Informação Alternativa

América Latina

04/01/2005

 

Antecedentes e lições da Venezuela para a esquerda mundial

– Intervenção na apresentação do livro Olhando a Venezuela

 

Pascual Serrano

Rebelión

No passado dia 15 de Agosto, a oposição venezuelana sofreu a sua terceira grande derrota na sua tentativa de terminar com o governo do presidente Chávez. Um referendo revogatório inédito na história mundial ratificou­‑o no seu mandato com uma enorme diferença de votos ante o olhar atento de centenas de observadores internacionais que ratificaram unanimemente os seus resultados.

Foi o triunfo não de um homem mas de um projecto de país humanista e solidário tanto na sua projecção nacional como internacional, que se levanta como alternativa ao modelo neoliberal voraz e depredador. Um modelo de desenvolvimento endógeno e de economia social. Creio que é necessário, em primeiro lugar, relatar o mais brevemente possível o que está a acontecer na Venezuela. Utilizo para isso informação que nos oferece Marta Harnecker no livro Olhando a Venezuela.

A Venezuela, a quinta potência petrolífera mundial, foi historicamente uma sociedade muito desigual. Uma oligarquia desfrutava de um nível de vida extraordinariamente alto, enquanto grande parte da população vivia na pobreza.

Tudo isto explica porque Hugo Chávez Frias — cuja figura emerge como uma alternativa à crise — ganha folgadamente as eleições presidenciais a 6 de Dezembro de 1998 com 56% dos votos na primeira volta. O povo, cansado da corrupção e cada vez mais céptico da forma tradicional de fazer política, apostou num candidato de novo cunho.

Este ex tenente coronel tinha­‑se dado a conhecer ao país como líder do movimento de militares bolivarianos MBR 200, ao tentar levar por diante uma insurreição militar a 4 de Fevereiro de 1992 para derrocar o então presidente Carlos Andrés Pérez, por ser corrupto e traidor à constituição.

Depois de descartar a via insurreccional, decide conquistar o poder pela via institucional. Um quarto de século depois da derrota de Allende no Chile, outro governante latino­‑americano decidiu tentar realizar transformações económico­‑sociais profundas no seu país pela via pacífica. Mas desta vez tratava­‑se de uma via pacífica armada.

Chávez inicia o seu mandato no meio do mais absoluto isolamento internacional. O neoliberalismo impunha­‑se como modelo único.

Mas vejamos qual foi a política desse presidente desde a sua chegada ao poder e por que despertou tantas e tão poderosas inimizades. Já no seu primeiro ano de governo cria um plano de emergência social para atender aos sectores mais desvalidos e adopta medidas educacionais que favorecem este sector, como recuperar a gratuitidade do ensino escolar, ou criar escolas bolivarianas, um modelo escolar que inclui pequeno­‑almoço e almoço para as crianças dos bairros pobres.

Por sua vez, a oposição oligárquica trabalha para neutralizar o novo mandatário tratando de cooptá­‑lo.

Apesar de o presidente recém eleito contar com o apoio de amplos sectores populares, camadas médias e militares, que depositaram nele as suas esperanças, trata­‑se de uma maioria eleitoral muito desorganizada.

Inicia um processo constituinte e a aprovação da nova constituição. Uma constituição anti­‑neoliberal, que propõe um novo modelo de democracia profundamente participativa, e um novo modelo económico cooperativo, auto­‑gestionário, movido por uma lógica humanista e solidária.

O segundo passo foi mudar a correlação de forças nas instituições do Estado. A 30 de Julho realizam­‑se as mega eleições (para presidente, deputados à Assembleia Nacional, governadores e prefeitos). Os resultados são muito favoráveis para o governo. O presidente é reeleito com 57% dos votos contra 37% do seu rival mais próximo, Arias Cárdenas. A sua organização eleitoral, o Pólo Patriótico, obtém uma maioria esmagadora de deputados. Os partidos corruptos tradicionais afundam­‑se.

É sintomático que Chávez tenha sido acusado de ser um ditador a nível internacional quando foi o governante que mais consultas populares realizou no mundo em tão curto período de tempo: oito se contamos com o referendo revogatório.

O terceiro passo foi elaborar uma legislação revolucionária. Como o processo legislativo marchava excessivamente lento, mediante a denominada Lei Habilitante, uma espécie de decreto­‑lei, dita a 10 de Dezembro de 2001 quarenta e nove leis, entre elas a Lei da terra, a Lei de pesca, a Lei de hidrocarbonetos, a Lei de microcréditos e a Lei de cooperativas. Este pacote de leis demonstra a sua decisão de levar adiante o processo revolucionário. A oligarquia, afectada pela primeira vez nos seus interesses económicos, perde a esperança de cooptá­‑lo como tradicionalmente costumava fazê­‑lo com outros políticos.

Cria os “círculos bolivarianos”, que não é outra coisa senão um apelo às pessoas, onde quer que estejam, para se organizarem em grupos de 7 a 11 pessoas para difundir a Constituição e fazer alguma tarefa concreta: responder às necessidades do bairro, formar uma cooperativa, conseguir um empréstimo no banco, etc.. O presidente tem plena consciência de que sem a participação popular, a revolução ficaria sem combustível.

A reacção da oposição frente a esta expressa decisão de Chávez de continuar a avançar no processo não se fez esperar. Fora da Venezuela não deixam de enviar a mensagem de que Chávez é um ditador que está a tentar monopolizar o poder absoluto no país. Convoca­‑se uma greve laboral a 10 de Dezembro de 2001, dia em que Chávez decretou as 49 leis e muitos dirigentes eleitos do lado de Chávez são cooptados pela oposição mediante prebendas. O governo deixa assim de ter maioria esmagadora na Assembleia Nacional.

Depois ocorrem os factos do 11 de Abril e dos dias subsequentes — acontecimentos suficientemente conhecidos pelo leitor pelo que aqui não os abordaremos. O fracasso do golpe militar de Abril de 2002 pela reacção multitudinária dos venezuelanos que restabelecem Chávez, constitui a primeira grande derrota da oposição e um verdadeiro presente para Chávez.

Estas circunstâncias permitiram que os actores se desmascarassem, incluídos o governo dos Estados Unidos e o espanhol, e que o povo venezuelano adquirisse um maior nível político. A organização popular cresceu de maneira acelerada. Os círculos bolivarianos multiplicaram­‑se ao longo do país adoptando as formas mais variadas. Surgiram novas organizações do povo como os Comités de Terras Urbanas, diferentes agrupações das camadas médias: de médicos, professores, advogados, etc.

Os dirigentes sindicais dos diferentes ramos da produção críticos da cumplicidade do sindicato corrupto maioritário, aceleraram os seus trabalhos para construir uma força sindical autónoma mas disposta a apoiar o processo. Os diferentes partidos de esquerda, que continuavam a apoiar Chávez mas com atitudes muito críticas, decidiram rearticular­‑se e formar uma frente comum de apoio ao seu governo.

O processo, que tinha sido muito pouco compreendido e valorizado pela esquerda e pelas forças progressistas do mundo, começa a despertar as suas simpatias.

A 2 de Dezembro de 2002 a oposição apela a uma greve cívica nacional. O seu objectivo é paralisar o país obrigando Chávez a demitir­‑se. Tenta deter a produção e distribuição de petróleo na empresa pública PDVSA. Os trabalhadores não o fazem e conseguem pô-las em marcha.

Ministrou­‑se a segunda grande derrota da oposição. O país não se deteve. Chávez não se dobrou. Mas o mais importante, a indústria petrolífera passou realmente para o controle do Estado venezuelano. Este foi o segundo grande presente da oposição.

Com cada novo ataque da oposição foi­‑se acrescentando a consciência e o protagonismo do povo. Não só se multiplicaram os círculos bolivarianos, os comités de terras urbanas, as assembleias de cidadãos, entre outras coisas; mas surgiram novas formas de organização popular: os correios motorizados, os grupos que se encarregaram de reabrir as escolas que a oposição quis paralisar; círculos agrários e pesqueiros para a defesa dos seus direitos e das respectivas leis promulgadas pelo Executivo; grupos em defesa do consumidor que promoveram o boicote dos meios de comunicação, para proteger o Palácio de Miraflores; círculos de ajuda aos mais necessitados para resolver os problemas criados pelo golpe económico. Nasceu Classe Média em Positivo, uma organização integrada, como o seu nome indica, por sectores da classe média, que manifesta o seu apoio ao governo.

Depois de um jogo de forças entre ambas as partes, chavistas e oposição aceitam finalmente usar o instrumento legal que lhes outorga a constituição para resolver o conflito: o referendo revogatório.

Em Abril de 2003 Chávez anuncia que retomou a ofensiva. Desde esse momento começa a lançar várias campanhas a favor dos sectores sociais mais abandonados (chamadas missões): consultórios de saúde nos bairros populares, campanha de alfabetização, de educação média e superior; abertura da Universidade Bolivariana aos estudantes que nunca tinham podido inscrever-se; venda de produtos alimentícios a preços muito mais baixos do que as vendas habituais, todos programas calorosamente acolhidos pela população e que ganham novos adeptos para o processo. Tudo isso é qualificado nos grandes meios ocidentais como tentativas de Chávez de ganhar as pessoas com o dinheiro do petróleo. Ao que parece um sacrilégio, num sistema que costuma destinar os recursos dos países ao enriquecimento de multinacionais e elites económicas.

Depois de um longo processo de discussão e acusações de falsificação de assinaturas recolhidas para o referendo revogatório, o Conselho Nacional Eleitoral anuncia a 3 de Junho que a oposição obteve o número de rubricas suficientes para ir a referendo. A oposição precisava de um número de assinaturas equivalente a 20% dos eleitores que votaram por Chávez e conseguiu essa meta.

O que fazer frente a esta situação? Muitos chavistas estavam convencidos de que houve uma enorme fraude e de que a oposição não tinha atingido as assinaturas requeridas. Consideravam que Chávez não devia reconhecer os resultados. Isto era o que também esperava a oposição: que Chávez se apresentasse desse modo ante a opinião nacional e internacional como um anti­‑democrata ao rejeitar o procedimento democrático estabelecido na constituição.

Mas o Presidente, um dos principais promotores da figura do referendo revogatório na constituição, contra todas as previsões que tinham muito a ver com a imagem criada pelos meios de comunicação opositores a respeito da sua pessoa e das suas intenções, aceita os resultados do CNE e transforma de forma magistral a derrota parcial sofrida no processo de recolha de assinaturas numa contundente vitória.

A mensagem era que tinha que ganhar com uma vantagem muito contundente para que a ninguém ficasse dúvida dos resultados da contenda. E entende que essa meta só se podia atingir se se conseguisse comprometer todos os que apoiavam o processo na conquista do maior número possível de votos. Cria-se toda uma mobilização cidadã para trabalhar no apoio ao processo de reformas de Hugo Chávez. Muita gente emocionalmente comprometida com o processo mas até então inactiva passou a ter a sua primeira experiência organizativa e política.

O triunfo eleitoral de Chávez no referendo de 15 de Agosto de 2004 é a terceira grande derrota sofrida pela oposição, significa um enorme apoio ao processo revolucionário venezuelano e propõe a necessidade de continuar a avançar na sua consolidação transformando­‑o em algo irreversível.

Já ninguém pode negar o carácter democrático do processo bolivariano e o grande apoio popular com que conta Chávez. Os guerreiros mediáticos ficaram sem munições.

Depois desta enumeração de acontecimentos, creio que nos nossos países o mais importante é reflectir apontando o que eu considero quatro grandes lições que nos deu a Venezuela.

1. Os meios de comunicação dentro da Venezuela

Falou-se muito do carácter especialmente golpista, manipulador e mentiroso dos meios de comunicação privados venezuelanos. É uma ingenuidade pensar que têm algo de especialmente perverso os meios de comunicação desse país. Correspondem ao mesmo modelo e funcionamento que os do resto do mundo. O que aconteceu é que ali a desestabilização do regime anterior, a perda de privilégios das classes dominantes e a revolução social foi tão importante que estes meios deram uma volta de parafuso que os deixou expostos. Se em Espanha, ou em qualquer outro país do meio ocidental, tremessem os alicerces da plutocracia dominante, os nossos meios de comunicação entrariam na mesma dinâmica.

Como disse Ignacio Ramonet, os média há muito tempo que não são nem pretendem ser um quarto poder no sentido de ter como objectivo cívico, vigiar o funcionamento dos outros três poderes para aperfeiçoar o sistema político. Ao invés somam­­­‑se aos existentes na busca do controle dos cidadãos. Na Venezuela, os média ambicionaram apoderar­‑se do poder político. Mas isso é, afinal de contas, o que fez Berlusconi na Itália, a partir do seu controle mediático ocupou o seu assento na política. Quantas vezes se disse que aqui em Espanha é o grupo PRESSA que condiciona os governos? Nos EUA George Bush ganhou as eleições de 2000 quando a cadeia Fox anunciou a sua vitória na Florida, sem a recontagem terminada.

Em nome da liberdade de expressão ataca­‑se governos que se preocupam com a segurança social, com a educação ou com a habitação, como no caso venezuelano. Além disso, dizem eles, como não existe uma adequada oposição política na Venezuela, os média viram­‑se obrigados a protagonizar esse papel. Isso é um golpe de Estado. Essa é a maior agressão que se pode fazer à liberdade de expressão, escudar­‑se nela para pretender derrocar governos.

Por isso, há que começar a dizer aos cidadãos o que são os meios de comunicação. Um poder reaccionário, antisocial que procura sequestrar a democracia no mundo pondo­‑se ao serviço das plutocracias argumentando com a liberdade de expressão.

2. A segunda lição é o papel protagonizado pelos governos estrangeiros

O mundo está cada vez mais interrelacionado. Nunca até agora a legitimidade do governo de um país tinha estado nas mãos dos governos de outro país estrangeiro. São outros países e não os cidadãos os que sancionam como válidos o governo do Afeganistão, o do Haiti ou o da Venezuela. Pudemo­‑lo ver na noite eleitoral do referendo venezuelano. Hugo Chávez tornou­‑se um presidente legítimo quando Jimmy Carter o disse.

Também aqui os média estrangeiros voltam a protagonizar o mesmo papel e estar ao mesmo serviço. Desde que Hugo Chávez chegou ao poder, têm estado a envenenar a opinião pública internacional com mentiras. A gente comum em Espanha, e temo que em quase todo o mundo, teve a imagem de um presidente golpista, que encarcerava opositores e perseguia jornalistas. Por isso houve um consenso internacional em legitimar o golpe de Abril de 2002. Ninguém explicava em Espanha as legislações sociais de Hugo Chávez de 2001 referentes à lei de terras, de pesca ou de hidrocarbonetos.

Mas também nisto a Venezuela nos deu uma lição, foram precisos dois anos, mas agora o mundo já vai conhecendo a verdade, já os governos norte­‑americano e espanhol não se atrevem a deslegitimar o presidente venezuelano. A sua enlouquecida oposição foi desautorizada publicamente pela OEA, por Collin Powell e pelo governo espanhol. Na América Latina, Chávez está a liderar propostas económicas contra o ALCA, informativas como um Canal de Televisão do Sul ou desmontando estratégias militares norte­‑americanas contra o continente como o Plano Colômbia. Propostas consolidadas na opinião pública mas também nos foros internacionais.

3. A terceira lição é poder comprovar como os povos podem despertar quando vêem uma opção política viável. Alguns de nós ficamos deprimidos quando vemos a apatia dominante em Espanha ou nos Estados Unidos, mas também em países latino­‑americanos como o México ou na América Central. Perguntamo­‑nos o que aconteceu na Venezuela para que em tão poucos anos se tenha passado dessa apatia que se plasmava na abstenção eleitoral, na delinquência comum despolitizada ou na desvinculação sindical para uma paixão pela coisa pública e para uma participação que, creio, é o que mais impressiona quando se vai à Venezuela.

O que aconteceu é que os cidadãos viram como deixaram de ser invisíveis, como as suas propostas apareciam numa constituição, as suas iniciativas para indicar onde se devia destinar o orçamento público se tornavam realidade e como, inclusive, podiam reestabelecer o presidente sequestrado num avião militar.

4. E chego à última lição, a mais dura talvez. A esquerda e a sociedade civil organizada não podem chegar ao poder pelo mero facto de votar. Isso não é suficiente. Não o vão permitir. Um povo só o consegue ser de verdade governando a partir do interesse comum se está disposto a defender­‑se. Com a mobilização, com as armas, com o convencimento da sua luta, com a vida inclusive. Compreendendo que os projectos de avanço social ou se fazem colectivos ou não se farão. Que as posições individualistas desses que pensam que algum político lhes fará as boas leis, um sindicalista lutará pelos seus direitos ou um líder municipal lhes conseguirá um ambiente mais habitável estão condenadas ao fracasso. Ninguém mais vai solucionar os problemas colectivos do que a colectividade organizada lutando. Não existem heróis nem redentores. E se algum tivesse a coerência e a integridade moral para sê­‑lo, seria eliminado se não fosse defendido pelos cidadãos.

Estas são, na minha modesta opinião, as lições que os venezuelanos nos deram, lições que a eles lhes custaram muitos sacrifícios, económicos e de vidas humanas e que a nós nos resultaram grátis.

O referendo revogatório provocou que a mais ilustre da intelectualidade mundial da esquerda se pronunciasse sobre um mesmo tema num curto período de tempo de apenas duas semanas. Publicámos mais de uma centena de textos em Rebelion.org nessas datas, além de centenas de mensagens e cartas que não pudemos editar. Era necessário que uma selecção de trabalhos pudesse converter­‑se em papel para poder contar com a reflexão de trinta pessoas, comprometidas com a humanidade e com a justiça, que viam na Venezuela um fenómeno excepcional que era necessário estudar.

Cada um deles contribuiu com a sua análise do campo que mais o inquietava ou conhecia: os antecedentes históricos, a figura do presidente, a sociedade venezuelana, o papel da oposição, a reacção dos Estados Unidos, a transcendência que tinha para a América Latina ou para todo o mundo e as perspectivas de futuro que se propunham depois do referendo. Nenhum dos colaboradores desta obra é venezuelano, cremos que deste modo o livro Olhando a Venezuela apresenta a interpretação e valoração que de vários lugares do mundo se percebe da revolução bolivariana. Sem dúvida há reflexões que se repetem, mas creio que cada um contribui com uma impressão e uma análise original do fenómeno venezuelano.

Trata-se, ademais, dessas contribuições vetadas pelos grandes médias. Estas trinta pessoas são as incómodas que raramente têm um lugar nas grandes rotativas, nas ondas ou nos ecrãs. As suas teses são as opostas às manejadas pelos editoriais dos grandes meios de comunicação. E é que eles não estão ao serviço das camarilhas empresariais que querem saquear a Venezuela ou do império que assiste desesperado à perda de uma das suas colónias na América Latina. Estas trinta pessoas, com os seus acertos ou erros na interpretação do que está a acontecer, só respondem às suas consciências e ao seu compromisso em nos trazer a sua reflexão.

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Um parte importante deste texto está baseada na conferência A Venezuela pós­‑referendo: os novos desafios de Marta Harnecker preparada para o Encontro Internacional Civilização ou Barbárie: Desafios e problemas do mundo contemporâneo, incluída integralmente no livro Olhando a Venezuela.

 

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