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09/12/2004 Pedro Campos O atentado terrorista que vitimou
o procurador Danilo Anderson mereceu um repúdio total dentro e fora do país.
Contudo, não nos enganemos. Os sectores mais reaccionários da oposição
antibolivariana não teriam enveredado por este crime se não tivessem muitos e
poderosos apoios. Na imprensa venezuelana não será fácil encontrar quem se
atreva a uma defesa clara do atentado, mas os média, a ponta de lança da
oposição, depois de uma breve pausa estratégica, recomeçaram de imediato a
campanha de desprestígio do procurador, ao mesmo tempo que punham ao mesmo
nível a morte de dois opositores suspeitos de participação no atentado. O procurador foi assassinado
numa acção terrorista selectiva e premeditada. Dos dois suspeitos, um morreu porque
não só não atendeu a voz de alto da polícia como ainda matou de um tiro um
dos funcionários, depois de lhe ter passado com o carro por cima. O outro,
que se refugiava num motel da província, recebeu uma comissão policial a tiro
e faleceu na troca de disparos que se seguiu. Gente inocente como são
apresentados pelos média? Dificilmente. Na casa do
primeiro, advogado ligado à oposição e filho de uma ex‑senadora
democrata-cristã, foi encontrado um verdadeiro arsenal, incluindo armas
telescópicas e material explosivo C4, o mesmo que foi utilizado no atentado.
Para mais detalhes, viajava com frequência aos Estados Unidos, onde fez
cursos de mercenário. Danilo Anderson era o
procurador mais emblemático do processo bolivariano. Como tal, atendia os
casos mais perigosos, entre eles os dos apoiantes do golpe de Estado de Abril
de 2002, do assalto à embaixada de Cuba e o processo Sumate, grupo opositor
ligado à CIA. Era o alvo perfeito para a reacção venezuelana, para os
«gusanos» de Miami e logicamente para Washington. Para Heinz Dieterich o
«assassinato de Danilo Anderson evidencia que a subversão deu um salto
qualitativo para uma ofensiva generalizada (…) podemos dizer que a Revolução
Bolivariana entrou na fase da Revolução Cubana de 1960, quando a contra-revolução
estado‑unidense deu início à luta armada, sabotagens e assassinatos…». ORDENS PARTEM DOS EUA É de Washington que partem
estas ordens [1]. Na televisão de Miami foi possível ver há poucos dias um
líder da oposição, o actor Orlando Urdaneta, afirmar que tudo se resolvia
«matando o perro maior (…) e talvez alguns mais da matilha». Quando a
entrevistadora, cubana antifidelista, lhe perguntou como, respondeu que com
uma espingarda telescópica e um franco-atirador «desses que nunca falham»,
coincidindo ambos em que seria um «comando israelita». É também nos Estados
Unidos que estão alguns dos militares implicados nos atentados realizados há
alguns meses em Caracas contra sedes diplomáticas. E é igualmente sob a asa
do Bush onde está Luís Posada, a quem Mireya Moscoso, ex-presidente do
Panamá, indultou um par de dias antes da tomada de posse de Torrijos. Posada
tem vários crimes às costas, entre eles a explosão de um avião que rebentou
sobre as Caraíbas, depois de descolar de Caracas. Atentar contra a vida do procurador
não foi difícil. Era um homem jovem, que não temia nem a morte nem os
inimigos e que não contava com a protecção adequada. Enquanto tomava aulas de
doutoramento, o carro ficava desguarnecido no estacionamento. Os terroristas
devem ter-lhe estudado a rotina e aproveitado essas horas de descuido para
colocar a bomba. Depois, foi questão de o seguir e activar o mecanismo
detonador à distância. O assassinato do procurado
Anderson é certamente o mais mediático. Mas não convém esquecer que a
procuradora Ortega Díaz, que agora leva alguns dos casos de Anderson, já foi
vítima de sequestro do qual se salvou por milagre. E muito menos se podem pôr
de lado os mais de 80 camponeses assassinados por sicários à ordem de
latifundiários, que se opõem violentamente à reforma agrária. Danilo Anderson foi
assassinado para assustar o poder judicial e porque estava perto da verdade.
Tão próximo que dois altos responsáveis policiais, aliados da oposição e
suspeitos da responsabilidade de várias mortes durante o golpe de Estado,
pediram asilo na embaixada de El Salvador, caso que está a mexer a vida
política do pequeno país centro-americano. Políticos da esquerda e da direita local já se manifestaram contra o
asilo porque isso seria «uma ingerência» nos assuntos próprios da Venezuela e
porque ambos já estavam a ser procurados pelas autoridades. ____________ [1] [N. do IA] Ler no IA: Eva Golinger, A prova está nos documentos: a CIA esteve envolvida no golpe de estado contra o presidente Chávez (23/11/2004). |