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08/03/2007 Verena Glass; Bia Barbosa Enquanto o Air Force One e outros seis aviões sobrevoavam a América
Latina rumo ao Brasil, trazendo a bordo George Bush e sua comitiva, todas as
críticas ao presidente dos EUA se concentraram em um caldo grosso de revolta,
repúdio e desafio que entornou na Avenida Paulista e sacudiu as paredes do
centro financeiro do país com uma mensagem clara: Bush não é bem-vindo no
país. O protesto, que reuniu em São Paulo cerca de 20 mil pessoas e que se
seguiu à manifestação de comemoração do dia internacional das mulheres, foi
palco para os mais variados posicionamentos anti-Bush, como o repúdio às
guerras no Oriente Médio, o seu enfrentamento com as forças políticas
progressistas, principalmente na América Latina de Hugo Chávez (presidente
venezuelano) e Evo Morales (Bolívia), o seu intento de subordinação da região
através de um novo projecto energético – a expansão dos monocultivos de cana
para produção do etanol – nos países da América Central e Caribe para consumo
dos EUA, etc. O anfitrião Lula, cujo partido e base aliada (PT, PCdoB e PSB) juntaram‑se
aos protestos, também foi foco de críticas. Tanto pelo convite a Bush quanto
pelo teor dos acordos (cooperação bilateral na área de biocombustíveis e
retomada das negociações da Organização Mundial do Comércio – OMC). Mas a
principal acusação ao presidente brasileiro foi a colaboração com um projecto
de ocupação do Haiti, onde as tropas brasileiras ainda comandam as forças de
paz da ONU. REPRESSÃO E VIOLÊNCIA De maneira geral pacífica, a marcha foi interrompida por um confronto
com a Polícia Militar quando cerca de 60% dos manifestantes já haviam chegado
ao MASP, ponto final do protesto. Com cerca de 300 homens da tropa de choque,
a PM acabou reagindo a provocações com bombas de gás, balas de borracha e
cassetetes, ferindo várias pessoas. Um manifestante foi violentamente espancado
por mais de 10 polícias e levado preso para o 27º distrito. Marília Gabriela Bello Garcia, estudante e militante do PSOL, foi
atingida por duas balas de borracha quando estava a atravessar a rua. Chorou
muito de dor e de medo. «Estávamos a tentar conter a manifestação quando a polícia reagiu desta
forma. A polícia de São Paulo mostrou‑se, mais uma vez, impreparada
para isso. A reacção foi desproporcional. Houve um excesso brutal. Agrediu
jornalistas e pessoas que se estavam a manifestar em paz», afirmou o
presidente da UNE, Gustavo Petta, mostrando a perna a sangrar, o braço e o
tronco com escoriações de estilhados de bomba e raspões de balas de borracha. Segundo o Coronel Brandão, comandante da tropa da PM, será
investigado se houve abuso de autoridade. «Isso não vai nos intimidar. Não vamos deixar de nos manifestar
porque a polícia reage com violência. Amanhã (dia 9) as nossas actividades
seguem normalmente. Vamos fazer o possível para chegar o mais perto de Bush»,
avisa Petta. |