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03/04/2007 A nova Bolívia 2007 (I) O primeiro fruto da campanha nacional de alfabetização produziu‑se
em Tolata, município central do departamento de Cochabamba, onde na semana
passada foi oficializada a declaração de território livre de analfabetos,
depois de concluir a alfabetização de 600 pessoas, por meio do método cubano “Eu,
sim, posso”. Tolata está formada por 13 comunidades e 15 Organizações
Territoriais de Base (OTB), lugares em que foram hasteadas bandeiras brancas,
como sinal de que foi concluído o processo de alfabetização. A fase de alfabetização foi inaugurada pelo presidente Evo Morales no
dia 20 de Março de 2006, na cidade de Camiri, departamento de Santa Cruz.
Naquela ocasião, foi anunciado o plano oficial de acabar com o analfabetismo
em 30 meses, ou seja, até 2008. A Bolívia tem 13,83% de população analfabeta,
porcentagem que chega a 1.200.000 pessoas. Segundo o Instituto Nacional de
Estatística (INE), esta situação afecta 6,28% da população urbana e 29,01%
dos habitantes da área rural. Até 1976, o analfabetismo na Bolívia era de 36,79%, o que implica que
no período democrático, que o país vive desde 1982, se produziu um avanço
significativo. No entanto, 13,83% continua a ser uma cifra alta, pelo que é
plausível o empenho do governo em terminar com o analfabetismo. Ter um indicador como o mencionado é demonstrativo de que o país se
acha ainda numa fase de atraso no seu desenvolvimento humano, o que se traduz
em pobreza, que afecta o crescimento social e económico. No empenho de acabar com essa situação, a cooperação de Cuba é
merecedora de todo o reconhecimento. Ela traduziu‑se na doação de 10
mil aparelhos de televisão, 4.400 reprodutores VHS, 170 mil cassetes com 65
programas de TV ou teleclasses, manuais com a participação de pessoal
boliviano e a assessoria de especialistas. Cuba é um país sem analfabetismo, para o que teve que realizar um
processo parecido com o que se executa na Bolívia. Isso deu‑lhe uma
enorme experiência na formação de especialistas e de recursos técnicos, sobre
cuja base se sustenta o seu programa “Eu, sim, posso”, que tem a
característica de acelerar a aprendizagem dos analfabetos. Um último informe
da agência oficial de notícias (ABI) relata também que entre Fevereiro de
2006 e 23 de Março de 2007, o Programa Nacional de Alfabetização conseguiu
alfabetizar a 91.221 pessoas, o que representaria 30,1% do avanço em relação
à meta. De acordo com a mesma fonte informativa, até aqui, 270.294 pessoas
estão a ter aulas em 15.908 pontos de alfabetização em todo o território
nacional. Em caso de que se produza o ingresso maciço de professores,
estudantes das escolas normais, das universidades e do quarto ano do curso
secundário, para o que o presidente Morales fez um chamamento especial, a
erradicação do analfabetismo terminaria este ano. Em caso de não se dar esta
cooperação, a campanha terminaria em 2008, tal como foi previsto inicialmente. Acabar com o analfabetismo marcará um acontecimento memorável para os bolivianos. No entanto, daí para a frente deverá colocar‑se em marcha um programa de sustentabilidade, para que não se produza um retrocesso. |