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Informação Alternativa |
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Portugal |
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05/06/2005 10% da população activa
está desempregada em Portugal e verificou‑se destruição líquida de
emprego no 1º trimestre de 2005 Eugénio Rosa
O problema mais grave que o País enfrenta neste
momento não é o problema do défice orçamental como se pretende fazer crer,
mas sim o problema do desemprego que está a lançar no desespero e numa
crescente exclusão social milhares de famílias portuguesas. E também
contrariamente ao que se pretende fazer, não é uma política dominada pela
obsessão do défice, como é aquela que este governo, na continuação do
anterior, está a desenvolver que criará as condições para resolver o problema
do desemprego. Muito pelo contrário, esta política só levará a mais
desemprego, e desemprego estrutural, ou seja, de longa duração, excluindo
definitivamente muitos trabalhadores do mercado do trabalho. A análise atenta dos dados publicados pelo
Instituto Nacional de Estatística referentes ao 1º trimestre de 2005, mostra
que, pela primeira vez em Portugal, a taxa corrigida de desemprego, uma taxa
mais real calculada com dados publicados também pelo INE, atingiu 10%, ou
seja, os dois dígitos, e que pela 1ª vez, comparando com os dados do emprego
em 2004 e mesmo em 2003, verificou-se em Portugal uma destruição líquida de
emprego. A TAXA DE DESEMPREGO EM PORTUGAL ALCANÇA, PELA
PRIMEIRA VEZ, 10%, OU SEJA, OS DOIS DIGITOS O quadro seguinte, construído com dados
publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, permite conhecer a
evolução da taxa oficial de desemprego e da taxa corrigida de desemprego, uma
taxa mais próxima da real, em Portugal. QUADRO I – Evolução do
desemprego oficial e do desemprego corrigido em Portugal
De acordo com o INE, os “Inactivos Disponíveis”, que
constam do quadro anterior, são pessoas desempregadas, que desejam trabalhar
e que estão disponíveis para isso, mas que pelo facto de não terem feito
diligências para arranjar emprego nas últimas 4 semanas anteriores ao
inquérito do INE, apesar de estarem desempregadas, não são consideradas no
cálculo da taxa oficial de desemprego. E o “Subemprego visível”, também
constante do quadro, inclui aqueles que trabalham menos de 15 horas por
semana, apenas pelo facto de não encontrarem um emprego com horário completo,
apesar de terem declarado que desejam trabalhar mais horas, mas que também
não são consideradas no cálculo da taxa oficial de desemprego. Entre o 1º Trimestre de 2001 e o 1º trimestre de
2005, os dados do quadro anterior mostram um crescimento contínuo tanto do
desemprego oficial como do desemprego corrigido, que é aquele que se obtém
somando ao desemprego oficial os dois grupos referidos anteriormente –
Inactivos Disponíveis e Subemprego visível –, que são na pratica
desempregados mas que não são considerados oficialmente como desempregados. No 1º trimestre de 2005, o desemprego oficial
atingiu os 412.600, mas quando somamos os dois grupos referidos anteriormente
– Inactivos Disponíveis e Subemprego visível – o número de desempregados sobe
para 548.900. E a taxa de desemprego oficial que era de 7,5% da população
activa, passa para 10%, que é a taxa que chamamos “taxa de desemprego
corrigida”, atingindo, pela primeira vez em Portugal, os dois dígitos. A continuação do crescimento rápido do desemprego
mesmo com o governo do PS evidencia que, apesar de todas as promessas, a
situação continua a agravar-se numa área fundamental para os portugueses,
mostrando que as medidas que foram anunciadas ou tomadas não estão a
contribuir para inverter a situação ou, pelo menos, para reduzir o ritmo de
crescimento do desemprego; pelo contrário, até parece que têm tendência para
agravar a situação. DESTRUIÇÃO LÍQUIDA DE EMPREGO NO 1º TRIMESTRE DE
2005 Os dados do quadro seguinte, que são também dados
do INE, revelam um fenómeno novo e preocupante em Portugal, a saber: a
diminuição líquida do emprego. QUADRO II – Evolução do
emprego total em Portugal e destruição líquida de emprego
Os dados do quadro anterior mostram que entre o
4º Trimestre de 2003 e o 4º Trimestre de 2004 se verificou em Portugal um
crescimento contínuo do emprego, pois a população total empregada aumentou,
entre o 4º Trimestre de 2003 e o 4º Trimestre de 2004, de 5.057.600 para
5.133.900, ou seja, mais 76.400 postos de trabalho. O desemprego estava a
aumentar, porque o número de postos criados não eram suficientes para dar
emprego àqueles que apareciam de novo no mercado de trabalho. No 1º trimestre de 2005, para além da situação
referida anteriormente, aparece uma situação nova e preocupante: regista-se
uma diminuição do emprego, ou seja, uma destruição líquida de emprego, entre
o 4º trimestre de 2004 e o 1º trimestre de 2005, pois a população total
empregada passou de 5.133.900 para 5.094.400, ou seja, uma redução de 39.500
postos de trabalho. E isto quando o governo PS prometeu a criação líquida de
mais 150.000 postos de trabalho. A DESTRUIÇÃO DE EMPREGO ATINGE JÁ AS PROFISSÕES
MAIS QUALIFICADAS O quadro seguinte, construído também com dados
publicados pelo INE, mostra a evolução da população empregada, no período
compreendido entre o 4º Trimestre de 2004 e o 1º Trimestre de 2005, por
profissões. QUADRO III – População
empregada por profissões segundo o INE
Os dados anteriores confirmam o crescimento
líquido de emprego entre o 4º Trimestre de 2003 e o 4º Trimestre de 2004
(+14.200 postos de trabalho) e a diminuição líquida de emprego entre o 4º
trimestre de 2004 e o 1º Trimestre de 2005 (–31.600 postos de trabalho), o
que contraria as promessas do governo. Os dados do INE revelam também que a destruição
de emprego está a atingir não apenas as profissões de “qualificação de banda
estreita e de baixa escolaridade” como sucedeu nos anos anteriores, embora
sejam os trabalhadores destas profissões os mais atingidos pelos
despedimentos (76.300 entre o 4º Trimestre de 2003 e o 4º Trimestre de 2004;
e 48.700 entre o 4º Trimestre de 2004 e o 1º Trimestre de 2005), mas também
começa a atingir os trabalhadores de “qualificação e escolaridade média”
(menos 31.700 postos de trabalho entre o 4º Trim. de 2004 e o 1º Trim. 2005)
e mesmo algumas profissões de “elevada escolaridade e qualificação” (entre o
4º Trim. de 2004 e o 1º Trimestre de 2005, os postos de trabalhado de
“especialistas das profissões intelectuais e científicas diminuíram em 11.400
como mostram os dados do quadro anterior). O AUMENTO VERTIGINOSO DO DESEMPREGO DE LONGA
DURAÇÃO Os dados do quadro seguinte, que são divulgados
pelo INE, revelam que o aumento de desemprego é tanto quanto maior é a sua
duração. QUADRO IV – Evolução do
desemprego oficial por duração entre 2001 e 2005
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