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02/04/2007 É meio-dia e Daniel Muñoz, de 76 anos, está sentado numa rede no
portal de sua casa. Nas suas mãos segura um exemplar do Semanário
Litúrgico. Dá voltas nas suas páginas lentamente e logo se volta para
elas. Esse encanto pela leitura não é um costume para Daniel: que reside na
favela San José do distrito de Cañazas, Veraguas. Desfruta dele há menos de
um ano, quando recobrou a visão, graças ao programa Operação Milagre, que nos
últimos 16 meses permitiu que panamenhos de escassos recursos viajassem a
Cuba para ser submetidos a operações oftalmológicas. Muñoz assegura, jornal na mão, que o programa lhe deu de volta a
vida: agora pode ver e continuar a sua vida normalmente. «O meu problema de
visão era muito severo. No olho direito tinha uma cegueira total; e no
esquerdo, uns 90%. Apenas via vultos», explica. «Foram tempos muitos
difíceis, pois pouco a pouco ia deixando de ver», complementa. «Vivo só.
Assim que tinha que fazer todas as tarefas e, com a cegueira, tinha que fazer
um esforço extra para poder completar
o que iniciava». A condição de pessoa de poucos recursos não foi um impedimento na
hora de solicitar a viagem a Cuba. «Não gastei um só dólar na operação nem na
viagem ou estadia», esclarece. Muñoz realizou a travessia para Cuba em Maio
de 2006. Ele conta que se emocionou ao saber que o programa Operação Milagre
será implementado no Panamá e que a partir daí os panamenhos não terão que
viajar a Cuba. «Os que não foram beneficiados com o programa que aproveitem
esta grande oportunidade», recomenda. A Operação Milagre aconteceu na ilha de Novembro de 2005 a Fevereiro
de 2007. Durante esse tempo, 5 mil 202 panamenhos foram operados de
diferentes problemas de visão. Dentro do grupo de panamenhos que viajou também houve casos de
pessoas que foram operadas de retinose, uma doença de carácter degenerativo e
hereditária que produz uma grave diminuição da visão e que em muitos casos conduz à cegueira. A equipa local é
composta por 22 pessoas. Em Março, o presidente Martín Torrijos inaugurou o Centro de Cirurgias
Oftalmológicas, situado no Hospital Regional de Veraguas. Ali será executado
o programa Operação Milagre, o plano de saúde respaldado pelo governo de
Cuba. O hospital está aparelhado para realizar cerca de 40 operações diárias,
com uma equipa composta por seis oftalmologistas, dois instrumentistas, dois
optometristas, sete enfermeiras gerais, um laboratorista, um farmacêutico,
dois engenheiros e um economista. Actualmente, estão a ser avaliados os pacientes para estabelecer a data de início da missão no Panamá. Camilo Alleyne, ministro da Saúde, assegurou que todas as colaborações humanitárias que sejam oferecidas em benefício dos panamenhos serão «bem vindas», sempre e quando «se cumpra com as disposições que ditam as normas panamenhas». Por enquanto não se estabeleceu o tempo que os cubanos permanecerão operando no país. |