Informação Alternativa

América Latina

16/04/2007

 

Chávez e Morales inauguram escola de Medicina

 

Claudia Jardim

Brasil de Fato

 

Objectivo será formar 200 mil jovens da América Latina e Caribe num período de 10 anos; iniciativa faz parte da Alternativa Bolivariana das Américas (ALBA)

 

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, inauguraram neste Domingo (15), no Estado Miranda, a sede venezuelana da Escola Latino­‑americana de Medicina Alejandro Próspero Révérend (ELAM).

 

A ELAM-Venezuela é parte dos acordos da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) firmado entre Chávez e o presidente cubano, Fidel Castro, em Agosto de 2005. «O país mais agredido pelo Império é o país mais solidário com os povos. O companheiro Fidel para mim é o primeiro médico do mundo. Os EUA mandam tropas para acabar com vidas, Cuba manda tropas para salvar vidas», afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, durante a inauguração da Escola.

 

«Quando os povos se libertam, ajudam a libertar outros povos«, reiterou Morales. Fortalecida pelo governo da Bolívia e por organizações sociais camponesas e urbanas latino-americanas, a ELAM pretende formar em medicina integral comunitária 200 mil jovens da América Latina e Caribe num período de 10 anos.

 

Em Cuba, a ELAM abriga actualmente 22.600 estudantes da América Latina, de um total de mais de 24 mil provenientes de outros 86 países, conforme informou Fidel Castro num comunicado enviado a Chávez.

 

MEDICINA COMUNITÁRIA

 

«Estamos aqui para aprender medicina comunitária, socialista e humanitária, como nos ensinou o Che (Guevara). Ao terminar os nossos estudos, temos o compromisso de trabalhar nas nossas comunidades», disse o aluno boliviano David Aguilar, durante a inauguração da ELAM.

 

Nesta primeira etapa, iniciarão os seus estudos 456 jovens latino-americanos, dos quais a grande maioria será de bolivianos. Os alunos participarão de uma primeira fase de preparação e adaptação, para depois seguirem para a formação pré-médica.

 

Nos anos posteriores de formação, os estudantes deverão integrar o Sistema de Saúde Pública e o programa social de saúde, Missão Bairro Adentro, no qual participam mais de 20 mil médicos cubanos, que atendem às comunidades pobres da Venezuela. A duração do curso é de sete anos.

 

Alberto Granado, companheiro de Guevara na sua primeira viagem pelo continente Latino­‑americano e fundador da Escola de Medicina de Santiago de Cuba, também participou da inauguração da ELAM. «A presença de Evo e Chávez é sinal de que estamos a avançar, que já não é sonho o que pensávamos o Che e eu. Agora estamos a concretizar os sonhos de Bolívar, de Martí e do Che», disse Granado, aplaudido pelos alunos da ELAM.

 

Do Brasil, 80 alunos provenientes de organizações como o Movimento Nacional de Luta por Moradia, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central de Movimentos Populares (CMP), entre outros movimentos, ingressaram na Escola.

 

«Com gestos concretos como esse é que vamos construindo a verdadeira integração, com a participação dos povos, a partir da base», avalia Joaquin Piñero, membro da Via Campesina, uma das organizações que participaram do evento. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que aproveitou para ressaltar a fragilidade do império estadunidense frente à integração latino­­­‑americana, afirmou que a ELAM também será uma escola de formação socialista.

 

«Não é somente formação de medicina. Aqui estamos formando em socialismo, formação da mulher e do homem novo», afirmou o presidente venezuelano. Para incentivar a integração dos alunos, a pedido de Hugo Chávez, Fidel Castro anunciou, num comunicado, que 200 alunos cubanos deverão integrar o primeiro grupo de estudantes.

 

Para os movimentos sociais, a ELAM, assim como o Instituto Latino­‑americano de Agro­‑ecologia Paulo Freire (IALA), com sede em Barinas (Venezuela), são importantes para fortalecer a formação dos movimentos sociais, do campo e da cidade. «Estamos a fortalecer a luta contra as desigualdades sociais, em busca da justiça social», afirma Piñero, da Via Campesina.