Informação Alternativa

América Latina

16/08/2004

 

Emigrantes lusos devem «tirar ilações»

 

SIC Online

O embaixador de Portugal em Caracas, Vasco Bramão Ramos, pediu hoje à comunidade portuguesa radicada na Venezuela «uma reflexão aprofundada» sobre os resultados do referendo que confirmam Hugo Chávez na presidência do país até 2007. O diplomata disse que o civismo e afluência com que decorreu o acto prova que há uma democracia madura no país, apesar dos receios de alguns portugueses de violência ou perseguições políticas.

«Espero que todos os venezuelanos e estou a pensar mais especificamente nos luso­‑venezuelanos tirem desta jornada eleitoral as devidas ilações, que façam uma reflexão aprofundada e que se interroguem mais uma vez sobre o porquê de tudo isto», disse o embaixador de Portugal em Caracas.

Segundo os resultados oficiais provisórios anunciados quando estavam escrutinados 94,49 por cento dos sufrágios, 58,25 por cento dos eleitores venezuelanos pronunciaram-se pela confirmação de Hugo Chávez na presidência, contra 41,74 por cento que votaram pela sua revogação.

Vasco Barmão Ramos congratulou-se com «o civismo com que decorreu o acto» eleitoral e destacou a forte afluência às urnas. «A muitíssima afluência às urnas é um sinal de vitalidade da vida política e democrática da Venezuela e foi um factor muito positivo. Felizmente que houve uma afluência tão forte», disse.

Vasco Bramão Ramos considerou os resultados preliminares do referendo «muito claros». «O único aspecto que como observador me preocuparia era se os resultados não fossem claros, se fossem muito próximos. Parece não ser esse o caso, os resultados aparentemente são claros o que em democracia é muito bom», sublinhou.

Recordou que «falta o comentário final da observação internacional» mas que «já ontem quer o presidente Jimmy Carter (do Centro Carter) quer o César Gavíria (secretário-geral da Organização de Estados Americanos) teceram rasgados elogios à forma como o processo decorreu do ponto de vista de seriedade».

Caracas amanheceu mais tarde que o habitual, com um grande número de estabelecimentos comerciais encerrados, as ruas quase desertas e pouca circulação de veículos e pessoas. Apesar da calma, vários portugueses contactados pela Agência Lusa manifestaram-se "apreensivos" e a aguardar o desenvolvimento dos acontecimentos.