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16-09-2005 Eduardo Andrade Bone Quando se comemoram 32 anos do
seu vil assassinato por parte das hordas fascistas encabeçadas pelo criminoso
e ladrão Augusto Pinochet, o povo chileno apresta‑se para render
homenagem a um dos seus mais emblemáticos cantautores chilenos, e um dos
grandes lutadores para que o povo chileno tivesse acesso às mais diversas
expressões da arte e da cultura, no seu labor como cantor popular e director
de teatro. Tarefa que cumpria cabalmente
a partir das suas responsabilidades na Comissão Nacional de Cultura das
Juventudes Comunistas do Chile. Nesta nota, apresentamos os
aspectos mais importantes da sua transcendental vida, de maneira que sirva
como exemplo a todos aqueles que lutam por um mundo melhor. A SUA VIDA Víctor Jara nasceu em 28 de Setembro
de 1932 num pequeno povoado chamado La Quiriquina, situado a 20 quilómetros
de Chillán Viejo. Foi o menor de seis irmãos nascidos no seio de uma família
camponesa. O seu pai, Manuel, foi inquilino
de uma fazenda próxima. A sua mãe, Amanda, foi lavandeira e cantora popular.
A sua infância decorreu num pobre e velho casario da dita localidade. Desde menino, Víctor teve
alma de músico. A sua mãe, que cantava, tocava piano e era uma criadora inata,
ensinou-lhe os seus primeiros cantos. Depois de serem abandonados pelo pai,
Víctor mudou‑se para Santiago com a sua mãe e os seus irmãos, e num cité
da povoação Los Nogales passou os seus anos de adolescente. Tinha só 15 anos quando a
morte da sua mãe o deixou no absoluto desamparo. A solidão levou‑o a
procurar refúgio na vocação sacerdotal e foi assim que ingressou em 1947 no
Seminário Redentorista de San Bernardo. Atraído pelo canto gregoriano
e pela actividade intelectual do Seminário, permaneceu ali quase dois anos,
até que descobriu que a sua vocação não era a religiosa. Em 1957, Víctor Jara
ingressou na Escola de Teatro da Universidade do Chile, para estudar
representação. A expressão através da palavra e do gesto era uma veia que
Víctor desenvolveria de forma paralela ao canto. Por esses anos conheceu
Violeta Parra, que o incitou a continuar a cantar, e não só lhe ensinou muitas
das suas canções, como além disso lhe pediu opinião sobre as suas próprias
criações. Víctor repetiu depois este exercício com as gerações de músicos que
aprenderam do seu canto. Durante a década que começou em 1960, trabalhou
compondo e cantando. Ademais, foi director teatral, pesquisador do folclore e
dos instrumentos indígenas, actor, dramaturgo e libretista. O SEU DESENVOLVIMENTO NO TEATRO Em 1960, Jara recebeu o
título de director teatral. A partir de 1963 foi membro estável do directório
do Instituto do Teatro da Universidade do Chile e professor de representação
da Escola de Teatro da mesma universidade. Em 1964 começou a dirigir a
montagem de importantes obras, como Os Invasores, de Egon Wolf; Parecido
com a Felicidade, de Alexandre Sieveking, e Almas de Dia Claro, do
mesmo autor, obra com que percorreu vários países da América Latina. Não
obstante, o cume da sua carreira teatral chegou em 1965, quando dirigiu a
montagem das obras La Remolienda, também de Sieveking, e A Manhã,
de Ann Jellicoe, que o levaram a obter o prémio “Laurel de Ouro”, como melhor
director do ano. O reconhecimento internacional não demorou a chegar, e em
1967 foi convidado para Inglaterra pelo Conselho Britânico, oportunidade em
que recebeu o prémio de “A Crítica” pela sua direcção da obra Entretenhamos
o Sr. Slone. Estando em Inglaterra, compôs
a que seria uma das suas canções mais conhecidas, Te Recuerdo, Amanda,
dedicada aos seus pais, Amanda e Manuel. Conhece Joan, o amor da sua vida Por
esses anos tumultuosos e agitados, Víctor Jara conheceu Joan Turner, a sua
professora de expressão corporal na Escola de Representação da Universidade
do Chile, e que se converteria anos depois na sua esposa. Tiveram uma filha,
chamada Amanda. Foi um dos fundadores da Nova
Canção Chilena; pese a sua importante trajectória no teatro, foi sem dúvida
na composição e no canto onde Víctor Jara obteve o mais alto dos
reconhecimentos. Seguindo a influência de Violeta Parra, que o impressionou
profundamente, ele explorou a veia do canto folclórico e popular,
homenageando os homens da sua terra. Víctor compartilhou esta nova expressão
do canto popular com grupos como Inti Illimani, Quilapayún, os Parra e outros. COMPROMISSO POLÍTICO Sendo militante das
Juventudes Comunistas, em 1970 Jara participou activamente na campanha
presidencial de Salvador Allende, realizando recitais por todo o país. As composições que criou
nesta época, como El Manifiesto e La Plegaria de un Lavrador,
deram conta do compromisso do artista com os movimentos sociais e as
manifestações revolucionários que nasceram nesse período. Depois do triunfo de Salvador
Allende nas eleições presidenciais de 1970, Víctor assumiu um papel
preponderante no desenvolvimento cultural e político do país. Foi‑lhe
outorgado o cargo de embaixador cultural do governo da Unidade Popular, que
desempenhou de 1971 até à sua morte. Na qualidade de embaixador
cultural, Víctor Jara levou o seu canto a importantes palcos mundiais. Em 1972
realizou uma volta musical à União Soviética e a Cuba. Nesse mesmo ano foi
convidado para o Congresso de Música Latino‑americana, organizado pela
Casa das América em Habana. Depois do seu regresso ao
Chile, dirigiu a homenagem que se fez ao poeta Pablo Neruda depois de receber
o Prémio Nobel de Literatura. Em 1973 também desempenhava funções docentes no
Departamento de Comunicações da Universidade Técnica do Estado. A SUA MORTE No dia 11 de Setembro de
1973, durante o golpe militar, Víctor Jara foi detido juntamente com um grupo
de professores e alunos que se encontravam na Universidade Técnica do Estado.
Depois da sua apreensão, foi transladado para o Estádio Chile, torturado e
posteriormente assassinado. Em 1990 a Comissão Verdade e
Reconciliação determinou que Víctor Jara foi ferido de morte no dia 16 de Setembro
de 1973 no Estádio Chile. Os seus restos descansam no Cemitério Geral. ________ Na seguinte página, encontrará algumas canções de Víctor Jara em mp3, em versões não disponíveis no circuito comercial, entre as quais uma da sua canção mais famosa, Te Recuerdo Amanda: |