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Informação Alternativa |
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Portugal |
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10/07/2005 A DEFICIENTE QUALIDADE DO
INVESTIMENTO EM PORTUGAL: uma das causas estruturais
da falta de competitividade da Economia Portuguesa e da
estagnação económica Eugénio Rosa
Como mostrámos no
estudo anterior, a taxa de crescimento da Economia Portuguesa é cerca de
metade da taxa de crescimento da União Europeia, e a da União Europeia é
cerca de metade da taxa de crescimento da Economia Mundial. É este o problema mais
grave que União Europeia e Portugal enfrentam neste momento e não é o do
défice orçamental como se pretende fazer crer. É evidente que enquanto se
persistir numa política económica como é aquela que tem sido seguida –
apreciação do euro que torna as exportações da U.E. cada vez mais caras para
os outros países; a obsessão do défice que limita o investimento produtivo e
o na inovação; agravamento da injustiça social; liberalização selvagem que
destrói o tecido produtivo nomeadamente dos países com economias mais
frágeis, como é a portuguesa; deslocalizações de empresas que aumentam ainda
mais o desemprego, etc. – não é previsível que o baixo crescimento das
economias de Portugal e da União Europeia se altere significativamente. TAXA DE ESFORÇO ELEVADA, MAS INVESTIMENTO
POR HABITANTE BAIXO Como se sabe, o
crescimento económico de um país está, em principio, dependente da Formação
Bruta de Capital Fixo, ou seja, do volume de investimento realizado por esse
país. E dizemos em princípio porque, para além do volume, também é importante
a qualidade desse investimento. Os dados do Eurostat constantes do quadro
seguinte permitem comparar quer em percentagem do PIB quer em euros por
habitante o investimento realizado em Portugal e nos outros países da União
Europeia. QUADRO
I – O investimento realizado em Portugal e na União Europeia – 2004
Em 2004, de acordo com o Eurostat, o investimento
total (FBCF) realizado em Portugal representou 22,6% do PIB, ou seja, da
riqueza total criada no nosso País, enquanto na União Europeia representou,
em média, entre 19,6% do PIB (UE25) e 19,4% do PIB (UE15). Portanto, a taxa
de esforço, medida pela percentagem que a FBCF representa em relação ao PIB,
foi, em Portugal, superior à média da União Europeia. No entanto, se se analisar o valor do
investimento em euros realizado por habitante (este valor obtém-se dividindo
o investimento total realizado num país pelo número dos seus habitantes), que
consta também do quadro anterior, concluiu-se que foi precisamente em
Portugal que esse indicador atingiu o seu valor mais baixo. Efectivamente, o valor do investimento em euros
alcançou, em 2004, em Portugal apenas 2.954 euros por habitante, enquanto a
média na UE25 (25 países) foi de 4.396 euros por habitante (+48,8% do que em
Portugal) e na UE15 (15 países) atingiu 4.975 euros por habitante (+68,4% do
que em Portugal). Mesmo em três países, o investimento por
habitante ultrapassou em mais do dobro o registado em Portugal: Irlanda:
+198,8%; Luxemburgo: +241,8%; e na Dinamarca: +140,8% por habitante do que em
Portugal. Em resumo, em euros por habitante o valor do
investimento realizado em Portugal continua a ser um dos mais baixos de toda
a União Europeia. É evidente que seria necessário, para compensar o
baixo investimento por habitante que se verifica em Portugal, que todo o
investimento realizado ou, pelo menos, a maior parte fosse investimento de
qualidade, ou seja, que contribuísse efectivamente para o aumento da
produtividade e da competitividade da Economia Portuguesa e para o
desenvolvimento social. No entanto, isso não acontece. A MAIORIA DO INVESTIMENTO EM PORTUGAL CONTRIBUI
POUCO PARA O AUMENTO DA PRODUÇÃO DE BENS EXPORTÁVEIS OU PARA SUBSTITUIR
IMPORTAÇÕES Como mostram os dados do quadro seguinte, mais de
metade do investimento realizado em Portugal tem sido na “Construção”. QUADRO II – Investimento (FBCF) Total
realizado em Portugal e parte investida na Construção
No período
compreendido entre 1995 e 2003, o investimento total realizado no País representou
em média 25,4% do PIB, ou seja, de toda a riqueza criada no País mas, em
média, 51,8% desse investimento foi realizado na “Construção”, ou seja, tem
dominado a chamada “política do betão”. Uma parcela importante
do investimento realizado na “Construção” é em “Habitação”. Em Portugal,
investe-se, em média, na habitação o correspondente a 8% do PIB quando a
média na União Europeia é apenas 2%. No nosso País o investimento na
habitação é quatro vezes superior à média da União Europeia. É por essa razão
que existe em Portugal já mais casas do que famílias e continua-se a
construir de uma forma febril pois o imobiliário é um sector de lucro elevado
e rápido, que foge facilmente ao pagamento de impostos. O próprio sistema
bancário, orientado pela lógica do lucro, e não pelos interesses do País, tem
fomentado, não olhando a meios, o crédito para a construção, provocando uma
distorção grave na aplicação dos escassos recursos nacionais. O investimento na
“Construção” não tem um reflexo directo, imediato e elevado no aumento da
produtividade e da competitividade das empresas, nem produz bens que possam
ser vendidos no mercado externo nem substituir produtos importados. Para além
disso, a construção em Portugal está normalmente associada a trabalho pouco
qualificado, mesmo ilegal, e mal pago apesar dos elevados lucros que dá aos
construtores, portanto é um sector de baixa produtividade. É evidente que o investimento
de um país em que mais de metade é realizado na “Construção” tem de se
traduzir naturalmente por baixos ritmos de aumento da produtividade e de
competitividade, e baixo crescimento económico, como está a suceder em
Portugal. É também evidente que enquanto esta situação persistir as empresas
portuguesas terão cada vez maiores dificuldades em enfrentar a concorrência
externa, e será muito difícil, para não dizer mesmo impossível, ao País sair
do estado de atraso em que se encontra. PORTUGAL VENDE CADA
VEZ MENOS NO ESTRANGEIRO E OS ESTRANGEIROS VENDEM CADA VEZ MAIS EM PORTUGAL Os últimos dados do
INE referentes ao comercio internacional constantes do quadro seguinte
mostram a crescente falta de competitividade das empresas portuguesas quer
nos mercados externos quer no mercado interno. QUADRO
III – Comércio Internacional de Portugal (inclui
o comércio com a União Europeia
mais o realizado com países que não pertencentes à União Europeia)
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