. No entanto, no 1º Trimestre de 2006 diminuiu em
7.200 pois passou, entre o 4º Trimestre de 2005 e 1º Trimestre de 2006, de
5.134.000 para 5.126.500. Por outro lado, entre o 4º Trimestre de 2001 e o 4º
Trimestre de 2005, o emprego de “trabalhadores de escolaridade e qualificação
elevada”, que inclui os quadros superiores e dirigentes da Administração
Pública e de empresas, os especialistas das profissões intelectuais e científicas,
e os técnicos e profissionais de nível intermédio, tinha aumentado em 262.800,
pois passaram de 1.061.600 para 1.324.100. No entanto, no 1º Trimestre de
2006 o emprego destes grupos profissionais vital para a modernização e desenvolvimento
do País reduziu-se em 33.200 pois, entre o 4º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre
de 2006, passou de 1.324.400 para 1.291.200. O emprego que cresceu no 1º
Trimestre de 2006 foi o dos “trabalhadores de escolaridade e qualificação
média” (+14.200 postos de trabalho) e o dos “Trabalhadores de baixa
escolaridade e qualificação de banda estreita” (+14.600 postos de trabalho). DESEMPREGO DE LONGA DURAÇÃO CRESCEU 16% NO 1º
TRIMESTRE DE 2006 Embora o desemprego oficial tenha diminuído, o
desemprego de longa duração continuou a crescer no 1º Trimestre de 2006, e a
um ritmo significativo, como mostram os dados do INE constantes do quadro. QUADRO
III – Número de desempregados de acordo com a duração do desemprego
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