Informação Alternativa

América Latina

16-09-2005

 

Víctor Jara... Presente!! (1932-1973)

 

Eduardo Andrade Bone

Rebelión

 

Quando se comemoram 32 anos do seu vil assassinato por parte das hordas fascistas encabeçadas pelo criminoso e ladrão Augusto Pinochet, o povo chileno apresta­‑se para render homenagem a um dos seus mais emblemáticos cantautores chilenos, e um dos grandes lutadores para que o povo chileno tivesse acesso às mais diversas expressões da arte e da cultura, no seu labor como cantor popular e director de teatro.

 

Tarefa que cumpria cabalmente a partir das suas responsabilidades na Comissão Nacional de Cultura das Juventudes Comunistas do Chile.

 

Nesta nota, apresentamos os aspectos mais importantes da sua transcendental vida, de maneira que sirva como exemplo a todos aqueles que lutam por um mundo melhor.

 

A SUA VIDA

 

Víctor Jara nasceu em 28 de Setembro de 1932 num pequeno povoado chamado La Quiriquina, situado a 20 quilómetros de Chillán Viejo. Foi o menor de seis irmãos nascidos no seio de uma família camponesa.

 

O seu pai, Manuel, foi inquilino de uma fazenda próxima. A sua mãe, Amanda, foi lavandeira e cantora popular. A sua infância decorreu num pobre e velho casario da dita localidade.

 

Desde menino, Víctor teve alma de músico. A sua mãe, que cantava, tocava piano e era uma criadora inata, ensinou-lhe os seus primeiros cantos. Depois de serem abandonados pelo pai, Víctor mudou­‑se para Santiago com a sua mãe e os seus irmãos, e num cité da povoação Los Nogales passou os seus anos de adolescente.

 

Tinha só 15 anos quando a morte da sua mãe o deixou no absoluto desamparo. A solidão levou­‑o a procurar refúgio na vocação sacerdotal e foi assim que ingressou em 1947 no Seminário Redentorista de San Bernardo.

 

Atraído pelo canto gregoriano e pela actividade intelectual do Seminário, permaneceu ali quase dois anos, até que descobriu que a sua vocação não era a religiosa.

 

Em 1957, Víctor Jara ingressou na Escola de Teatro da Universidade do Chile, para estudar representação. A expressão através da palavra e do gesto era uma veia que Víctor desenvolveria de forma paralela ao canto. Por esses anos conheceu Violeta Parra, que o incitou a continuar a cantar, e não só lhe ensinou muitas das suas canções, como além disso lhe pediu opinião sobre as suas próprias criações. Víctor repetiu depois este exercício com as gerações de músicos que aprenderam do seu canto. Durante a década que começou em 1960, trabalhou compondo e cantando. Ademais, foi director teatral, pesquisador do folclore e dos instrumentos indígenas, actor, dramaturgo e libretista.

 

O SEU DESENVOLVIMENTO NO TEATRO

 

Em 1960, Jara recebeu o título de director teatral. A partir de 1963 foi membro estável do directório do Instituto do Teatro da Universidade do Chile e professor de representação da Escola de Teatro da mesma universidade.

 

Em 1964 começou a dirigir a montagem de importantes obras, como Os Invasores, de Egon Wolf; Parecido com a Felicidade, de Alexandre Sieveking, e Almas de Dia Claro, do mesmo autor, obra com que percorreu vários países da América Latina. Não obstante, o cume da sua carreira teatral chegou em 1965, quando dirigiu a montagem das obras La Remolienda, também de Sieveking, e A Manhã, de Ann Jellicoe, que o levaram a obter o prémio “Laurel de Ouro”, como melhor director do ano. O reconhecimento internacional não demorou a chegar, e em 1967 foi convidado para Inglaterra pelo Conselho Britânico, oportunidade em que recebeu o prémio de “A Crítica” pela sua direcção da obra Entretenhamos o Sr. Slone.

 

Estando em Inglaterra, compôs a que seria uma das suas canções mais conhecidas, Te Recuerdo, Amanda, dedicada aos seus pais, Amanda e Manuel. Conhece Joan, o amor da sua vida Por esses anos tumultuosos e agitados, Víctor Jara conheceu Joan Turner, a sua professora de expressão corporal na Escola de Representação da Universidade do Chile, e que se converteria anos depois na sua esposa. Tiveram uma filha, chamada Amanda.

 

Foi um dos fundadores da Nova Canção Chilena; pese a sua importante trajectória no teatro, foi sem dúvida na composição e no canto onde Víctor Jara obteve o mais alto dos reconhecimentos. Seguindo a influência de Violeta Parra, que o impressionou profundamente, ele explorou a veia do canto folclórico e popular, homenageando os homens da sua terra. Víctor compartilhou esta nova expressão do canto popular com grupos como Inti Illimani, Quilapayún, os Parra e outros.

 

COMPROMISSO POLÍTICO

 

Sendo militante das Juventudes Comunistas, em 1970 Jara participou activamente na campanha presidencial de Salvador Allende, realizando recitais por todo o país.

 

As composições que criou nesta época, como El Manifiesto e La Plegaria de un Lavrador, deram conta do compromisso do artista com os movimentos sociais e as manifestações revolucionários que nasceram nesse período.

 

Depois do triunfo de Salvador Allende nas eleições presidenciais de 1970, Víctor assumiu um papel preponderante no desenvolvimento cultural e político do país. Foi­‑lhe outorgado o cargo de embaixador cultural do governo da Unidade Popular, que desempenhou de 1971 até à sua morte.

 

Na qualidade de embaixador cultural, Víctor Jara levou o seu canto a importantes palcos mundiais. Em 1972 realizou uma volta musical à União Soviética e a Cuba. Nesse mesmo ano foi convidado para o Congresso de Música Latino­‑americana, organizado pela Casa das América em Habana.

 

Depois do seu regresso ao Chile, dirigiu a homenagem que se fez ao poeta Pablo Neruda depois de receber o Prémio Nobel de Literatura. Em 1973 também desempenhava funções docentes no Departamento de Comunicações da Universidade Técnica do Estado.

 

A SUA MORTE

 

No dia 11 de Setembro de 1973, durante o golpe militar, Víctor Jara foi detido juntamente com um grupo de professores e alunos que se encontravam na Universidade Técnica do Estado. Depois da sua apreensão, foi transladado para o Estádio Chile, torturado e posteriormente assassinado.

 

Em 1990 a Comissão Verdade e Reconciliação determinou que Víctor Jara foi ferido de morte no dia 16 de Setembro de 1973 no Estádio Chile.

 

Os seus restos descansam no Cemitério Geral.

 

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Na seguinte página, encontrará algumas canções de Víctor Jara em mp3, em versões não disponíveis no circuito comercial, entre as quais uma da sua canção mais famosa, Te Recuerdo Amanda:

http://www.nuevacancion.net/victor/mp3.html