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23/05/2007 – Declaração do V Encontro Mundial de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade – Na transição das resistências
frente ao neoliberalismo às ofensivas contra esse modelo, que se produz actualmente
na América Latina, o papel dos meios de comunicação é transcendental. Por
isso, hoje mais do que nunca, manifestamo‑nos contra o poder sem
controle, não democrático e impune dos grandes meios de comunicação que
tentam impor a sua visão da realidade e os seus valores. Estes oligopólios
servem interesses económicos e políticos de accionistas, financeiros e
anunciantes. No entanto, as multinacionais
mediáticas estão a perder credibilidade e caiu por terra o mito da
invulnerabilidade dos meios de comunicação. Na América Latina, há dois pólos
equidistantes: por um lado, o reforço da soberania, e por outro, a renúncia
ao espaço público. Por exemplo, enquanto o México está a renunciar a esse
âmbito para entregá-lo perpetuamente a dois consórcios mediáticos, na
Venezuela está‑se a recuperar uma concessão que impunha a ditadura da
palavra e da imagem únicas (RCTV). Como disse o Presidente Hugo Chávez, agora
não estamos a lutar contra a liberdade de imprensa, estamos a restabelecer
essa liberdade. A rede de redes Em Defesa da
Humanidade pronuncia-se por assegurar o direito à informação e à comunicação
como um direito humano fundamental. Para isso, é essencial demonstrar a
ilegitimidade do actual sistema onde os meios de comunicação estão ao serviço
dos poderosos. Há que recordar que se produziu uma enorme concentração
antidemocrática e é esmagador o controle do capital financeiro sobre os
grandes meios de comunicação. Devemos identificar quem são
os aliados dos povos nos meios de comunicação e quem são os seus inimigos.
Denunciamos os mercenários intelectuais que alugam o seu pensamento às grandes
multinacionais. Denunciamos instituições e grupos de comunicação que em nome
de um distorcido conceito da liberdade de expressão servem estruturas
económicas e imperialistas, como a Repórteres Sem Fronteiras e a Sociedade
Interamericana de Imprensa. Além disso, condenamos o assassinato, a
perseguição e a exclusão nos meios de comunicação, de jornalistas que fizeram
e fazem do seu exercício uma tradição de luta pelos melhores interesses dos
seus povos. Para enfrentar o sistema
dominante, contamos com os meios de comunicação alternativos e a
possibilidade real de fortalecer a voz dos povos nos meios de comunicação tradicionais.
O alternativo não é avesso à excelência. É vital não afastar da veracidade, o
rigor e o profissionalismo, e evitar reproduzir formatos alienantes,
conceitos e práticas classistas, sexistas e racistas das multinacionais da
informação. O modelo de comunicação que
defendemos não é o do “socialismo real”, controlado por uma elite política
que renunciava à pluralidade e à comunicação verdadeira com os seus povos.
Reconhecemos que a neutralidade e a imparcialidade não existem: toda a
informação tem uma intencionalidade oculta ou manifesta. Os estados têm o dever de
garantir o direito à informação e a democratização dos meios de comunicação e
o acesso a todos os sectores sociais. Essa garantia consegue-se mediante o
uso público do espaço radioeléctrico e a propriedade social dos meios de
comunicação. A palavra socialismo tem
múltiplas interpretações, e por isso gera resistência em parte da opinião
pública. Legitimá‑la pressupõe resgatar as suas tradições na luta pela
justiça social, pela paz e pela felicidade dos povos. Devemos insistir mais
no conteúdo que no vocabulário. De forma estratégica há que combater e
continuar a deslegitimar o capitalismo, e identificar desde os problemas do
meio ambiente até à destruição social. A rede de redes Em Defesa da
Humanidade destaca os valores centrais do socialismo dos nossos dias: o uso
sustentável dos recursos naturais e o controle público dos que não são
renováveis; a satisfação das necessidades das pessoas acima dos critérios de
mercado; a defesa da democracia em todas as relações colectivas e de género,
e também, a interculturalidade, a possibilidade de acesso a todos os saberes,
filosofias e religiões. Reconhecemos o papel transcendente
dos povos originários nos processos revolucionários do nosso tempo e a sua
contribuição para a prática de uma democracia participativa que concebe o
governo como serviço, que manda obedecendo na solidariedade e no sentido
colectivo das suas instituições. Consideramos que se devem defender e
promover os meios próprios das comunidades. Solidarizamo‑nos com
as resistências contra a ocupação no Iraque e contra as intervenções no Médio
Oriente que, debilitando o império, permitem que os processos revolucionários
continuem a avançar na América Latina. Condenamos o duplo padrão do
governo de Washington, da União Europa e dos empórios mediáticos, que
promovem a doutrina do bom e do mau terrorista, como se verifica nos casos de
Luis Posada Carriles e dos Cinco cubanos presos nos Estados Unidos. Apoiamos os processos
revolucionários na América Latina e a presença da voz legítima dos povos nas
assembleias constituintes. Em particular, apoiamos os processos de mudança
que estão a ter lugar na Bolívia, que permitiram que os povos aumentem o seu
protagonismo. Reivindicamos o transcendente papel dos povos originários, das
mulheres e da juventude nas lutas de hoje. A Rede de Redes em Defesa da
Humanidade deve ampliar-se e fortalecer-se; deve promover estruturas de
tradução para que as línguas não sejam barreiras entre os povos; estimular
processos legais contra os meios de comunicação que violam o direito legítimo
à informação. A nossa luta é pela verdade e pela justiça! Cochabamba, Bolívia, 23 de
maio de 2007 Harald Neuber Anamaría Díaz Stella Calloni Luis Bilbao Roberto Montoya Marita Couto Juan Quintar François Houtart Michel Collon Pablo Groux Adalid Contreras Baspineiro Félix Gutiérrez Matta Clotilde Márquez Cruz Rafael Puente Carmen Guardia Gastón Núñez Iván Maldonado Arturo Cruz Arancibia Jorge Sanjinés Hugo Moldiz Miriam Suárez Vargas Irguen Pastén Fernando Morais Theotonio Dos Santos Manuel Cabieses Piedad Córdoba Fernando Rendón Alfredo Molano Bravo Rosanna Marín Abel Prieto Yamila Cohén Rafael Dausá Mercedes de Armas García Rosa Miriam Elizalde José Pertierra Frank González Pablo Guadarrama Antonio Preciado Freddy Ehlers Oswaldo León Trujillo Blanca Chancoso Juan González James Early James Cockroft Daniel del Solar Pascual Serrano Angel García Castillejo Juan Carlos Monedero Thierry Meissan Salim Lamrani Suzy Castor Charley Allan Tim Lezard Gennaro Carotenuto Fernando Buen Abad Carmen Lira Ana Esther Ceceña Gilberto López y Rivas José María Pérez Gay Tarik Alí Flaviano Iglesias Lopez. Martín Almada Wiston Orrilla José Ignacio López Vigil Javier Corcuera Manuel Robles Sosa Rafael Rodríguez Cruz Luisa Angélica Vicioso Sánchez (Chiqui) Samuel Blixen Fernando Butazzoni Francisco Sesto Blanca Eeckout Sergio Arria Angel Palacios Luis Britto García José Luis Méndez Oscar Humberto Pérez Sequera Helena Salcedo Andres Izarra Aram Aharonian Earle Herrera Ricardo Márquez Gonzalo Gómez Marcos Hernández Carlos Servando García María Alejandra Díaz Iván Padilla Yolanda Delgado Julio Montes Oscar Navas Tortolero Ivonne Caldera Juan Pablo Rossel H. Jomery Rodríguez Carmen Bohórquez |