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04/12/2005 Hoje, 4 de Dezembro, celebram‑se
na Venezuela eleições legislativas. Numa nova tentativa de desestabilizar o
país, vários grupos opositores apelaram ao boicote e retiraram as suas
candidaturas, conscientes das suas poucas perspectivas votação. Ainda que os
candidatos retirados sejam apenas 5 % do total, e representem 10,8 % dos
partidos da oposição, o objectivo é tentar desautorizar as eleições de hoje.
No seguinte comunicado, intelectuais de todo o mundo acusam os Estados Unidos
de estar por trás deste movimento de desestabilização. Nos últimos seis anos fomos
testemunhas de como milhões de venezuelanos tomaram nas suas mãos o seu
próprio destino contra a adversidade para conseguir a construção de uma
sociedade de inclusão e de justiça. Fortalecido pela Constituição
Bolivariana – uma das mais democráticas do mundo –, o povo venezuelano
ratificou a sua vontade fazendo uso do voto em sete oportunidades nos últimos
seis anos e, no entanto, uma elite minoritária com o apoio do governo estado‑unidense
e dos meios de comunicação tratou em várias oportunidades de pôr fim a este
processo de transformação. Tentou um golpe de Estado em Abril de 2002, que o
Povo recusou saindo às ruas com a Constituição como arma. Em Dezembro de 2002
tentaram sabotar a principal indústria do país provocando danos profundos à
economia nacional. Ambos os actos demonstraram um desprezo pela Democracia,
pelo estado de direito e pela soberania nacional. A poucos dias das eleições
parlamentares, a oposição minoritária da Venezuela, ante uma segura derrota
eleitoral, utiliza o abstencionismo como chantagem e apelou à retirada dos
seus candidatos alegando falta de confiança no árbitro eleitoral. Apesar de as últimas eleições
na Venezuela se terem caracterizado pela sua transparência, a qual foi
constatada por múltiplos observadores internacionais, a oposição condicionou a
sua participação a uma série de novas exigências. No entanto, uma vez que
estas exigências foram satisfeitas pelo árbitro eleitoral, a oposição
cinicamente abandonou o seu compromisso retirando-se das eleições. Esta é uma
estratégia para deslegitimar as instituições venezuelanas que não faz senão
reflectir o seu desejo de prejudicar o próprio conceito de democracia
violentando o direito que um povo tem de escolher o seu próprio destino. Esta nova tentativa de
interromper o processo democrático venezuelano foi tacitamente apoiada por funcionários
do governo estado‑unidense que publicamente puseram em dúvida a
credibilidade do poder eleitoral venezuelano. Nós, amigos do Povo venezuelano,
recusamos esta nova tentativa de sabotar a democracia e depositamos nossa
confiança no árbitro eleitoral e na vontade do Povo de exercer o seu direito
ao voto, elemento fundamental da democracia, sem intimidação e sem chantagem. Ignacio Ramonet
(Espanha) Tariq Ali
(Paquistão) João Pedro Stédile
(Brasil) James Petras (
EUA) Emir Sader
(Brasil) José Dirceu
(Brasil) Eduardo Galeano
(Uruguai) Bernard Cassen
(França) Atilio Borón
(Argentina) Samir Amin (Egipto) François Houtart (Bélgica) Richard Gott (Inglaterra) Fernando Morais
(Brasil) Jean-Pierre Chevenement (França) Georges Sarre
(França) Sergio Lobo
(Venezuela) Robin Blackburn (Inglaterra) Socorro Gomes
(Deputada Federal – PcdoB Brasil) Vanessa
Grazziotin (Deputada Federal – Brasil) Carlos Lima (UNB
– Brasil) Sydnei Liberal
(Brasil) Paul-Émile Dupret (Bélgica) Rémy Herrera
(França) Valter Pomar
(Brasil) Aminata Traoré
(Mali) Michael Löwy
(Brasil) Leila Jinkings
(Brasil) Ramón Chao
(Espanha) Breno Altman
(Brasil) Para acrescentar o seu nome,
escreva para defensavenezuela@yahoo.com. |