Informação Alternativa

Mundo

24/08/2003

 

 

A solidão de Noam Chomsky

 

Arundhati Roy *

The Hindu/La Jornada

 

Noam Chomsky

 

«Eu nunca pedirei desculpas em nome dos Estados Unidos da América — Não quero saber quais são os factos.»

Presidente George Bush Sr. [1]

 

Sentada na minha casa em Nova Deli, assistindo a um canal de TV americano autopromover­‑se («Nós reportamos. Você decide.»), eu imagino o sorriso divertido e com um dente lascado de Noam Chomsky.

 

Todos sabem que os regimes autoritários, independentemente da sua ideologia, utilizam os media de massas para a propaganda. Mas o que dizer dos regimes democraticamente eleitos no “mundo livre”?

 

Hoje em dia, graças a Noam Chomsky e aos seus colegas analistas dos media, é quase axiomático para milhares, possivelmente milhões, entre nós, de que a opinião pública nas democracias de “livre mercado” é fabricada como qualquer outro produto do mercado de massas — sabonete, interruptores, ou pão em fatias [2]. Sabemos que embora, em termos jurídicos e constitucionais, a expressão possa ser livre, o espaço dentro do qual essa liberdade pode ser exercida foi arrancado de nós e leiloado a quem der o maior lance. O capitalismo neoliberal não diz respeito somente à acumulação de capital (para alguns). É também a respeito da acumulação de poder (para alguns), da acumulação de liberdade (para alguns). Inversamente, para o resto do mundo, para as pessoas que são excluídas do corpo governante do neoliberalismo, trata-se de erosão de capital, erosão de poder, erosão de liberdade. No “livre” mercado, a liberdade de expressão tornou-se uma mercadoria como qualquer outra coisa — justiça, direitos humanos, água potável, ar limpo. E, naturalmente, aqueles que têm recursos para comprá-la, utilizam a liberdade de expressão para fabricar o tipo de produto, confeccionar o tipo de opinião pública, que melhor serve os seus propósitos. (Notícias que eles possam usar.) O modo exacto como isso é feito tem sido o tema de muitos dos escritos políticos de Noam Chomsky.

 

O “império” dos EUA assenta numa fundação horrenda

 

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi, por exemplo, tem uma participação que lhe dá o controle dos maiores jornais, revistas, canais de televisão e editoras da Itália. «O primeiro-ministro na realidade controla cerca de 90 por cento da audiência de TV italiana», reporta o Financial Times [3]. Qual é o preço da liberdade de expressão? Liberdade de expressão para quem? Inegavelmente, Berlusconi é um exemplo extremo. Noutras democracias — nos Estados Unidos, em particular — os barões dos media, os poderosos lobbies corporativos e os funcionários governamentais estão envolvidos de um modo mais elaborado, menos óbvio. (As conexões de George Bush Jr. com o lobby do petróleo, com a indústria de armamento, com a Enron, e a infiltração da Enron nas instituições do governo dos EUA e nos media de massas — tudo isso é, agora, do conhecimento público.)

 

Depois do 11 de setembro de 2001, dos ataques terroristas a Nova York e Washington, o papel desempenhado descaradamente por grande parte dos media dominantes como porta-vozes do governo dos EUA, a sua demonstração de patriotismo vingativo, a sua disposição para publicar os folhetos distribuídos pelo Pentágono como se fossem notícias, e sua censura explícita das opiniões divergentes tornaram-se alvo de um belo humor negro no resto do mundo.

 

Depois deu-se a queda da Bolsa de Nova York, companhias aéreas falidas apelaram ao governo por ajudas financeiras, e falou-se de esquivar as leis de patentes para fabricar medicamentos genéricos para combater o alarme do antraz (muito mais importante e, urgente claro, do que a produção de genéricos para combater a SIDA em África…) [4]. Subitamente, começou a parecer como se os mitos gémeos da Liberdade de Expressão e do Livre Mercado pudessem desabar juntamente com as Torres Gémeas do World Trade Center.

 

Mas, é claro, isso nunca ocorreu. Os mitos continuam vivos.

 

Há, contudo, um lado mais brilhante relativo ao montante de energia e dinheiro que o establishment despeja no negócio de “gerenciamento” da opinião pública. Sugere um medo muito real da opinião pública. Sugere uma persistente e válida preocupação de que se as pessoas descobrissem (e compreendessem plenamente) a natureza real das coisas que são feitas em seu nome, elas poderiam agir com base nesse conhecimento. Os poderosos sabem que as pessoas comuns nem sempre são implacáveis e egoístas por reflexo. (Quando as pessoas comuns pesam os custos e os benefícios, algo como uma consciência inquieta poderia facilmente fazer inclinar a balança). Por esse motivo, elas precisam de ser resguardadas da realidade, guardadas por trás de um clima controlado, numa realidade alterada, como galinhas ou porcos para assar dentro de um cercado.

 

Aqueles, dentre nós, que conseguiram escapar dessa sina e não param de arranhar a cerca no fundo do quintal, não acreditam mais em tudo o que lêem nos jornais ou assistem na TV. Colamos os nossos ouvidos ao solo e procuramos outros modos de fazer sentido do mundo. Buscamos a história que não foi contada, o golpe militar mencionado apenas de passagem, o genocídio não reportado, a guerra civil num país africano relatada numa coluna de três centímetros ao lado de uma publicidade de página inteira de uma lingerie de renda.

 

Nem sempre nos lembramos, e muitos nem sequer sabem, que este modo de pensar, esta fácil acuidade, esta instintiva desconfiança em relação aos media de massas seria, na melhor das hipóteses, um palpite político, e na pior, uma acusação solta, não fosse pela análise incansável e inabalável de uma das grandes cabeças do mundo. E esse é apenas um dos modos pelos quais Noam Chomsky alterou radicalmente a nossa compreensão da sociedade em que vivemos. Ou deveria dizer, a nossa compreensão das sofisticadas regras do asilo lunático no qual somos todos internados voluntários?

 

Falando sobre os ataques do 11 de Setembro em Nova York e Washington, o Presidente George W. Bush chamou aos inimigos dos EUA de «inimigos da liberdade». «Os americanos perguntam: porque nos odeiam?» disse ele. «Eles odeiam as nossas liberdades, a nossa liberdade de religião, a nossa liberdade de expressão, a nossa liberdade de votar e de nos reunirmos e de discordarmos uns dos outros» [5].

 

 

Se as pessoas nos EUA quiserem uma verdadeira resposta para essa questão (por oposição às respostas do “Guia para idiotas sobre anti-americanismo”, ou seja: “Porque têm inveja de nós”, “Porque odeiam a nossa liberdade”, “Porque são uns perdedores”, “Porque nós somos bons e eles são maus”), eu diria, leiam Chomsky. Leiam Chomsky no que diz respeito às intervenções militares dos EUA na Indochina, na América Latina, no Iraque, na Bósnia, na antiga Jugoslávia, no Afeganistão e no Médio Oriente. Se as pessoas comuns nos EUA lessem Chomsky, talvez as suas perguntas fossem enquadradas de um modo diferente. Talvez fossem: “Porque é que eles não nos odeiam ainda mais?” ou “Não é surpreendente que o 11 de Setembro não tenha ocorrido mais cedo?”

 

Infelizmente, nesta época nacionalista, palavras como “nós” e “eles” são usadas com soltura. A fronteira entre os cidadãos e o estado está a ser reduzida deliberadamente e com sucesso, não só pelos governos, como também pelos terroristas. A lógica subjacente dos ataques terroristas, assim como das guerras de “retaliação” contra os governos que “apoiam o terrorismo”, é a mesma: ambas punem os cidadãos pelas acções dos seus governos.

 

(Uma breve divagação: eu entendo que é mais educado que Noam Chomsky, um cidadão dos EUA, critique o seu próprio governo do que alguém como eu, uma cidadã indiana, criticar o governo dos EUA. Não sou patriota, e estou plenamente consciente de que a venalidade, a brutalidade e a hipocrisia estão impressas nas almas de chumbo de cada estado. Mas quando um país cessa de ser meramente um país e se torna um império, então a escala de operações muda dramaticamente. Por isso, posso esclarecer que falo na qualidade de súbdito do império dos EUA? Falo como uma escrava que tem a pretensão de criticar o seu rei.)

 

Se me pedissem para escolher uma das maiores contribuições de Noam Chomsky para o mundo, seria o facto de que ele desmascarou o universo feio, manipulador e cruel que existe por trás da bela e ensolarada palavra “liberdade”. Ele fez isso racional e empiricamente. A massa de evidência que ele compilou para construir o seu caso é formidável. Na realidade, terrificante. A premissa inicial do método de Chomsky não é ideológica, mas é intensamente política. Ele embarca no seu percurso de investigação com uma desconfiança instintiva de anarquista pelo poder. Ele leva­‑nos numa excursão pelo pântano do establishment dos EUA, e conduz­‑nos através do labirinto estonteante dos corredores que conectam o governo, os grandes negócios e o negócio do gerenciamento da opinião pública.

 

Chomsky mostra­‑nos como frases do tipo “liberdade de expressão”, “livre mercado”, “mundo livre” têm pouco, se algo, a ver com liberdade. Ele mostra­‑nos que, entre as miríades de liberdades reclamadas pelo governo dos EUA, estão a liberdade de assassinar, de aniquilar, e de dominar outros povos. A liberdade de financiar e patrocinar déspotas e ditadores em todo o mundo. A liberdade de treinar, armar e abrigar terroristas. A liberdade de derrubar governos eleitos democraticamente. A liberdade de amontoar e usar armas de destruição em massa — químicas, biológicas e nucleares. A liberdade de ir à guerra contra qualquer país com cujo governo não esteja de acordo. E, o mais terrível de tudo, a liberdade de cometer esses crimes contra a humanidade em nome da “justiça”, em nome da “rectidão”, em nome da “liberdade”.

 

O procurador-geral John Ashcroft declarou que as liberdades dos EUA «não são concessão de nenhum governo ou documento, mas… o nosso dote de Deus» [6]. Assim, basicamente, estamos confrontados com um país armado com um mandato dos céus. Talvez isso explique porque é que o governo dos EUA se recusa a julgar­‑se a si próprio com os mesmos padrões morais com que julga os outros. (Qualquer tentativa nesse sentido é denunciada como “equivalência moral”.) A sua técnica é posicionar-se como o gigante bem intencionado cujas boas acções são confundidas em países estranhos pelos seus nativos conspiradores, cujos mercados está a tentar libertar, cujas sociedades está a tentar modernizar, cujas mulheres está a tentar libertar, cujas almas está a tentar salvar.

 

Talvez esta crença na sua própria divindade explique porque é que o governo dos EUA outorgou a si próprio o direito e a liberdade de assassinar e exterminar pessoas “para o seu próprio bem”.

 

Quando anunciou os ataque aéreos dos EUA contra o Afeganistão, o Presidente Bush Jr. disse: «Somos uma nação pacífica» [7]. Continuou dizendo: «Esta é a vocação dos Estados Unidos da América, a nação mais livre do mundo, uma nação construída sobre valores fundamentais, que rejeita o ódio, rejeita a violência, rejeita os assassinos, rejeita o mal. E nós não nos cansaremos» [8].

 

Indochina... o cenário tropical, exuberante no qual os EUA «soltaram as suas fantasias de violência»...

 

O império dos EUA assenta numa fundação horrenda: o massacre de milhões de indígenas, o roubo das suas terras e, depois disso, o sequestro e a escravização de milhões de negros da África, para trabalharem a terra. Milhares morreram nos mares enquanto eram despachados como gado enjaulado entre os continentes [9]. «Roubados de África, trazidos para a América» – Buffalo Soldier de Bob Marley contém todo um universo de tristeza inexprimível [10]. Fala­‑nos da perda de dignidade, da perda da terra bravia, da perda da liberdade, do orgulho despedaçado de um povo. Genocídio e escravidão fornecem a escora social e económica da nação cujos valores fundamentais rejeitam o ódio, os assassinatos e o mal.

 

Eis Chomsky, escrevendo no seu ensaio The Manufacture of Consent [A fabricação do Consentimento] sobre a fundação dos Estados Unidos da América:

 

«Durante o feriado do Dia de Acção de Graças, há algumas semanas, fiz uma caminhada com alguns amigos e familiares num parque nacional. Deparamos com uma lápide, que tinha a seguinte inscrição: «Aqui jaz uma mulher índia, uma wampanoag, cuja família e tribo se entregaram, assim como à sua terra, para que esta grande nação pudesse nascer e crescer» [11].

 

Evidentemente, não é suficientemente correcto dizer-se que a população indígena se entregou e à sua terra para esse nobre propósito. Antes, eles foram massacrados, dizimados e dispersos durante um dos maiores exercícios de genocídio da história humana… que celebramos a cada mês de Outubro, quando homenageamos Colombo — ele próprio um notável assassino em massa – no Columbus Day.

 

Centenas de cidadãos americanos, pessoas bem intencionadas e decentes, vão regularmente em grupo àquela lápide e lêem a inscrição, aparentemente sem reacção, excepto, talvez, um sentimento de satisfação de que, finalmente, estamos a prestar algum devido reconhecimento aos sacrifícios dos povos nativos… Poderiam reagir de maneira diferente se estivessem a visitar Auschwitz ou Dachau e encontrassem uma lápide com a inscrição: “Aqui jaz um mulher, uma judia, cuja família e povo se entregaram, assim como às suas posses, para que esta grande nação pudesse crescer e prosperar».

 

Como é que os EUA sobreviveram ao seu terrível passado e emergiram com um cheiro tão doce? Não foi admitindo aquilo que tinha sido feito, não foi por meio de reparações, não foi pedindo desculpas aos negros americanos ou aos nativos americanos, e certamente não foi mudando o seu modo de actuação (agora exporta as suas crueldades). Como a maioria dos demais países, os EUA rescreveram a sua história. Mas o que distingue os EUA dos outros países, e o que o coloca na linha de frente da corrida, é que contratou os serviços da firma de publicidade mais poderosa e bem sucedida do mundo: Hollywood.

 

Iraque... um novo tipo de guerra empreendida com super armas

 

Na versão best-seller do mito popular vendido como história, a “bondade” dos EUA atingiu o seu clímax durante a Segunda Guerra Mundial (também conhecida como a Guerra da América Contra o Fascismo). Perdido no estrondo do som da trombeta e do canto do anjo, está o facto de que enquanto o fascismo estava a pleno galope na Europa, o governo dos EUA na verdade olhou para o outro lado. Quando Hitler levava a cabo a execução de seu progrom genocida contra os judeus, os funcionários do governo dos EUA recusavam a entrada dos refugiados judeus que escapavam da Alemanha. Os EUA entraram na guerra somente depois de os japoneses bombardearem Pearl Harbor. Afogado pelo barulhentos hosanas, encontra-se o acto mais bárbaro, na verdade, o acto singular mais selvagem que o mundo jamais testemunhou: o lançamento da bomba atómica sobre as populações civis de Hiroshima e Nagasaki. A guerra estava quase no fim. As centenas de milhares de cidadãos japoneses que foram mortos, as inúmeras pessoas que foram vitimadas por cancros ao longo de gerações futuras, não constituíam uma ameaça à paz mundial. Eram civis. Tal como as vítimas dos atentados do World Trade Center e do Pentágono eram civis. Tal como as centenas de milhares de pessoas que morreram no Iraque como resultado das sanções lideradas pelos EUA também eram civis. O bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki foi um experimento frio e calculado, realizado para demonstrar o poder da América. Na época, o Presidente Truman descreveu­‑o como «o maior evento da história» [12].

 

A Segunda Guerra Mundial, dizem­‑nos, foi uma “guerra pela paz”. A bomba atómica era uma “arma de paz”. Somos convidados a acreditar que a dissuasão nuclear evitou a ocorrência da Terceira Guerra Mundial. (Isso foi antes de o Presidente George Bush Jr. aparecer com a “doutrina de ataque preventivo” [13]). Houve uma explosão de paz depois da Segunda Guerra Mundial? Certamente, houve uma paz (relativa) na Europa e na América — mas será que isso conta como paz mundial? Não, a menos que as guerras selvagens e por procuração combatidas nas terras onde vivem as raças de outras cores (chinks, niggers, dinks, wogs, gooks [14]) não contarem como guerras.

 

Desde a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos estiveram em guerra contra, ou atacaram, entre outros países, a Coreia, Guatemala, Cuba, Laos, Vietname, Camboja, Granada, Líbia, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Iraque, Somália, Sudão, Jugoslávia e Afeganistão. Essa lista deveria incluir as operações camufladas do governo dos EUA em África, Ásia e América Latina, os golpes que projectaram e os ditadores que armaram e apoiaram. Deveria incluir também a guerra de Israel contra o Líbano, apoiada pelos EUA e na qual milhares de pessoas foram mortas. Deveria também incluir o papel fundamental que a América desempenhou no conflito do Médio Oriente, no qual milhares de pessoas têm morrido a combater a ocupação ilegal de território palestino por Israel. Deveria incluir o papel da América na guerra civil do Afeganistão nos anos 80, na qual mais de um milhão de pessoas foram mortas [15]. Deveria incluir os embargos e as sanções que levaram directa e indirectamente à morte de centenas de milhares de pessoas, mais visivelmente no Iraque [16].

 

Juntando tudo isso, parece que, na realidade, houve mesmo uma Terceira Guerra Mundial, e que o governo dos EUA era (ou é) um dos seus principais protagonistas.

 

A maioria dos ensaios que compõem For Reasons of State (Por Razões de Estado) de Chomsky são sobre a agressão dos EUA no Vietname do Sul, Vietname do Norte, Laos e Camboja. Foi uma guerra que durou mais de 12 anos. Cinquenta e oito mil americanos e cerca de dois milhões de vietnamitas, cambojanos e laocianos perderam a sua vida [17]. Os EUA mobilizaram meio milhão de tropas terrestres, lançaram mais de seis milhões de toneladas de bombas [18]. E contudo, embora seja difícil de acreditar para quem vê a maioria dos filmes de Hollywood, a América perdeu a guerra.

 

A guerra começou no Vietname do Sul e espalhou­‑se para o Vietname do Norte, Laos e Camboja. Depois de ter estabelecido um regime cliente em Saigão, o governo dos EUA autoconvidou­‑se para combater uma insurgência comunista — guerrilheiros vietcongs que se tinham infiltrado nas regiões rurais do Vietname do Sul, onde os aldeões estavam a protegê­‑los. Foi esse exactamente o modelo que a Rússia replicou quando, em 1979, se autoconvidou para o Afeganistão [19]. Ninguém no “mundo livre” tem qualquer dúvida sobre o facto de que a Rússia invadiu o Afeganistão. Depois da glasnost, até mesmo um ministro dos negócios estrangeiros soviético classificou a invasão soviética do Afeganistão de «ilegal e imoral». Mas esse tipo de introspecção não teve lugar nos Estados Unidos. Em 1984, numa estonteante revelação, Chomsky escreveu:

 

«Durante os últimos 22 anos, tenho procurado encontrar alguma referência no jornalismo dos grandes media ou nos escritos académicos sobre uma invasão americana do Vietname do Sul em 1962 (ou noutra altura qualquer), ou sobre um ataque americano contra o Vietname do Sul, ou sobre uma agressão na Indochina — sem sucesso. Não existe tal evento na história. Antes, há uma defesa americana do Vietname do Sul contra terroristas apoiados do exterior (nomeadamente do Vietname).» [20]

 

Não existe tal evento na história!

 

Em 1962, a Força Aérea dos EUA começou a bombardear a região rural do Vietname do Sul, onde 80 por cento da população residia. Os bombardeamentos duraram mais de uma década. Milhares de pessoas foram mortas. A ideia era bombardear numa escala suficientemente colossal de modo a induzir uma migração em função do pânico, das aldeias para as cidades, onde as pessoas poderiam ser mantidas em campos de refugiados. Samuel Huntington referiu-se a isto como um processo de «urbanização» [21]. (Aprendi sobre urbanização quando frequentei estudos de arquitectura na Índia. De algum modo, não me lembro que o bombardeamento aéreo fizesse parte do programa.) Huntington – hoje famoso pelo seu ensaio O Choque das Civilizações – era, naquela época, presidente do Council on Vietnamese Studies of the Southeast Asia Development Advisory Group (Conselho de Estudos Vietnamitas do Grupo de Assessoria para o Desenvolvimento do Sudeste da Ásia). Chomsky cita­‑o descrevendo os vietcongs como «uma força poderosa que não pode ser extirpada dos distritos nos quais está enraizada, enquanto esses distritos continuarem a existir» [22]. Huntington prosseguiu, aconselhando uma «aplicação directa de poder mecânico e convencional» – em outras palavras, para esmagar uma guerra do povo, eliminem o povo [23]. (Ou, talvez, para actualizar a tese – para prevenir um choque de civilizações, aniquilem uma civilização.)

 

Eis um observador daquela época, a respeito das limitações do poder mecânico da América: «O problema é que as máquinas americanas não se equiparam à tarefa de matar soldados comunistas, excepto como parte de uma política de terra queimada que destrua tudo o resto também» [24]. Esse problema agora foi resolvido. Não com bombas menos destrutivas, mas com uma linguagem mais imaginativa. Há uma maneira mais elegante de se dizer «que destrua tudo o resto também». A frase é “dano colateral”.

 

Eis um relato em primeira mão daquilo que as “máquinas” americanas (Huntington chamava­‑lhes “instrumentos de modernização” e oficiais do Pentágono chamavam­‑lhes “bomb-o-grams”) podiam fazer [25]. Trata-se de T. D. Allman sobrevoando a planície de Jars, no Laos.

 

 

«Mesmo se a guerra no Laos terminasse amanhã, a restauração do seu equilíbrio ecológico poderia levar vários anos. A reconstrução das cidades e das aldeias totalmente destruídas da Planície poderia também levar muitos anos. Mesmo que isso fosse feito, a Planície poderia revelar-se perigosa para abrigar habitantes devido às centenas de milhares de bombas, minas e armadilhas explosivas não explodidas.

 

Um voo recente sobre a Planície de Jars revelou o que menos de três anos de intensivo bombardeamento americano pode provocar numa área rural, mesmo depois de a sua população civil ter sido evacuada. Em extensas áreas, a cor tropical primária — o verde exuberante — foi substituído por um padrão abstracto de cor preta e de cores metálicas brilhantes. A maioria da folhagem restante está atrofiada e opaca, devido aos desfolhantes.

 

Hoje, o preto é a cor predominante das extensões do norte e do sul da Planície. O napalm é lançado regularmente para queimar a relva e a vegetação rasteira que cobre as planícies e preenche as suas muitas ravinas estreitas. Os incêndios parecem ser constantes, criando rectângulos de negro. Durante o voo, plumas de fumaça podiam ser vistas, erguendo-se das áreas recém bombardeadas.

 

As estradas principais, chegando à planície do território mantido pelos comunistas, são bombardeadas implacável e incessantemente, sem pausas. Lá, e ao longo de toda a borda da planície, a cor predominante é o amarelo. Toda a vegetação foi destruída. As crateras são inúmeras… A área foi bombardeada tão repetidamente que a terra parece o deserto batido e escumado das áreas desérticas atingidas por tempestades no Norte da África.

 

Mais para sudeste, Xieng Khouangville – em tempos a cidade mais populosa do Laos comunista — jaz vazia, destruída. Par o norte da planície, o pequena estância de Khang Khay também foi destruída.

 

Em volta do campo de aterragem da base de King Kong, as cores predominantes são o amarelo (devido ao solo revolvido) e o preto (devido ao napalm), aliviados por manchas de cor vermelha e azul intenso: os pára-quedas costumavam atirar víveres.

 

Os últimos habitantes locais estavam a ser acarretados para transportes aéreos. Jardins de vegetais abandonados que nunca mais veriam qualquer colheita cresciam perto das casas abandonadas, com pratos ainda sobre as mesas e calendários nas paredes.» [26]

 

(Nunca foram calculados entre os “custos” da guerra o número de pássaros mortos, os animais carbonizados, os peixes assassinados, os insectos incinerados, as fontes de água envenenadas, a vegetação destruída. Raramente mencionada é a arrogância da raça humana em relação às outras formas de vida, com as quais compartilha este planeta. Tudo isso é esquecido, na luta por mercados e ideologias. Esta arrogância será, provavelmente, a ruína final da espécie humana.)

 

«Os marines aterraram»... um grito que ecoou através da guerra do Vietname

 

A parte central de For Reasons of State [Por Razões de Estado] é um ensaio intitulado “The Mentality of the Backroom Boys” [A Mentalidade dos Rapazes do Quarto dos Fundos], no qual Chomsky oferece uma análise extraordinariamente desenvolta e exaustiva dos Pentagon Papers [Documentos do Pentágono], sobre os quais ele diz que «fornecem evidência documental de uma conspiração para usar a força em questões internacionais, violando a lei» [27]. Aqui, também, Chomsky toma nota do facto de que enquanto o bombardeamento do Vietname do Norte é discutido com certa profundidade nos Pentagon Papers, a invasão do Vietname do Sul mal merece uma menção [28].

 

Os Pentagon Papers são fascinantes, não como documentação da história da guerra dos EUA na Indochina, mas para penetrar na mentalidade dos homens que a planearam e a executaram. É fascinante ficar a par das ideias que estavam ser lançadas, das sugestões que eram feitas, das propostas que foram apresentadas. Numa secção intitulada “The Asian Mind – the American Mind” [A Mente Asiática — A Mente Americana], Chomsky examina a discussão sobre a mentalidade do inimigo que «estoicamente aceita a destruição dos bens e a perda de vidas», ao passo que «Nós queremos a vida, a felicidade, a riqueza, o poder» e, para nós, «a morte e o sofrimento são escolhas irracionais quando existem alternativas» [29]. Assim, aprendemos que os asiáticos pobres, presumivelmente porque não podem compreender o significado da felicidade, do riqueza e do poder, convidam a América a levar a cabo essa «lógica estratégica até à sua conclusão, que é o genocídio». Mas então «nós» recuamos, porque o «genocídio é um fardo muito pesado para carregar» [30]. (Eventualmente, é claro, “nós” avançamos e cometemos o genocídio de qualquer modo, e depois fingimos que ele nunca realmente ocorreu.)

 

Evidentemente, os Pentagon Papers contêm também algumas propostas moderadas.

 

«É provável que ataques a populações-alvo (per se) não só criem uma onda contraproducente de repulsa no exterior e no país, como aumentem muito o risco de estender a guerra com a China e a União Soviética. Destruição de comportas e represas, contudo — se forem geridas correctamente — podem... ser promissoras. Deveria ser estudado. Esse tipo de destruição não mata ou afoga pessoas. Mas, inundando-se superficialmente o arroz, após um tempo conduzirá a fome generalizada (mais de um milhão?), a menos que seja providenciada comida — o que poderíamos oferecer fazer “na mesa de negociação”» [31].

 

Camada por camada, Chomsky desmonta o processo de tomada de decisão dos funcionários do governo dos EUA, para revelar em essência o coração desalmado da máquina de guerra americana, completamente isolado das realidades de guerra, cego pela ideologia, e disposto a aniquilar milhões de seres humanos, populações civis, soldados, mulheres, crianças, aldeias, inteiras cidades, inteiros ecossistemas — com métodos de brutalidade cientificamente afiados.

 

Eis um piloto americano falando sobre as alegrias do napalm:

 

«Certamente, estamos satisfeitos com esses backroom boys da Dow. O produto original não era tão ‘quente’ — se os gooks fossem rápidos, poderiam removê-lo. Então, os rapazes começaram a acrescentar polistireno — agora gruda como merda num cobertor. Mas se os gooks se atirassem para dentro de água, parava de queimar, então eles começaram a acrescentar Willie Peter [fósforo branco] para fazê-lo queimar melhor. Agora queimará até debaixo de água. E só uma gota é o suficiente, continuará a queimar até ao osso, por isso eles morrem de qualquer modo, por causa do envenenamento provocado pelo fósforo» [32].

 

Portanto, os gooks felizardos foram aniquilados para o seu próprio bem. Better Dead than Red [Melhor Morto que Vermelho].

 

Noam Chomsky... tecendo o seu feitiço sobre Chennai em Novembro de 2001.

Ele falou sobre “O 11 de Setembro e as suas consequências”

 

Graças aos sedutores charmes de Hollywood e ao irresistível apelo dos media de massas da Américana, todos estes anos depois, o mundo vê a guerra como uma história americana. A Indochina forneceu o cenário tropical exuberante no qual os EUA soltaram as suas fantasias de violência, testaram as suas mais recentes tecnologias, fizeram avançar a sua ideologia, examinaram a sua consciência, agonizaram com os seus dilemas morais e lidaram com a sua culpa (ou fingiram fazê-lo). Os vietnamitas, cambojanos e laocianos foram só notas de rodapé. Sem nome, sem rosto, meros humanóides de olhos rasgados. Eles foram apenas as pessoas que morreram. Gooks.

 

A única lição verdadeira que o governo dos EUA aprendeu com a sua invasão da Indochina foi como ir para a guerra sem comprometerem as tropas americanas e arriscar as vidas americanas. Assim, agora, temos guerras empreendidas com mísseis de cruzeiro de longo alcance, Black Hawks, “bunker busters” [detonadores de casamatas]. Guerras nas quais os “aliados” perdem mais jornalistas do que soldados.

 

Para uma criança que cresceu no estado de Kerala, no Sul da Índia – onde o primeiro governo comunista do mundo eleito democraticamente chegou ao poder em 1959, no ano em que nasci — eu preocupava­‑me terrivelmente pelo facto de ser uma gook. Kerala estava apenas alguns milhares de milhas a oeste do Vietname. Tínhamos florestas e rios e campos de arroz, e comunistas, também. Eu imaginava repetidamente a minha mãe, o meu irmão, e eu mesma sendo apagada nos arbustos por uma granada, ou chacinados, como os gooks nos filmes, por um marine americano com braços musculosos e mascando chiclete, e um ruído barulhento de fundo. Nos meus sonhos, eu era a rapariga queimada na famosa fotografia tirada na estrada de Trang Bang.

 

Para alguém que cresceu no meio do vértice da propaganda americana e da propaganda soviética (que, mais ou menos, se neutralizavam mutuamente), quando li Noam Chomsky pela primeira vez, ocorreu-me que a sua compilação de evidência, o seu volume, a sua persistência, era um pouco — como poderia dizer? — demente. Mesmo um quarto da evidência que ele tinha compilado teria sido suficiente para me convencer. Eu costumava perguntar­‑me porque é que ele precisava de fazer tanto trabalho. Mas agora entendo que a magnitude e a intensidade da obra de Chomsky é um barómetro da magnitude, do escopo, da persistência da máquina de propaganda contra que ele enfrenta. Ele é como a broca de madeira que reside dentro da terceira prateleira da minha biblioteca. Dia e noite, ouço a sua mandíbula triturando a madeira, moendo­‑a até transformá­‑la em fino pó. É como se ele discordasse com a literatura e quisesse destruir a própria estrutura sobre a qual ela assenta. Eu chamo­‑lhe Chompsky.

 

Sendo um americano a trabalhar na América, escrever para convencer americanos do seu ponto de vista deve ser, realmente, como tentar abrir um túnel através de madeira rija. Chomsky é um de um pequeno grupo de indivíduos que combatem toda uma indústria. E isso faz dele não apenas um ser brilhante, mas também heróico.

 

Há alguns anos, numa entrevista comovente com James Peck, Chomsky falou sobre a sua lembrança do dia em que Hiroshima foi bombardeada. Ele tinha 16 anos:

 

«Lembro-me de que eu literalmente não conseguia falar com ninguém. Não havia ninguém. Simplesmente saí caminhando sozinho. Estava num acampamento de verão naquele momento, e caminhei até à floresta e fiquei sozinho por algumas horas quando ouvi a notícia. Nunca podia falar com ninguém sobre isso e nunca entendi a reacção das pessoas. Senti-me completamente isolado» [33].

 

Esse isolamento produziu um dos maiores e mais radicais pensadores públicos do nosso tempo. Quando o sol se puser para o império americano, como acontecerá, como é preciso que ocorra, a obra de Noam Chomsky sobreviverá.

 

Apontará um dedo frio e acusador a um império impiedoso e maquiavélico, tão cruel, convencido e hipócrita como aqueles que substituiu. (A única diferença é que está armado com tecnologia que pode provocar um tipo de devastação no mundo jamais conhecida pela história e que a raça humana nem sequer pode começar a imaginar.)

 

Como alguém que podia ter sido gook, e quem sabe, talvez uma gook em potência, é raro que se passe um dia sem que eu me encontre pensando – por uma razão ou outra – “Chomsky Zindabad” [34].

 

_______

* A activista indiana Arundhati Roy é a autora de O Deus das Pequenas Coisas.

 

[1] R.W. Apple, Jr., “Bush Appears in Trouble Despite Two Big Advantages”, The New York Times, 04/08/88, p. A1. Bush fez este comentário quando se recusou a desculpar­‑se por ter derrubado um avião de passageiros iraniano, matando 290 passageiros. Ver Lewis Lapham, Theater of War (New York: New Press, 2002), p. 126.

 

[2] Chomsky é o primeiro a assinalar que outros pioneros analistas dos media incluem o seu, em muitas ocasiões, co­‑autor, Edward Herman, Ben Bagdikian (cujo clássico The media monopoly, de 1983, narra a censura de Counter-Revolutionary Violence, de Chomsky e Herman), e Herbert Schiller.

 

[3] Paul Betts, “Ciampi Calls for Review of Media Laws”, Financial Times (London), 24/07/02, p. 8. Para um panorama geral das participações em acções de Berlusconi, ver Ketupa.net Media Profiles: http://www.ketupa.net/berlusconi1.htm.

 

[4] Ver Sabin Russell, “U.S. Push for Cheap Cipro Haunts AIDS Drug Dispute”, San Francisco Chronicle, 08/11/01, p. A13; Frank Swoboda e Martha McNeil Hamilton, “Congress Passes $15 Billion Airline Bailout”, The Washington Post, 22/09/01, p. A1.

 

[5] Presidente George W. Bush Jr., “President Bush’s Address on Terrorism Before a Joint Meeting of Congress”, The New York Times, 21/09/01, p. B4.

 

[6] Dan Eggen, “Ashcroft Invokes Religion In U.S. War on Terrorism”, The Washington Post, 20/02/02, p. A2.

 

[7] Presidente George W. Bush Jr., “Bush’s Remarks on U.S. Military Strikes in Afghanistan”, The New York Times, 08/10/01, p. B6.

 

[8] Presidente George W. Bush Jr., Comentários nos escritórios centrais do FBI, Washington, D.C., 10/10/01, Federal Document Clearinghouse.

 

[9] Ver Howard Zinn, A People’s History of the United States: 1492–Present, edição do 20º aniversário (New York: HarperCollins, 2001).

 

[10] Bob Marley e N.G. Williams (também conhecido como King Sporty), Buffalo Soldier.

 

[11] Noam Chomsky, “The Manufacture of Consent”, en The Chomsky Reader, ed. James Peck (New York: Pantheon, 1987), pp. 121–22.

 

[12] Ver Jim Miller, “Report From the Inferno”, Newsweek, 07/09/81, p. 72, Review of Committee for the Compilation of Materials on Damage Caused by the Atomic Bombs in Hiroshima and Nagasaki, Hiroshima and Nagasaki: The Physical, Medical, and Social Effects of the Atomic Bombings (New York: Basic, 1981).

 

[13] David E. Sanger, “Bush to Formalize a Defense Policy of Hitting First”, The New York Times, 17/06/02, p. A1; David E. Sanger, “Bush Renews Pledge to Strike First to Counter Terror Threats”, The New York Times, 20/07/02, p. A3. Ver também The National Security Strategy of the United States of America, 20/09/02:

 

[14] Nomes pejorativos dados pelos americanos respectivamente aos chineses, negros, árabes, hindus ou negros, asiáticos ou vienamitas, etc… (n. IA)

 

[15] Ver Terence O’Malley, “The Afghan Memory Holds Little Room for Trust in US”, Irish Times, 15/10/01, p. 16.

 

[16] Ver Anthony Arnove, ed., Iraq Under Siege: The Deadly Impact of Sanctions and War, 2nd ed. (Cambridge: South End Press; London: Pluto Press, 2002).

 

[17] Ver Noam Chomsky, “Memories”, resenha de In Retrospect por Robert McNamara (New York: Times Books, 1995), en Z magazine (Julho–Agosto 1995). Disponível em http://www.zmag.org/.

 

[18] “Myth and Reality in Bloody Battle for the Skies”, The Guardian (London), 13/10/98, p. 15.

 

[19] Bill Keller, “Moscow Says Afghan Role Was Illegal and Immoral”, The New York Times, 24/10/89, p. A1.

 

[20] Noam Chomsky, “Afghanistan and South Vietnam”, em The Chomsky Reader, ed. Peck, p. 225.

 

[21] Samuel P. Huntington, “The Bases of Accommodation”, Foreign Affairs 46: 4 (1968): 642–56. Citado por Noam Chomsky em At War with Asia (New York: Vintage Books, 1970), p. 87.

 

[22] Samuel P. Huntington, “The Clash of Civilizations?” Foreign Affairs 72: 3 (Verão 1993): 22–49.

 

[23] Huntington, “The Bases of Accommodation”. Citado por Chomsky em At War with Asia, p. 87.

 

[24] T. D. Allman, “The Blind Bombers”, Far Eastern Economic Review 75: 5 (29/01/72): 18–20. Citado por Noam Chomsky em For Reasons of State (New York: New Press, 2003), p. 72.

 

[25] Chomsky, For Reasons of State, p. 72; Chomsky, At War with Asia, p. 87; e Lapham, Theater of War, p. 145.

 

[26] T. D. Allman, “The War in Laos: Plain Facts”, Far Eastern Economic Review 75: 2 (January 8, 1972): 16. Citado por Chomsky em For Reasons of State, pp. 173–74.

 

[27] Chomsky, For Reasons of State, p. 18. Ver também Noam Chomsky, “The Pentagon Papers as Propaganda and as History”, em Noam Chomsky e Howard Zinn, ed., The Pentagon Papers: The Defense Department History of United States Decisionmaking on Vietnam: The Senator Gravel Edition: Critical Essays (Boston: Beacon Press, 1971–72), Vol. 5, pp. 79–201.

 

[28] Chomsky, For Reasons of State, pp. 67 and 70.

 

[29] William Pfaff, Condemned to Freedom: The Breakdown of Liberal Society (New York: Random House, 1971), pp. 75–77. Citado por Chomsky em For Reasons of State, p. 94.

 

[30] Pfaff, Condemned to Freedom, pp. 75–77. Chomsky, For Reasons of State, pp. 94–95.

 

[31] The Pentagon Papers, Volumen 4, p. 43. Citado por Chomsky em For Reasons of State, p. 67.

 

[32] Philip Jones Griffiths, Vietnam Inc., 2nd ed. (New York: Phaidon, 2001), p. TK. A primera edição é citada por Chomsky em For Reasons of State, pp. 3–4.

 

[33] Noam Chomsky, entrevista realizada por James Peck, em The Chomsky Reader, ed. Peck, p. 14.

 

[34] Longa vida para Chomsky (n. IA).