Informação Alternativa

Iraque

14/11/2006

 

A saída

– Declaração do Tribunal de Bruxelas e da Rede Internacional Anti-Ocupação –

 

The BRussels Tribunal

 

As forças dos EUA devem negociar uma retirada imediata com a resistência iraquiana

O povo norte-americano deve responsabilizar os seus dirigentes pelo crime de guerra de agressão

 

Nas eleições de Novembro de 2006 para o Congresso, o povo norte-americano expressou a sua clara rejeição da guerra no Iraque conduzida pela administração Bush. Contudo, é necessário um amplo movimento de opinião para forçar os dirigentes norte-americanos a respeitar a vontade da sua população e, mais ainda, do povo do Iraque.

 

As chefias militares dos EUA admitem que a invasão e a ocupação do Iraque provocou o “caos”. A conclusão lógica é que a própria presença dos EUA, baseada numa agressão criminosa e em múltiplos crimes contra a humanidade, é responsável por esse caos; e que, para fazer regressar a estabilidade, os Estados Unidos devem retirar­‑se imediatamente.

 

Os dirigentes norte-americanos, porém, continuam a proclamar que devem permanecer no Iraque para alcançar “estabilidade”. Para este fim, falam em criar um exército iraquiano fantoche, treinado por norte­‑americanos, para combater a resistência, e em seduzir potências estrangeiras a ajudarem a acabar com a resistência.

 

Isto significa incrementar tanto a guerra civil como a intervenção estrangeira, na tentativa de retirar ao povo iraquiano o direito soberano de decidir o seu próprio futuro.

 

Entretanto, o Iraque está a ser destruído. As suas infra­‑estruturas foram arruinadas. A população morre às centenas de milhar ou foge para o estrangeiro. É urgente acabar com este crime de massas e devolver o Iraque ao seu povo.

 

Para este fim, exortamos a opinião pública mundial a fazer duas exigências:

 

NEGOCIAR COM A RESISTÊNCIA!

 

A invasão pelos Estados Unidos foi uma clara violação do direito internacional. Em contrapartida, o direito internacional reconhece a legitimidade da resistência armada à invasão e ocupação estrangeira. Estes princípios não podem ser negados pelo facto de os EUA terem sido capazes de usar a sua imensa influência para persuadir o Conselho de Segurança da ONU a reconhecer a sua presença como tendo sido pedida por um governo que não passa de um regime fantoche instalado por Washington.

 

A resistência armada expressa o legítimo desejo da grande maioria do povo iraquiano de libertar a sua terra da ocupação estrangeira. A resistência nacional popular no Iraque é a única força legítima e capaz de defender a soberania popular e determinar o futuro do Iraque libertado.

 

Em vez de negociarem com potências regionais vizinhas na esperança de porem a resistência sob controlo estrangeiro, os Estados Unidos devem negociar directamente com a própria resistência.

 

PUNIR OS CRIMES!

 

Apoiamos todos os esforços do povo norte-americano para iniciar uma completa investigação de todos os funcionários, do mais alto ao mais baixo nível, que deliberadamente espalharam uma teia de mentiras e enganos com o fim de criar o pretexto para a criminosa invasão do Iraque. Acreditamos que uma tal investigação forneceria ampla fundamentação para a destituição quer do presidente George W. Bush, quer do vice­‑presidente Dick Cheney.

 

A rejeição desta liderança criminosa seria um primeiro passo para uma completa reconciliação com o martirizado povo do Iraque, criando as bases para um acordo de paz que incluísse indemnizações ao país despedaçado pela guerra.

 

Reconhecemos inteiramente que, apesar dos resultados das recentes eleições nos EUA, estas exigências requerem uma forte mobilização da opinião pública mundial e uma reactivação do movimento pela paz, designadamente nos Estados Unidos.

 

A assinatura de concordância com esta declaração pode ser feita em:

http://www.petitiononline.com/wayout/petition.html