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Julho 2004 As histórias do cristianismo,
judaísmo, hinduísmo, e Islão estão fortemente entrelaçadas de violência. Ao
longo dos tempos, os religiosos reivindicaram um mandato divino para
massacrar os infiéis, os heréticos, e mesmo outros devotos dentro das suas
próprias fileiras. Algumas pessoas sustentam que o budismo é diferente, que
se ergue em marcado contraste com a violência crónica de outras religiões.
Certamente, para alguns praticantes no Ocidente, o budismo é mais uma
disciplina espiritual e psicológica do que uma teologia no sentido usual.
Oferece técnicas de meditação que, segundo dizem, promovem o esclarecimento e
a harmonia interiores. Mas tal como qualquer outro sistema de crenças, o
budismo tem de ser julgado não apenas pelos seus ensinamentos, mas pelo
comportamento secular dos seus proponentes. Excepção
budista? Um relance pela história
revela que as organizações budistas não estiveram isentas das perseguições
violentas tão características de outros grupos religiosos. No Tibete, do início
do século dezassete até bem dentro do século dezoito, seitas budistas rivais
dedicaram‑se a hostilidades armadas e execuções sumárias [1]. No
século vinte, na Tailândia, Burma, Coreia, Japão, e noutros lados, os
budistas confrontaram‑se uns aos outros e com não budistas. No Sri
Lanka, batalhas armadas em nome do budismo fazem parte da história singalesa
[2]. Apenas há alguns anos, na
Coreia do Sul, milhares de monges da ordem budista Chogye lutaram entre si
com punhos, pedras, bombas incendiárias, e cacetes, em batalhas intensas que
se prolongaram por semanas. Eles estavam em rivalidade pelo controlo da
ordem, a maior da Coreia do Sul, com o seu orçamento anual de 9,2 milhões, os
seus adicionais milhões de dólares em propriedades, e o privilégio de nomear
1.700 monges para vários serviços. As brigas destruíram em parte os
principais santuários budistas e deixaram dezenas de monges feridos, alguns
seriamente. A República da Coreia pareceu desdenhar ambas as facções, sentindo
que não importando que lado tomasse o controlo, «usaria as doações dos
devotos para casas luxuosas e carros caros» [3]. Mas, e o Dalai Lama e o
Tibete a que ele presidiu antes da repressão chinesa? É amplamente defendido
por muitos budistas devotos que o Velho Tibete era um reino espiritualmente
orientado livre dos estilos de vida egotistas, do materialismo vazio, e dos
vícios corruptos que rodeiam a moderna sociedade industrializada. Os mídia de
notícias ocidentais, livros de viagens, novelas, e filmes de Hollywood
retrataram a teocracia tibetana como um verdadeiro Shangri-La. O próprio Dalai Lama afirmou
que «a penetrante influência do budismo» no Tibete, «entre os amplos espaços
abertos de um ambiente preservado, resultou numa sociedade dedicada à paz e à
harmonia. Usufruímos de liberdade e contentamento» [4]. Uma leitura da
história do Tibete sugere uma imagem diferente. No século treze, o imperador
Kublai Khan criou o primeiro Grande Lama, que deveria presidir sobre todos os
outros lamas como um papa sobre os seus bispos. Alguns séculos mais tarde, o
Imperador da China enviou um exército ao Tibete para apoiar o Grande Lama, um
homem ambicioso de 25 anos, que então atribuiu a si mesmo o título de Dalai
(Oceano) Lama, soberano de todo o Tibete. Aqui está uma assinalável ironia histórica:
o primeiro Dalai Lama foi instalado por um exército chinês. Para elevar a sua autoridade
acima de qualquer desafio terreno, o primeiro Dalai Lama apoderou‑se
de mosteiros que não pertenciam à sua seita, e acredita‑se que
destruiu escritos budistas que entravam em conflito com a sua reivindicação à
divindade. O Dalai Lama que o sucedeu dedicou‑se a uma vida luxuosa,
usufruindo de muitas amantes, de festas com os amigos, e agindo de outros
modos considerados impróprios para uma divindade encarnada. Por isto, os seus
sacerdotes acabaram com ele. Nos 170 anos seguintes, apesar do seu
reconhecido estatuto de deuses, cinco Dalai Lamas foram assassinados pelos
seus altos sacerdotes ou outros cortesãos [5]. Shangri-La
(parA senhores e lamas) As religiões têm tido uma
relação próxima, não apenas com a violência, mas com a exploração económica.
De facto, é frequentemente a exploração económica que necessita da violência.
Tal foi o caso com a teocracia tibetana. Até 1959, quando o Dalai Lama
presidiu pela última vez sobre o Tibete, muita da terra arável ainda estava
organizada em propriedades senhoriais trabalhadas por servos. Mesmo um
escritor simpatizante da velha ordem concede que «uma boa parte dos bens
imobiliários pertenciam a mosteiros, e muitos deles acumulavam grandes
riquezas... Para além disso, monges individuais e lamas puderam acumular
grande riqueza através da participação activa em negócios, comércio, e
empréstimo de dinheiro» [6]. O mosteiro Deprung era um dos maiores
proprietários do mundo, com as suas 185 casas senhoriais, 25.000 servos, 300
grandes pastagens, e 16.000 pastores. A riqueza dos mosteiros ia sobretudo
para os lamas mais graduados, muitos deles descendentes de famílias
aristocráticas. Chefes seculares também se
davam bem. Um exemplo notável foi o comandante em chefe do exército tibetano,
que possuía 4.000 quilómetros quadrados de terras e 3.500 servos. Também era
membro do gabinete secular do Dalai Lama [7]. O Velho Tibete tem sido
deturpado pelos seus admiradores ocidentais como «uma nação que não requeria
força policial porque o seu povo observava voluntariamente as leis do karma»
[8]. Na verdade, tinha um exército profissional, apesar de pequeno, que
servia como guarda dos proprietários para manter a ordem e caçar servos
fugitivos. Jovens rapazes tibetanos eram
regularmente arrancados das suas famílias e trazidos para os mosteiros para
serem treinados como monges. Uma vez lá, ficavam presos para a vida.
Tashi-Tsering, um monge, relatou que era comum crianças camponesas serem
sexualmente molestadas nos mosteiros. Ele próprio foi uma vítima de violação
repetida, com início aos nove anos [9]. As propriedades monásticas também
recrutavam crianças camponesas empobrecidas para a servidão durante toda a
vida como domésticos, dançarinos, e soldados. No velho Tibete havia um
pequeno número de agricultores que subsistiam como uma espécie de campesinato
livre, e talvez umas 10.000 pessoas adicionais que compunham a “classe
média”, famílias de mercadores, donos de lojas, e pequenos comerciantes. Milhares
de outros eram pedintes. Uma pequena minoria eram escravos, usualmente
servidores domésticos, que nada possuíam. Os seus descendentes nasciam na
escravidão [10]. A maior parte da população rural – uns 700.000 de um total
estimado de 1.250.000 – eram servos. Servos e outros camponeses estavam
geralmente pouco melhor que os escravos. Viviam sem escolaridade ou cuidados
médicos. Passavam a maior parte do seu tempo trabalhando para lamas de alta
graduação ou para a aristocracia proprietária secular. Os seus senhores
diziam‑lhes que colheitas cultivar e que animais criar. Não podiam
casar sem o consentimento do seu senhor ou lama. E podiam facilmente ser
separados das suas famílias caso os seus donos os enviassem para trabalhar em
localidades distantes [11]. Uma mulher de 22 anos, ela
própria uma serva fugitiva, relata: «Raparigas servas bonitas eram usualmente
levadas pelo dono como servas domésticas e usadas como ele quisesse». Elas
«eram apenas escravas sem direitos» [12]. Os servos precisavam de permissão
para ir a qualquer lado. Os proprietários tinham a autoridade legal para
capturar aqueles que tentavam fugir. Um fugitivo de 24 anos recebeu a
intervenção chinesa como uma “libertação”. Ele alegou que sob a servidão
estava sujeito a labuta, fome e frio incessantes. Após a sua terceira fuga
falhada, foi espancado sem piedade pelos homens do senhor até que o sangue
brotou do seu nariz e boca. Eles então derramaram álcool e soda cáustica nas
suas feridas para aumentar a dor [13]. Os servos encontravam‑se
sob um vínculo para toda a vida, para trabalhar a terra do senhor – ou a
terra do mosteiro – sem paga, para reparar as casas do senhor, transportar as
suas colheitas, e colher a sua lenha. Também se esperava que providenciasse
animais de carga e transporte a pedido [14]. Eles pagavam impostos quando
casavam, pagavam impostos quando nascia cada criança, e por cada morte na
família. Eles pagavam impostos por plantar uma árvore no seu quintal e por
manter animais. Havia impostos para festivais religiosos, para cantar, para
dançar, tocar tambor, e soar sinos. As pessoas pagavam impostos por serem
enviadas para a prisão e após serem libertadas. Aqueles que não conseguiam
encontrar trabalho pagavam impostos por estar desempregados, e, se viajassem
para outra aldeia à procura de trabalho, pagavam um imposto de passagem.
Quando as pessoas não podiam pagar, os mosteiros emprestavam‑lhes
dinheiro com 20 a 50 por cento de juros. Algumas dívidas passavam de pai para
filho para neto. Devedores que não conseguiam cumprir as suas obrigações
arriscavam‑se a ser postos em escravidão, por vezes pelo resto das
suas vidas [15]. Os ensinamentos da teocracia
religiosa defendiam com convicção a sua ordem de classe. Os pobres e aflitos
eram ensinados de que tinham trazido os seus problemas sobre eles próprios
por causa dos seus percursos malvados noutras vidas. Portanto, tinham de
aceitar a miséria da sua presente existência como uma expiação karmica e em
antecipação de que a sua sorte melhoraria após terem renascido. Os ricos e
poderosos, claro, tratavam a sua boa fortuna como uma recompensa pela, e
prova tangível de, virtude em vidas passadas e presente. Tortura
e Mutilação No Tibete do Dalai Lama, a
tortura e a mutilação – incluindo o vazamento de olhos, o arrancar de
línguas, o corte de tendões, a amputação – eram punições favoritas infligidas
aos servos fugitivos e ladrões. Viajando pelo Tibete nos anos 60, Stuart e
Roma Gelder entrevistaram um antigo servo, Tsereh Wang Tuei, que tinha
roubado duas ovelhas pertencentes a um mosteiro. Por isto teve ambos os olhos
vazados e a sua mão mutilada e inutilizada. Ele explica que já não é budista:
«Quando um lama sagrado lhes disse para me cegarem, pensei que a religião não
valia a pena» [16]. Como era contra os ensinamentos budistas tirar a vida
humana, alguns delinquentes eram severamente chicoteados e depois “deixados à
mercê de Deus” na noite gelada para morrer. «Os paralelos entre o Tibete e a
Europa medieval são impressionantes», conclui Tom Grunfeld no seu livro sobre
o Tibete [17]. Em 1959, Anna Louise Strong
visitou uma exposição de equipamento de tortura que tinha sido usado pelo
senhores feudais tibetanos. Havia algemas de todos os tamanhos, incluindo
pequenas para as crianças, e instrumentos para cortar narizes e orelhas,
vazar olhos, e quebrar mãos. Havia instrumentos para cortar em fatias rótulas
e calcanhares, ou tendões das pernas. Havia ferros para marcar em brasa,
chicotes, e instrumentos especiais para estripar [18]. A exposição apresentava
fotografias e testemunhos das vítimas que tinham sido cegadas ou estropiadas
ou sofrido amputações por roubo. Havia um pastor cujo senhor lhe devia um
reembolso em yuan e trigo, mas se recusou a pagar. Então ele tomou uma das
vacas do senhor; por isto ele teve as suas mãos decepadas. Outro pastor, que
se opunha a que o seu senhor tomasse dele a sua esposa, teve as suas mãos
partidas. Havia fotografias de activistas comunistas com narizes e lábios
superiores cortados, e de uma mulher que foi violada e depois teve o seu
nariz decepado [19]. Os primeiros visitantes do
Tibete comentam acerca de um despotismo teocrático. Em 1895, um inglês, o Dr.
A. L. Waddell, escreveu que o povo estava sob a «intolerável tirania dos
monges» e as superstições demoníacas que eles tinham fabricado para aterrorizar
as pessoas. Em 1904, Perceval Landon descreveu o reinado do Dalai Lama como
«uma maquinaria de opressão». Por volta dessa altura, outro viajante inglês,
o capitão W.F.T. O'Connor, observou que«os grandes proprietários e os
sacerdotes... exercem cada um no seu domínio um poder despótico do qual não
há apelo», enquanto as pessoas estão «oprimidas pelo mais monstruoso
crescimento de monasticismo e intriga sacerdotal». Os governantes tibetanos
«inventaram lendas degradantes e estimularam o espírito de superstição» entre
o povo comum. Em 1937, outro visitante, Spencer Chapman, escreveu, «O monge
lamaista não passa o seu tempo prestando assistência ao povo ou educando‑o...
O pedinte na berma da estrada nada é para o monge. O conhecimento é a
prerrogativa dos mosteiros guardada com inveja e é usado para aumentar a sua
influência e riqueza» [20]. Ocupação
e Revolta Os comunistas chineses
ocuparam o Tibete em 1951, reclamando a soberania sobre esse país. O tratado
de 1951 provia auto‑governo ostensível sob o reinado do Dalai Lama,
mas dava à China controlo militar e direito exclusivo a conduzir a política
externa. Aos chineses também foi garantido um papel directo na administração
interna «para promover reformas sociais». No princípio, mexeram‑se
devagar, fiando‑se sobretudo na persuasão numa tentativa de provocar a
mudança. Entre as primeiras reformas que forjaram foi reduzir juros
usurários, e construir alguns hospitais e estradas. «Ao contrário da crença
popular no Ocidente», escreve um observador, os chineses «tiveram o cuidado
de mostrar respeito pela cultura e pela religião tibetanas». Nenhuma
propriedade aristocrática ou monástica foi confiscada, e os senhores feudais
continuaram a reinar sobre os camponeses a eles hereditariamente ligados
[21]. Os senhores tibetanos e os
lamas tinham visto os chineses chegar e partir ao longo dos séculos e tinham
gozado de boas relações com o Generalíssimo Chiang Kaishek e o seu governo
Kuomintang reaccionário na China [2]. A aprovação do governo Kuomintang era
necessária para validar a escolha do Dalai Lama e do Panchen Lama. Quando o
jovem Dalai Lama foi instalado em Lhasa, foi com uma escolta armada de tropas
chinesas e um ministro chinês assistente, de acordo com a tradição de
séculos. O que incomodou os senhores e lamas tibetanos foi que estes últimos
senhores chineses eram comunistas. Seria apenas uma questão de tempo,
temeram, até que os comunistas começassem a impor as suas soluções
colectivistas igualitárias no Tibete. Em 1956-57, bandos armadas
tibetanos embuscaram comboios do Exército de Libertação do Povo Chinês. O
levantamento recebeu extensa assistência da Agência Central de Inteligência
(CIA) dos EU, incluindo treino militar, campos de apoio no Nepal e numeroso
transporte aéreo [23]. Entretanto, nos Estados Unidos, a American Society for
a Free Asia [Sociedade Americana para uma Ásia Livre], uma fachada da CIA,
publicitava energicamente a causa da resistência tibetana, com o irmão mais
velho do Dalai Lama, Thubtan Norbu, assumindo um papel activo nesse grupo. O
segundo irmão mais velho do Dalai Lama, Gyalo Thondup, estabeleceu uma
operação de inteligência com a CIA em 1951. Mais tarde remodelou‑a
para uma unidade de guerrilha treinada pela CIA cujos recrutas foram largados
de pára-quedas no Tibete [24]. Muitos comandos e agentes
tibetanos lançados pela CIA no país eram chefes de clãs aristocratas ou
filhos de chefes. Nunca mais se ouviu falar de noventa por cento deles, de
acordo com um relatório da própria CIA, querendo dizer que muito
provavelmente foram capturados e mortos [25]. «Muitos lamas e membros leigos
da elite e muito do exército tibetano juntaram‑se ao levantamento, mas
no essencial o povo não, assegurando o seu falhanço», escreve Hugh Deane
[26]. No seu livro sobre o Tibete, Ginsburg e Mathos chegam a uma conclusão
similar: «Tanto quanto se pode dizer, o grosso das pessoas comuns de Lhasa e
do campo circundante falharam em juntar‑se à luta contra os chineses,
tanto quando começou, como quando progrediu» [27]. Eventualmente, a
resistência desintegrou‑se. ENTRAM OS COMUNISTAS Sejam quais forem os males e
novas opressões introduzidas pelos chineses no Tibete, após 1959 eles
aboliram a escravatura e o sistema de servidão de trabalho não pago, e
puseram um fim às flagelações, mutilações e amputações como uma forma de
punição criminal. Eliminaram as muitas taxas esmagadoras, iniciaram projectos
de obras, e reduziram em muito o desemprego e a indigência. Instituíram uma
educação secular, consequentemente quebrando o monopólio educacional dos
mosteiros. E construíram sistemas de água potável e de electricidade em Lhasa
[28]. Heinrich Harrer (revelado
mais tarde ter sido um sargento nas SS de Hitler) escreveu um bestseller
sobre as suas experiências no Tibete que foi transformado num filme popular
de Hollywood. Ele relatou que os tibetanos que resistiram aos chineses «eram
predominantemente nobres, semi‑nobres e lamas; foram punidos ao ser
obrigados a desempenhar as tarefas mais rudes, tais como trabalhar nas
estradas e nas pontes. Foram ainda mais humilhados ao ser obrigados a limpar
a cidade antes de os turistas chegarem». Também tinham de viver num campo
originalmente reservado a pedintes e vagabundos [29]. Em 1961, os chineses
expropriaram as propriedades imobiliárias possuídas por senhores e lamas, e
reorganizaram os camponeses em centenas de comunas. Distribuíram centenas de
milhares de acres a rendeiros e camponeses sem
terra. Rebanhos antes pertença da nobreza foram entregues a colectivos de
pastores pobres. Melhorias foram feitas na reprodução de gado, e novas
variedades de vegetais e novas estirpes de trigo e cevada foram introduzidas,
juntamente com melhorias na irrigação, o que no seu conjunto comprovadamente
levou a um aumento na produção agrária [30]. Muitos camponeses
permaneceram tão religiosos como sempre, dando esmolas ao clero. Mas os
muitos monges que tinham sido recrutados para as ordens religiosas enquanto
crianças eram agora livres de renunciar à vida monástica, e milhares fizeram‑no,
especialmente os mais novos. O clero restante vivia de modestos estipêndios
governamentais, e de rendimentos extra ganhos em oficiar missas, casamentos,
e funerais [31]. Tanto o Dalai Lama como o seu
conselheiro e irmão mais novo, Tendzin Choegyal, alegaram que «mais de 1,2 milhões
de tibetanos estão mortos em resultado da ocupação chinesa» [32]. Mas o censo
oficial de 1953 – seis anos antes da investida chinesa – registava a
totalidade da população residindo no Tibete em 1.274.000 [33]. Outras
contagens censitárias fixaram a população étnica do Tibete dentro do país em
cerca de dois milhões. Se os chineses mataram 1,2 milhões no princípio dos
anos 60, então cidades inteiras e enormes porções do campo, de facto quase
todo o Tibete, teria sido privado de população, transformado numa região de
morte pontuada de campos de morte e sepulturas em massa – de que não vimos
evidência. As pouco densamente distribuídas forças militares chinesas no
Tibete não eram suficientemente grandes para cercar, caçar, e exterminar
tantas pessoas, mesmo que passassem todo o seu tempo não fazendo mais nada. As autoridades chinesas de
facto admitem “erros”, particularmente durante a Revolução Cultural de 1966‑76
quando a perseguição religiosa atingiu a maré alta tanto na China como no
Tibete. Após o levantamento de fins dos anos 50, milhares de tibetanos foram
encarcerados. Durante o Grande Passo em Frente, a colectivização forçada e o
cultivo de grão foram impostos ao campesinato, por vezes com efeitos
desastrosos. No fim dos anos 70, a China começou a relaxar o controlo sobre o
Tibete «e tentou desfazer algum do dano forjado durante as duas décadas
anteriores» [34]. Em 1980, o governo chinês
iniciou reformas comprovadamente desenhadas para conceder ao Tibete um maior
grau de auto‑governo e de auto‑administração. Os tibetanos
poderiam agora cultivar lotes privados, vender os seus excessos de colheita,
decidir por eles próprios que colheitas cultivar, e possuir yaks e ovelhas. A
comunicação com o mundo exterior foi de novo permitida, e os controles de fronteira
foram facilitados para permitir aos tibetanos visitar parentes exilados na
Índia e no Nepal [35]. Nos anos 90, os Han, o grupo
étnico compreendendo 95 por cento da imensa população chinesa, começou a
transladar‑se em números substanciais para o Tibete e várias
províncias ocidentais. Nas ruas de Lhasa e shigatse, sinais de preeminência
Han são imediatamente visíveis. Os chineses dirigem as fábricas e muitas das
lojas e bancas de venda. Altos edifícios de escritórios e grandes centros de
comércio foram construídos com fundos que teriam sido mais bem gastos em
plantas de tratamento e armazenamento de água. Quadros chineses no Tibete com
demasiada frequência encaram os seus vizinhos tibetanos como atrasados e
preguiçosos, com necessidade de desenvolvimento económico e “educação
patriótica”. Durante os anos 90, funcionários do governo tibetano suspeitos
de esconder simpatias nacionalistas foram purgados dos gabinetes, e foram
lançadas campanhas para desacreditar o Dali Lama. Indivíduos tibetanos foram
comprovadamente sujeitos a detenção, encarceramento, e trabalhos forçados por
levar a cabo actividades separatistas e se envolverem em “subversão”
política. Alguns detidos foram mantidos em prisão administrativa sem
alimento, água e agasalho adequados, sujeitos a ameaças, espancamentos, e
outros maus tratos [36]. A legislação chinesa de
planeamento familiar permite um limite de três crianças para famílias
tibetanas. (Durante anos houve o limite de uma criança para famílias Han.) Se
um casal ultrapassar o limite, às crianças em excesso podem ser negados
cuidados diários, cuidados de saúde, alojamento, e educação. Estas
penalizações têm sido impostas irregularmente e variam de distrito para
distrito. Entretanto, a história, a cultura e a religião do Tibete são desprezadas
nas escolas. Os materiais de ensino, embora traduzidos para tibetano, enfocam
a história e a cultura chinesas [37]. ELITES, EMIGRADOS, E A CIA Para os ricos lamas e
senhores, a intervenção comunista foi uma calamidade. Muitos deles fugiram
para o estrangeiro, como o próprio Dalai Lama, que foi assistido na sua fuga
pela CIA. Alguns descobriram com horror que teriam de trabalhar para ganhar a
vida. Contudo, ao longo dos anos 60, a comunidade de exilados tibetana estava
secretamente a meter ao bolso US$1,7 milhões por ano da CIA, de acordo com
documentos libertados pelo Departamento de Estado em 1998. Logo que este
facto foi publicitado, a própria organização do Dalai Lama emitiu uma
declaração admitindo que tinha recebido milhões de dólares da CIA durante os
anos 60 para enviar pelotões armados de exilados para o Tibete para minar a
revolução maoista. O pagamento anual do Dalai Lama por parte da CIA era
US$186.000. Os serviços secretos indianos também financiaram tanto ele como
outros exilados tibetanos. Ele recusou‑se a dizer se ele ou os seus
irmãos tinham trabalhado para a CIA. A agência também se recusou a comentar
[38]. Em 1995, o News &
Observer of Raleigh, da Carolina do Norte, trazia na capa uma
fotografia a cores do Dalai Lama a ser abraçado pelo senador republicano
reaccionário Jesse Helms, sob o título “Budista cativa herói da direita
religiosa” [39]. Em Abril de 1999, juntamente com Margaret Thatcher, o Papa
João Paulo II, e o primeiro George Bush, o Dalai Lama apelou ao governo
britânico para libertar Augusto Pinochet, antigo ditador fascista do Chile e
cliente da CIA de longa data, que tinha sido preso enquanto visitada a
Inglaterra. O Dalai Lama pedia que Pinochet não fosse forçado a ir para
Espanha onde era demandado para enfrentar um julgamento por crimes contra a
humanidade. Actualmente, sobretudo
através do National Endowment for Democracy [Fundo Nacional para a
Democracia] e outros canais que soam mais respeitáveis do que a CIA, o
Congresso dos EU continua a destinar US$2 milhões anuais para os tibetanos na
Índia, com milhões adicionais para “actividades de democracia” no interior da
comunidade de exilados tibetanos. O Dalai Lama também obtém dinheiro do
financeiro George Soros, que dirige a Radio Free Europe/Radio Liberty, criada
pela CIA, e outros institutos [40]. A QUESTÃO DA CULTURA Dizem‑nos que, quando
o Dalai Lama governava o Tibete, as pessoas viviam em simbiose satisfeita e
tranquila com os senhores monásticos e seculares, numa ordem social
sustentada por uma cultura profundamente espiritual, não violenta, inspirada
por ensinamentos religiosos humanos e pacíficos. A cultura religiosa tibetana
era a cola social e o bálsamo reconfortante que mantinham o rico lama e o
pobre camponês ligados espiritualmente entre si, para perpetuar aqueles
prosélitos que abraçavam o Velho Tibete como uma pureza cultural, um Shangri‑La. Isso faz‑nos lembrar o
imaginário idealizado da Europa feudal apresentado ultimamente por católicos
conservadores tais como G. K. Chesterton e Hilaire Belloc. Para eles, a
Cristandade medieval era um mundo de camponeses satisfeitos vivendo num laço
espiritual profundo com a sua Igreja, sob a protecção dos seus senhores [41].
De novo somos convidados a aceitar uma cultura particular nos seus próprios
termos, o que quer dizer aceitá‑la tal como é apresentada pela sua
classe favorecida, por aqueles no topo que mais beneficiavam dela. A imagem de
Shangri-La do Tibete não mostra mais semelhança com a realidade histórica do
que a imagem romantizada da Europa medieval. Quando visto em todas as suas
feias realidades, o Velho Tibete confirma o ponto de vista expresso antes
neste livro de que a cultura é tudo menos neutral. A cultura pode operar como
uma cobertura legitimadora para um conjunto de graves injustiças,
beneficiando alguma porção da população de uma sociedade a grande custo para
outros segmentos. No Tibete teocrático, os interesses das classes dominantes
manipularam a cultura tradicional para fortalecer a sua riqueza e poder. A
teocracia igualava pensamento e acção rebelde com influência satânica.
Propagou a presunção geral da superioridade dos proprietários e da
indignidade dos camponeses. Os ricos foram apresentados como merecendo a sua
boa vida, e os pobres como merecendo a sua má e humilde existência, tudo
codificado nos ensinamentos sobre os resíduos karmicos de virtudes e vícios
acumulados de vidas passadas, tudo apresentado como parte da vontade de Deus. Pode ser dito que nós,
cidadãos do mundo secular moderno, não podemos apreender a equação de
felicidade e dor, contentamento e tradição, que caracterizam sociedades
espirituais mais tradicionais. Isto é provavelmente verdade, e pode explicar
porque é que alguns de nós idealizam tais sociedades. Ainda assim, um olho
vazado é um olho vazado; uma flagelação é uma flagelação; e a triturante
exploração de servos e escravos é uma brutal injustiça de classe seja qual
for o seu embrulho cultural. Há uma diferença entre um laço espiritual e a
escravidão humana, mesmo quando ambos existem lado a lado. Muitos tibetanos comuns querem
o Dalai Lama de volta ao seu país, mas parece que relativamente poucos querem
voltar à ordem social que ele representava. Uma história de 1999 no
Washington Post aponta que ele continua a ser reverenciado no Tibete, mas … poucos tibetanos dariam as boas vindas ao retorno dos clãs aristocráticos corruptos que fugiram com ele em 1959 e que compreendem a maior parte dos seus conselheiros. Muitos agricultores tibetanos, por exemplo, não têm interesse em entregar aos clãs a terra que receberam durante a reforma agrária da China. Os antigos escravos do Tibete também dizem que não querem os seus antigos senhores de volta ao poder. «Já vivi essa vida antes», disse Wangchuk, um antigo escravo de 67 anos que usava as suas melhores roupas para a sua peregrinação anual a Shigatse, um dos locais mais sagrados do budismo tibetano. Ele disse que prestava culto ao Dalai Lama, mas acrescentou, «Posso não ser livre sob o comunismo chinês, mas estou melhor do que quando era um escravo». [42] Kim Lewis, que estudou
métodos de cura com um monge budista em Berkeley, na Califórnia, teve
oportunidade de falar demoradamente com mais de uma dúzia de mulheres
tibetanas que viviam no prédio do monge. Quando perguntou como elas se
sentiam acerca de voltar à sua terra natal, o sentimento foi unanimemente
negativo. A princípio, Lewis pensou que a sua resistência tinha a ver com a
ocupação chinesa, mas elas rapidamente a informaram do contrário. Disseram
que estavam extremamente gratas de «não terem que casar com 4 ou 5 homens,
estar grávidas quase todo o tempo», ou lidar com doenças sexualmente
transmissíveis contraídas de um marido extraviado. As mulheres mais novas
«estavam encantadas por estarem a receber uma educação, não queriam ter nada
a ver com qualquer religião, e questionaram‑se porque é que os
americanos eram tão ingénuos». Relataram histórias das experiências penosas
das suas avós com monges que as usaram como “companheiras de sabedoria”,
dizendo‑lhes «quanto mérito estavam a obter ao providenciar os “meios
de iluminação” – afinal de contas, o Buda tinha de estar com uma mulher para
atingir o esclarecimento». As mulheres entrevistadas por
Lewis falaram amargamente sobre a confiscação dos seus rapazes pelos
mosteiros do Tibete. Quando um rapaz gritava pela sua mãe, era‑lhe dito
«Porque choras por ela, ela deu‑te – é apenas uma mulher». Entre as
outras questões estava «a violenta homossexualidade na seita Gelugpa. Nem
tudo estava bem no Shangri‑La», opina Lewis [43]. Os monges a quem era
concedido asilo político na Califórnia candidatavam‑se à Segurança
Social. Lewis, ela própria uma devota durante algum tempo, ajudava com a
papelada. Ela observa que eles continuam a receber cheques da Segurança
Social que montam de US$550 a US$700 por mês, juntamente com Medicare e
MediCal. Ademais, os monges residem sem pagar renda em apartamentos
agradavelmente mobilados. «Não pagam serviços, têm acesso gratuito à Internet
em computadores providos para eles, juntamente com máquinas de fax, telefones
móveis e fixos e TV cabo gratuitos». Ademais, recebem um pagamento mensal da
sua ordem. E o centro dharma aceita a oferta de uma colecta especial dos seus
membros (todos americanos), aparte da quota de sócio. Alguns membros
desempenham avidamente tarefas para os monges, incluindo compras de mercearia
e limpeza dos seus apartamentos e casas de banho. Estes mesmos homens santos
«não têm problemas em criticar os americanos pela sua “obsessão com as coisas
materiais”» [44]. Apoiar o derrube chinês da
velha aristocracia feudal não é aplaudir tudo acerca da governação chinesa no
Tibete. Este ponto é raramente compreendido pelos actuais aderentes do
Shangri‑La no Ocidente. A inversa também é
verdadeira. Denunciar a ocupação chinesa não significa que temos de
romantizar o antigo regime feudal. Uma queixa comum entre os seguidores
budistas no Ocidente é que a cultura religiosa do Tibete está a ser minada
pela ocupação. De facto, este parece ser o caso. Muitos dos mosteiros estão
fechados, e a teocracia passou à história. O que estou a questionar aqui é a
supostamente admirável e imaculada natureza espiritual dessa cultura pré‑invasão.
Em suma, podemos advogar a liberdade religiosa e a independência para o
Tibete sem abraçar a mitologia do Paraíso Perdido. Finalmente, deve ser notado
que o criticismo aqui posto não tenciona ser um ataque pessoal ao Dalai Lama.
Sejam quais forem as suas associações passadas com a CIA e vários
reaccionários, ele fala frequentemente em paz, amor e não violência. E ele
próprio na verdade não pode ser censurado pelos abusos do antigo regime,
tendo apenas 15 anos quando fugiu para o exílio. Em 1994, numa entrevista com
Melvyn Goldstein, ele recordou ter favorecido desde a sua juventude a
construção de escolas, “máquinas”, e estradas no seu país. Ele reivindica ter
pensado que a corveia (trabalho forçado não pago dos servos para benefício do
senhor) e certas taxas impostas aos camponeses eram «extremamente más». E
desagradava‑lhe o modo como as pessoas eram sobrecarregadas com velhas
dívidas que por vezes passavam de geração para geração [45]. Além disso, ele
agora propõe a democracia para o Tibete, incluindo uma constituição escrita,
uma assembleia representativa, e outros elementos essenciais da democracia
[46]. Em 1996, o Dalai Lama emitiu
uma declaração que deve ter tido um efeito perturbador na comunidade de
exilados. Diz em parte o seguinte: De todas a teorias
económicas modernas, o sistema económico do marxismo está fundado em
princípios morais, enquanto o capitalismo se preocupa apenas com ganho e
lucro. O marxismo preocupa‑se com a distribuição da riqueza em bases
igualitárias e com a utilização igualitária dos meios de produção. Também se
preocupa com o destino da classe trabalhadora – isto é, a maioria – assim
como com o destino daqueles que são desfavorecidos e necessitados, e o
marxismo preocupa‑se com as vítimas da exploração imposta pela
minoria. Por essas razões, o sistema atrai‑me, e parece‑me
justo... Penso em mim próprio como metade‑marxista, metade‑budista.
[47] E mais recentemente, em 2001,
enquanto visitava a Califórnia, ele assinalou que «o Tibete, materialmente,
está muito, muito atrasado. Espiritualmente é bastante rico. Mas a
espiritualidade não consegue encher os nossos estômagos» [48]. Aqui está uma
mensagem a que devia ser prestada atenção pelos bem alimentados prosélitos
budistas no Ocidente que reluzem nostalgia pelo Velho Tibete. O que tentei desafiar é o
mito do Tibete, a imagem do Paraíso Perdido de uma ordem social que na
verdade era uma teocracia retrógrada de servidão e pobreza, onde uma minoria
favorecida vivia elevada e poderosa do sangue, suor, e lágrimas da maioria.
Estava muito longe de Shangri‑La. |
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[1] Melvyn C.
Goldstein, The Snow Lion and the Dragon: China, Tibet, and the Dalai Lama (Berkeley:
University of California Press, 1995), 6-16.
[2] Mark Juergensmeyer, Terror in the Mind of God (Berkeley:
University of California Press, 2000), 113.
[3] Kyong-Hwa Seok, “Korean Monk Gangs Battle for Temple Turf”, San
Francisco Examiner, Dezembro 3, 1998.
[4] Dalai Lama citado em Donald Lopez Jr., Prisoners of Shangri-La:
Tibetan Buddhism and the West (Chicago and London: Chicago University
Press, 1998), 205.
[5] Stuart Gelder e Roma Gelder, The Timely Rain: Travels in New
Tibet (New York: Monthly Review Press, 1964), 119, 123.
[6] Pradyumna P. Karan, The Changing Face of Tibet: The Impact of
Chinese Communist Ideology on the Landscape (Lexington, Kentucky:
University Press of Kentucky, 1976), 64.
[7] Gelder e Gelder, The Timely Rain, 62 e 174.
[8] Como apontado cepticamente por Lopez, Prisoners of Shangri-La,
9.
[9] Melvyn Goldstein, William Siebenschuh, and Tashì-Tsering, The
Struggle for Modern Tibet: The Autobiography of Tashì-Tsering (Armonk,
N.Y.: M.E. Sharpe, 1997).
[10] Gelder e Gelder, The Timely Rain, 110.
[11] Anna Louise Strong, Tibetan Interviews (Peking: New World
Press, 1929), 15, 19-21, 24.
[12] Citado em Strong, Tibetan Interviews, 25.
[13] Strong, Tibetan Interviews, 31.
[14] Melvyn C. Goldstein, A History of Modern Tibet 1913-1951
(Berkeley: University of California Press, 1989), 5.
[15] Gelder e Gelder, The Timely Rain, 175-176; e Strong, Tibetan
Interviews, 25-26.
[16] Gelder e Gelder, The Timely Rain, 113.
[17] A. Tom Grunfeld, The Making of Modern Tibet rev. ed.
(Armonk, N.Y. e London: 1996), 9 e 7-33 para uma discussão geral do Tibete
feudal; ver também Felix Greene, A Curtain of Ignorance (Garden City,
N.Y.: Doubleday, 1961), 241-249; Goldstein, A History of Modern Tibet
1913-1951, 3-5; e Lopez, Prisoners of Shangri-La, passim.
[18] Strong, Tibetan Interviews, 91-92.
[19] Strong, Tibetan Interviews, 92-96.
[20] Waddell, Landon, e O'Connor são citados em Gelder e Gelder, The
Timely Rain, 123-125.
[21] Goldstein, The Snow Lion and the Dragon, 52.
[22] Heinrich Harrer, Return to Tibet (New York: Schocken, 1985),
29.
[23] Ver Kenneth Conboy e James Morrison, The CIA's Secret War in
Tibet (Lawrence, Kansas: University of Kansas Press, 2002); e William
Leary, "Secret Mission to Tibet," Air & Space, Dezembro
1997/Janeiro 1998.
[24] Sobre as ligações
da CIA ao Dalai Lama e à sua familia e séquito, ver Loren Coleman, Tom Slick
and the Search for the Yeti (London: Faber and Faber, 1989).
[25] Leary, "Secret Mission to Tibet."
[26] Hugh Deane, "The Cold War in Tibet", CovertAction
Quarterly (Inverno 1987).
[27] George Ginsburg and Michael Mathos, Communist China and Tibet (1964),
citado em Deane, "The Cold War in Tibet." Deane aponta que a autora Bina Roy chegou a uma
conclusão similar.
[28] Ver Greene, A Curtain of Ignorance, 248 e passim; e
Grunfeld, The Making of Modern Tibet, passim.
[29] Harrer, Return to Tibet, 54.
[30] Karan, The Changing Face of Tibet, 36-38, 41, 57-58; London
Times, 4 Julho 1966.
[31] Gelder e Gelder, The Timely Rain, 29 e 47-48.
[32] Tendzin Choegyal, "The Truth about Tibet,"
Imprimis (publicação do Hillsdale College, Michigan), Abril 1999.
[33] Karan, The Changing Face of Tibet, 52-53.
[34] Elaine Kurtenbach, relatório de Associate Press, San Francisco
Chronicle, 12 Fevereiro 1998.
[35] Goldstein, The Snow Lion and the Dragon, 47-48.
[36] Relatório do International Committee of Lawyers for Tibet, A
Generation in Peril (Berkeley Calif.: 2001), passim.
[37] International Committee of Lawyers for Tibet, A Generation in
Peril, 66-68, 98.
[38] Jim Mann, "CIA Gave Aid to Tibetan Exiles in '60s, Files
Show," Los Angeles Times, 15 Setembro 1998; e New York Times,
1 Outubro, 1998; e Morrison, The CIA's Secret War in Tibet.
[39] News & Observer, 6 Setembro 1995, citado em Lopez, Prisoners
of Shangri-La, 3.
[40] Heather Cottin, "George Soros, Imperial Wizard," CovertAction
Quarterly no. 74 (Outono 2002).
[41] Os Gelder fazem
esta comparação, The Timely Rain, 64.
[42] John Pomfret, "Tibet Caught in China's Web," Washington
Post, 23 Julho 1999.
[43] Kim Lewis,
correspondência para mim, 15 Julho 2004.
[44] Kim Lewis,
correspondência adicional para mim, 16 Julho 2004.
[45] Goldstein, The Snow Lion and the Dragon, 51.
[46] Tendzin Choegyal, "The Truth about Tibet."
[47] The Dalai Lama em Marianne Dresser (ed.), Beyond Dogma:
Dialogues and Discourses (Berkeley, Calif.: North Atlantic Books, 1996).
[48] Citado em San
Francisco Chronicle, 17 Maio 2001.