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15/08/2004 Claudia Jardim Um CD com uma falsa cadeia de
rádio em que o presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Francisco
Carrasquero anunciaria o suposto revogatório do presidente Hugo Chávez foi
entregue ao órgão eleitoral, que denunciou a fraude em cadeia nacional de
rádio e tv. A montagem com a voz do
presidente do CNE que dizia que Chávez teria o seu mandato revogado pretendia
ser veiculada às 20 horas de hoje, quando estariam encerradas as mesas de votação,
denunciou o reitor do CNE, Jorge Rodríguez. «Veiculariam em uma suposta
cadeia para dizer que o presidente foi revogado. Isso é uma clara tentativa
de burlar a vontade dos milhões de venezuelanos», afirmou Rodriguez. Carrasquero, por sua vez,
pediu uma imediata investigação que deve ser levada até às «últimas
consequências». Para ele se trata de um gravíssimo «delito eleitoral», que a
seu ver tem o objectivo de comprometer o processo. A cadeia supostamente seria
veiculada fora do país para gerar um clima de instabilidade e creditar o
cenário de fraude que desde o início da campanha a oposição tenta criar. A falsa gravação se soma a
mais uma tentativa de anunciar uma suposta vitória da oposição. Ao meio dia
de hoje, em uma página web http://www.tefuiste.ath.cx
que anuncia que 59% dos venezuelanos optaram pelo "Sim", contra 41%
de votos pelo "Não". País
em fila A denúncia trouxe ainda mais
tensão ao caótico processo eleitoral que os venezuelanos enfrentam neste domingo.
A lentidão dos técnicos responsáveis por identificar as digitais dos
eleitores tem provocado a formação de filas quilométricas em todo o país. O coordenador do comando de
campanha do governo, Henry Villegas afirma que muitos técnicos ligados à
oposição são responsáveis pelo atraso. «Eles dificultam a captação das
digitais para criar um clima de descontentamento, o que levará o CNE a
suspender as máquinas de ‘caça-digitais’», afirma. A identificação digital foi o
caminho encontrado pelo CNE para assegurar que cada eleitor vote apenas uma
vez e evitar as irregularidades que ocorreram durante o processo de colecta
de assinaturas, que resultou na activação do referendo. Além disso, os mais de 2
milhões de novos inscritos no registro eleitoral e a intensa disputa
política, fez com que o número de votantes fosse ainda maior. O referendo é
considerado a eleição com maior participação de toda a história da Venezuela.
Ninguém
em casa Para assegurar o seu direito ao
voto, os eleitores começaram a formar filas desde as 4 da manhã. Natasha
Lujo, moradora do bairro popular El Valle conta que está na fila há 4 horas.
«Temos que esperar, estamos a celebrar a nossa democracia e a nossa
Constituição. Nunca tanta gente participou de uma eleição», comenta a
desenhista que diz que votará pelo "Não" e justifica: «Os projectos populares de
alfabetização, saúde e a visão de integrar os países latino‑americanos,
como agora com o Mercosul, nunca poderíamos imaginar. Estamos a construir um
novo país, por isso voto pela continuidade», afirma Natasha. Do outro lado da cidade, em
Altamira, região leste de Caracas, Carmen Fernandez, arquitecta, conta que
votará pelo "Sim" porque não quer um "comunismo" em seu
país. «Os meus pais são cubanos e tiveram que ir para Miami quando chegou
Fidel (Castro). Queremos democracia e mais empregos», afirma. Devido ao excessivo número de
eleitores e à escassez de mesas de votação, o horário de votação foi
estendido para as 20 horas. O reitor Jorge Rodríguez assegura que «enquanto
houver eleitor» na fila o processo não será encerrado. A expectativa é que até à
meia-noite as urnas não tenham sido totalizadas. Os resultados devem ser
divulgados somente na segunda-feira. Para Max Altman, jornalista brasileiro
que integra a delegação de observação do Partido dos Trabalhadores,
dificilmente Chávez perderá o referendo. «A redução do número de abstenção e
de novos inscritos favorecem o presidente». |